Capítulo 166: Capítulo 166: Quero que você me alimente

Os dois conversaram um pouco. Ignorando a metade de sangue alemão que corria em suas veias, ele tinha quase metade dos hábitos de um chinês, e An Ruo se dava muito bem com ele.

Depois de descansar um pouco, ela tomou a iniciativa de dizer que queria voltar para casa. O homem insistiu em acompanhá-la, e An Ruo, rendida por seu entusiasmo, acabou dizendo o nome do hotel.

— É a primeira vez que vem para a Nova Zelândia? — perguntou o homem, dirigindo ele mesmo o carro. Sentado no banco da frente, ele esboçou um sorriso leve: — Se você estiver entediada, pode me deixar ser seu guia. Não digo que conheço tudo, mas pelo menos os lugares divertidos e as comidas boas estão na palma da minha mão.

An Ruo o achou um cara bem sincero, sem nada de ameaçador. Pelo menos, à primeira vista, não sentiu nenhum desconforto.

Ela julgava as pessoas principalmente pela primeira impressão.

— Assim, quando eu for para Shencheng no futuro, você vai ter que ser meu guia e me levar por toda a cidade mágica.

An Ruo curvou os lábios: — Claro.

O homem ergueu os olhos para o logotipo do hotel e riu baixinho: — Você chegou em casa.

Ele abriu a porta do carro e olhou para ela com um toque de preocupação: — Sua perna consegue andar?

— Tudo bem, depois de enfaixada não dói mais. — An Ruo se inclinou para sair do carro e lhe deu um sorriso grato: — Obrigada.

— Eu é que tenho que agradecer a você, senão não teria me tornado esse grande herói que age por justiça.

An Ruo riu com a brincadeira: — De qualquer forma, obrigada por me levar ao hospital e me trazer de volta para casa.

— Já que é assim, podemos dizer que somos amigos?

— Claro. — Mais amigos, mais caminhos, não é bom?

Raramente ela tinha disposição para fazer amigos.

— Se você não insistisse em voltar para casa, eu até te convidaria para jantar. — O homem semicerrrou os olhos e sorriu: — Mas quando você tiver tempo, pode me chamar. Eu te levo para provar todas as comidas da Nova Zelândia.

Já no hospital, eles tinham trocado contatos.

An Ruo assentiu e, com os lábios apertados, disse: — Então vou subir.

O homem enfiou uma mão no bolso e, com a outra, acenou rindo.

— Tchau. — An Ruo esboçou um sorriso, virou-se e entrou no hotel.

O homem ficou parado olhando para as costas dela por um tempo, até que ela desapareceu de vista. Só então ele desviou lentamente o olhar e entrou no carro esportivo.

Han Chong estava ao lado do homem, observando o carro preto passar diante deles.

— Patrão, aquela era a patroa...?

O homem franziu o rosto bonito, a voz carregada de frieza: — Ainda não estou cego!

Por que An Ruo estava no carro de outro homem?

...

Quando An Ruo voltou ao quarto, um garçom já havia trazido um carrinho de jantar, dizendo que Shen Xiaoxing havia feito a reserva. Ela colocou o jantar na mesa.

Assim que terminou, Han Chong empurrou o homem para dentro do quarto.

— Você voltou? — An Ruo arrumou os talheres. Que homem atencioso, pensou ela, preocupado que ela não se adaptasse à comida ocidental, pediu pratos chineses.

Ela sorriu e ergueu a cabeça: — Que pontual, o jantar acabou de chegar.

O homem não respondeu. Han Chong entendeu seu olhar, assentiu levemente e saiu do quarto em silêncio.

An Ruo se virou e viu o homem sentado com os lábios franzidos, sem intenção de se aproximar da mesa para comer.

Ela se aproximou, confusa: — O que foi?

Shen Xiaoxing tinha os olhos escuros e profundos, fixos na figura dela que se aproximava. Os cílios longos tremeram levemente, e as sobrancelhas se descontraíram devagar: — Nada.

— Você... parece não estar bem. É algo no trabalho que não está dando certo?

Ele tinha vindo para o desenvolvimento na Nova Zelândia, e a outra parte estava demorando a entregar o projeto, por isso ele veio pessoalmente.

Será que estavam pedindo algo exagerado?

— Não. — Ele ergueu levemente os lábios, exibindo um sorriso sereno: — Estou pensando em outra coisa.

— Se não é algo importante, pense depois de comer. Mesmo que seja importante, precisa encher o estômago primeiro. — An Ruo o empurrou até a mesa, pegou os hashis e os entregou a ele.

