Capítulo 20: Capítulo 20 O Homem Violento e Arbitrário

Os olhos de An Qing quase saltaram das órbitas. Ao lado, a Sra. An segurou seu ombro, ordenando que não agisse precipitadamente.

De repente, uma campainha tocou. An Ruo pegou o telefone, curvou os lábios em um sorriso e atendeu: "Já cheguei à residência dos An, mas elas se recusam a dar o dinheiro. Certo, manda alguém vir."

Mãe e filha An ficaram confusas. De repente, An Ruo estendeu o telefone para elas: "Sra. An, meu marido quer falar com a senhora."

A Sra. An era uma mulher muito cautelosa, que nos negócios sempre apoiara An Deyu. Era astuta e temia jogos psicológicos.

Olhando para An Ruo, que exibia um ar de triunfo, suas suspeitas se confirmaram.

Embora o jovem mestre Shen não fosse favorecido, ainda assim era um membro da família Shen. Além disso, o idoso mestre Shen se preocupava tanto com seu casamento, o que mostrava sua importância.

A Sra. An estendeu a mão para pegar o telefone. An Ruo baixou levemente os olhos, o coração acelerado.

Era uma batalha psicológica de vida ou morte...

No final, a Sra. An, por sua natureza excessivamente cautelosa, acabou derrotada.

"Uma coisinha dessas, não precisa envolver o jovem mestre Shen." Ela sorriu levemente. "Está frio, senhora Shen, entre para tomar um chá. Vou mandar preparar o dinheiro para a senhora."

An Ruo recolheu o telefone e, com expressão calma, seguiu o criado até a sala de estar.

An Qing ficou perplexa: "Mãe, o jovem mestre Shen é cego, como poderia mimá-la? Essa vadia com certeza está mentindo."

"É melhor acreditar do que duvidar. Nosso Grupo An ainda depende da família Shen no futuro. Não vamos fazer alvoroço por uma coisinha dessas, para não incomodá-los."

An Ruo respirou fundo. Ainda bem que combinara com An Che: ele ligaria para ela dez minutos depois de chegar à residência dos An.

Era apenas um truque, mas servia para testar o coração da Sra. An.

An Deyu nunca se metia nos assuntos de casa, enquanto a Sra. An sempre pesava prós e contras, garantindo que qualquer ação lhe trouxesse maior vantagem.

An Qing não era ameaça; mimada e cheia de manias de princesa, agia por impulso, sem pensar.

Antes, An Ruo estava sob o controle delas e não podia se rebelar. Mas agora era diferente. A família An queria eliminá-la de vez. Por An Che, por si mesma e pela vida normal que teriam no futuro, ela precisava agir primeiro!

O criado trouxe o chá. An Ruo não fez cerimônia. Conhecendo a sensibilidade e desconfiança da Sra. An, sabia exatamente onde apertar.

An Ruo deu um pequeno gole. An Qing, com ar arrogante, lançou-lhe um olhar de desprezo: "E então, nunca bebeu um chá tão bom, né? Ah, esqueci, você é só uma criada, só serve para servir chá, não para apreciá-lo."

Antes, sua posição na família An era pouco acima da de um criado. Fazia tudo sozinha e ainda era obrigada a fazer trabalhos pesados por ordens deles.

An Ruo fitou o reflexo no chá. Não esquecera a primeira vez que Zou Yikai visitara a família An e a vira servindo chá. O choque em seus olhos sempre fora uma espinha cravada em seu coração.

Desde que pisara na família An, An Qing sempre a atormentara: insultos, agressões e... quando ela conheceu o radiante Zou Yikai e se apaixonou por ele, An Qing interferiu, fazendo com que aquele breve romance terminasse sem conclusão.

A Sra. Zou, ao vê-la em nada diferente de uma criada, levou Zou Yikai embora furiosa. Desde então, raramente se viram.

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An Deyu desceu as escadas amparado pelo mordomo. Ao ver An Ruo sentada no sofá tomando chá, mudou sua habitual frieza e a tratou com bajulação.

"Não sabia que a senhora Shen viria hoje, e nenhum criado avisou. Desculpe a má recepção, espero que me perdoe."

An Ruo ergueu levemente as sobrancelhas. O que An Deyu estava tramando? Por que de repente a tratava com tanta reverência?

Ela franziu os lábios e disse sem cerimônia: "Vim buscar os quinhentos mil."

"A culpa é minha. A empresa tem estado ocupada ultimamente, e além disso... houve um imprevisto nos últimos dias, acabei esquecendo." An Deyu estava estranhamente acessível. "Vou mandar transferir agora."

Chamou o mordomo e deu ordens para depositar o dinheiro na conta de An Ruo o mais rápido possível.

Embora a Sra. An também tivesse prometido dar o dinheiro, ela usara um truque para assustá-la. Agora, até An Deyu caíra na armadilha.

Parecia que casar com aquele homem imprevisível não era tão ruim.

A Sra. An e An Qing, sentadas ao lado, observavam confusas a atitude bajuladora de An Deyu, sem entender.

Especialmente An Qing, ao ver que An Deyu concordava com todas as condições que ela impunha. Aquela mulher realmente usara o jovem mestre Shen para pressioná-los! Que truques de sedução!

Casara-se há apenas uma semana e já enganava aquele homem de temperamento violento e tirânico. Era de enlouquecer!

An Ruo olhou para a notificação de transferência no celular. O objetivo estava cumprido, não ficaria mais.

Ao sair, An Ruo pensou um pouco e, de repente, virou-se e fez uma reverência profunda para a família.

Deixando de lado as coisas desagradáveis, por mais que a odiassem, não podia negar que a família An lhe dera um pouco de calor nos dias em que passava fome.

Mas, a partir de agora, ela não pertencia mais à família An.

Talvez, desde o início, apenas a avó An a considerasse parte da família.

An Ruo saiu pelo portão da residência dos An e olhou para trás. Em sua mente, a cena da avó An trazendo ela e An Che para aquela casa...

Avó, depois disso, talvez eu não possa mais voltar aqui.

Se ainda se lembra de nós, por favor, proteja o Chezinho e a mim lá do céu.