Capítulo 23: Capítulo 23 Ela é realmente uma beldade

O sorriso de An Ruo ficou rígido. "Eu já disse que alguém tão frio quanto o Jovem Mestre Shen não se deixaria abalar por uma piada tão vulgar... e no final, só eu ri, parecendo uma idiota."

O braço musculoso do homem descansava na borda da banheira, e um sorriso quase imperceptível começou a se formar no canto de seus lábios. Ela sempre foi boba.

"Só esse tipo de coisa consegue te fazer de boba."

O que ele queria dizer com isso?!

Estava chamando ela de boba ou de vulgar?

An Ruo não quis continuar perguntando, porque sabia que da boca daquele homem não sairia nada de bom.

Ela descontou a raiva nele, bagunçando o cabelo curto dele num estilo ainda mais ridículo, quase pegando o celular para tirar uma foto.

De repente, uma pontada aguda na ponta do dedo. An Ruo tirou a mão coberta de espuma, e a unha frágil, por ter forçado demais ao mexer no cabelo do homem, quebrou.

Pequenas gotas de sangue apareceram, e ela lavou a espuma da mão com água limpa.

"O que foi?"

An Ruo respondeu honestamente: "Quebrei a unha."

Os lábios finos do homem soltaram um sarcasmo frio: "Burra."

An Ruo ergueu a mão e fez um gesto de bater na cabeça dele, mas sem encostar.

Aquele cara tinha um rosto lindo de dar inveja, mas por que falava de um jeito tão irritante?!

"Me traga roupas limpas."

An Ruo hesitou. "Você não vai mais lavar?"

"Vai tratar esse ferimento, não deixe esse sangue sujo me sujar."

Ele era um vaso sanitário na vida passada? Por que falava sempre tão fedido?

An Ruo torceu os lábios, levantou-se e foi ao closet pegar um pijama limpo para ele.

No banheiro, o homem tirou a venda, pegou a toalha ao lado e enxugou as gotas de água do corpo. Nesse momento, ouviu passos na porta. Ele disse em tom grave: "Fique aí, não se mexa."

A garota que voltava com as roupas, ao ouvir a voz, parou imediatamente do lado de fora, sem ousar entrar.

O homem enrolou a toalha na cintura, foi até a porta, abriu uma fresta e estendeu a mão: "Espere lá fora."

An Ruo, meio atordoada, entregou as roupas na mão dele. "Não precisa de ajuda?"

O homem bufou, com um tom levemente provocador: "Tem certeza de que não quer é me aproveitar?"

Que diabos?

An Ruo sentiu o rosto esquentar, instintivamente tocou a bochecha e xingou mentalmente: Narcisista!

Ouvindo os passos se afastando, o homem fechou a porta e trocou de roupa.

-

An Ruo secou o cabelo e saiu do banheiro. O homem estava sentado na cama, de braços cruzados, com os olhos vazios e sem foco, fitando o nada.

"Jovem Mestre Shen, já está tarde. Quer descansar?"

O homem franziu a testa. "Você não vai dormir?"

"Preciso terminar um trabalho urgente. Pode dormir primeiro."

"Então vá escrever lá fora. Com a luz acesa, não consigo dormir."

An Ruo: "Acender ou apagar a luz... para você, faz diferença?"

"Quer repetir?"

A garota sorriu, revelando duas covinhas doces nas bochechas: "Estou brincando. Tudo bem, não vou atrapalhar seu descanso. Vou escrever lá fora."

Ela também não pretendia escrever no quarto.

An Ruo pegou o notebook em cima da mesa e estava prestes a sair quando o homem a chamou em tom grave.

"Não consigo dormir."

A garota ficou confusa. "...E então?"

"Primeiro me faça dormir, depois cuide das suas coisas."

Isso era... o jovem mestre de cara fechada pedindo para ser embalado?

Fazer uma criança dormir, ela conseguia. Mas fazer um homem daquele tamanho dormir? Era um desafio.

"Jovem Mestre Shen, não sou boa em fazer os outros dormirem. Que tal eu contar uma história de ninar?"

O Jovem Mestre Shen zombou friamente: "Está me tratando como criança de três anos?"

Aquela mulher burra, o cérebro dela era só enfeite!

O que ele queria era que ela viesse para a cama. Que trabalho importante era esse que precisava virar a noite?

"Só criança de três anos é que não consegue dormir e pede para ser embalada, não?"

O homem franziu as sobrancelhas grossas: "An Qing!"

An Ruo suspirou e se aproximou: "Jovem Mestre Shen, eu realmente não sei fazer isso."

"Cai fora!"

O homem deitou-se irritado, puxou o cobertor e virou as costas para ela, como uma criança birrenta.

Parece que realmente precisava de uma história infantil para dormir.

An Ruo mostrou a língua. Cai fora, então.

A noite de inverno era especialmente fria. An Ruo, com um casaco por cima, sentou-se de pernas cruzadas no sofá. Lá fora, começou a nevar, e a luz amarelada do poste entrava pela janela...

Ela notou a paisagem bonita e não resistiu a parar de digitar.

Shen Xiaoxing estava com insônia. Era a primeira vez desde que An Ruo se casara com ele. Antes, era ela quem o acordava com seu jeito bagunceiro de dormir. Agora... ele começava a sentir falta.

Ele se levantou, foi até a janela e puxou a cortina. Descobriu que lá fora nevava forte, e a noite se vestia de prata, com uma beleza singular.

Debaixo da janela, havia uma silhueta fina. Ele olhou para baixo.

A garota, apenas com um casaco, caminhava sozinha na neve. De vez em quando, agachava-se para fazer uma bola de neve e jogá-la para longe, rindo sozinha com tanta alegria.

"Ah Xing, vem cá..."

Uma mulher pegou um punhado de neve, sorrindo, com as covinhas nas bochechas bem visíveis. Maliciosamente, amassou a neve numa bola e a jogou nele.

A bola de neve acertou o jovem, e os flocos voaram para o rosto dele, gelados, mas... o coração estava quente, e também feliz.

Shen Xiaoxing teve um momento de confusão. O sorriso diante dele gradualmente se sobrepôs ao sorriso inocente e alegre da garota. Elas tinham as mesmas covinhas.

-

Depois de se livrar do frio, An Ruo continuou a escrever o trabalho, debruçada. O relógio da sala tiquetaqueava, e o tempo passava lentamente...

A garota espreguiçou-se e viu que já eram duas da manhã.

Bocejando, fechou o notebook. A essa hora, o homem com certeza já estava dormindo. Era melhor passar a noite no sofá.

Com tanto sono, An Ruo deitou-se e dormiu, sem notar a silhueta parada na escada.

Shen Xiaoxing ficara observando a garota que escrevia sob a luz. Ele não conseguia dormir e, sem saber por quê, desceu para ver o que ela estava fazendo.

Só quando a garota começou a respirar de forma uniforme é que ele se aproximou devagar, sentou-se na mesinha de centro e a observou dormir.

Ela era muito bonita. Uma beleza que combinava dois tipos: quando sorria, as covinhas apareciam, doce e meiga; quando franzia os lábios e ficava em silêncio, parecia fria, nobre e imponente, uma beleza arrogante.

Era raro alguém conseguir expressar tão bem o puro e o sensual.

Ela era realmente uma tentação.

Não admira que, na primeira vez que Shen Tingfeng a viu, seus olhos grudaram nela.

Ao lembrar do olhar de Shen Tingfeng para ela, Shen Xiaoxing sentiu um ciúme sem motivo, como se algo que lhe pertencesse estivesse sendo cobiçado e espiado.