Shen Xiaoxing não os pegou. Com os olhos turvos e profundos, ele baixou a voz: — Quero que você me alimente.

— ...

Por que, de repente, ele queria que ela o alimentasse?

An Ruo viu que ele não estava bem e não entendeu o motivo de sua insatisfação. Mordendo os lábios, cedeu e sentou-se ao lado dele.

Assim que se aproximou, o homem de repente estendeu a mão e a puxou para sentar em seu colo. An Ruo segurava uma tigela e quase a derrubou com o movimento brusco. Ela conteve o coração disparado, assustada com ele.

Já tinham feito aquela cena íntima muitas vezes, e ela não sentia vergonha, mas daquela vez o homem não estava tão gentil como de costume, e a surpresa a assustou.

An Ruo se recompôs, pegou um pedaço de comida e o levou à boca dele: — Abra a boca.

O homem a encarava fixamente, como se não tivesse ouvido.

Quando An Ruo ia falar de novo, ele de repente apertou a nuca dela e cobriu seus lábios com os dele, frios, num beijo um tanto rude, quase mordendo.

Sua mente ficou em branco.

Ela não entendia de onde vinha aquela raiva estranha do homem.

— Espe... hum, espera... — An Ruo apoiou uma mão no peito musculoso dele, empurrando-o com um pouco de força, mantendo o braço entre eles. Com o rosto vermelho, ela falou suavemente: — Estamos comendo.

O olhar frio do homem se prendeu ao rosto vermelho e pequeno dela.

Lembrou-se dela descendo do carro de um estranho, rindo e conversando com ele, sem saber do que tanto falavam.

O peito dele apertou, mas sua personalidade reservada não permitia que ele perguntasse diretamente.

Ver ela rindo para aquele homem o incomodava pra caramba!

Ela tinha acabado de chegar à Nova Zelândia, de onde conhecera aquele homem?

An Ruo, vendo que ele não falava, pegou mais comida e a levou à boca dele. Dessa vez, o homem não recusou e comeu obedientemente.

Mas seus olhos profundos a fitavam fixamente, deixando a garota muito desconfortável. Aquele olhar parecia querer devorá-la!

Depois de alimentá-lo, An Ruo quis se levantar do colo dele, mas o braço que a segurava era como uma barra de ferro, apertando-a.

— Estou com fome, quero comer.

— Fique aqui e coma.

An Ruo não teve escolha, ficou com o corpo rígido comendo o arroz na tigela, enquanto o homem batia levemente os dedos na mesa num ritmo constante.

Ela sentiu a atmosfera muito estranha...

Os dois eram do tipo que não falavam muito, resolviam as coisas sozinhos e nunca aprendiam a compartilhar com o outro. Ele guardava as coisas para si, e ela, calada e monossilábica, não tomava a iniciativa de perguntar.

An Ruo queria sair rápido do colo dele, então comeu só até a metade e colocou a tigela na mesa.

— Já comeu o suficiente?

Ele conhecia a quantidade que ela comia e sabia que não era só aquilo.

An Ruo assentiu com cuidado: — Hum.

— Come mais um pouco. — O homem colocou comida na tigela dela, com a voz grave e magnética: — À noite, precisa comer bem para ter energia.

— ?

Por que ela precisava comer tanto à noite?

Todo mundo comia menos à noite para ajudar a emagrecer.

— Quer que eu te alimente?

— Não, não precisa. — An Ruo, com medo de que ele a alimentasse e provocasse o que aconteceu antes, pegou logo a tigela e comeu o arroz e os pratos em grandes bocadas.

Até dar um arroto, e só então, envergonhada, largou a tigela.

O homem, vendo que ela tinha comido o suficiente, soltou a mão. An Ruo pulou do colo dele e estendeu a mão para arrumar a mesa, mas ele segurou sua mão.

— Vá tomar banho primeiro.

— Tudo bem, arrumo isso e depois vou.

Shen Xiaoxing segurou a mão dela, com o olhar profundo como um redemoinho que queria sugá-la. An Ruo soltou a mão, atordoada.

Ele ergueu a mão e afagou a cabeça dela, com um sorriso leve nos lábios: — Boa menina.

An Ruo não entendia a estranheza do homem naquele dia, mas não queria que ele soubesse que estava ferida. Então, forçou-se a ir para o banheiro.

Ela se lavou rapidamente, evitando o ferimento no joelho, e ficou pensando por um bom tempo lá dentro, antes de sair devagar.

— Eu... terminei.

O homem estava lendo um livro, daqueles de psicologia que servem de decoração no hotel. Ao ouvi-la, ergueu os olhos para ela.