O hotel de arquitetura palaciana europeia parecia um castelo majestoso e luxuoso. O gerente os conduziu por longos corredores, explicando ocasionalmente em inglês a estrutura do hotel e sua história de construção.
Finalmente, chegaram ao quarto onde ficariam, não no salão principal do hotel, mas em uma ala tranquila no segundo andar dos fundos.
An Ruo empurrou o homem para dentro. O quarto era grande, com uma decoração que não lembrava a de hotéis nacionais — luxuosa, de estilo europeu antigo, refrescante e nova.
Os seguranças carregaram a bagagem para dentro. "Senhora, onde colocamos essas malas?"
"Deixem aqui por enquanto, depois arrumo."
O homem conversava em voz baixa com Han Chong ao lado. An Ruo apenas olhou de relance e se virou para cuidar de suas próprias coisas.
Ela ligou para o serviço de quarto e pediu o almoço.
Já eram duas da tarde quando chegaram à Nova Zelândia. Como estavam com pressa no helicóptero e não planejaram parar no meio do caminho, só comeram algo rápido.
A diferença de temperatura entre a Nova Zelândia e o país natal era grande. Lá, o Ano Novo chinês tinha acabado de passar, a primavera já dava sinais, e tudo estava renascendo. Aqui, a temperatura máxima passava dos trinta graus, já era verão.
Felizmente, ela tinha verificado o clima antes e levado roupas suficientes. Sentindo calor, foi para o quarto interno trocar por um vestido amarelo-claro.
As cortinas europeias estavam bem levantadas, com franjas da mesma cor nas bordas. As cortinas claras balançavam suavemente com a brisa. O vento não era forte, e o sol estava perfeito.
An Ruo ficou diante da janela, apoiando as mãos levemente no parapeito, fechou os olhos e sentiu a brisa quente no rosto — muito agradável.
O homem acenou levemente com a cabeça, e Han Chong respondeu e se retirou para cuidar de seus afazeres. Ele deslizou a cadeira de rodas para perto e viu a garota em pé diante da janela, de olhos fechados, aproveitando.
Seu cabelo preto como tinta era levado pelo vento suave. Os cílios longos e grossos eram curvados e virados para cima. O rosto pequeno e limpo, sem maquiagem, ainda assim era de uma beleza indescritível, com uma aura que misturava sedução e pureza. Bastava um olhar provocante dela para conquistar o coração de muitos homens.
Shen Xiaoxing estava absorto na admiração quando uma batida na porta quebrou o clima. Ele virou o rosto, irritado, e viu um garçom entrando com um carrinho de comida.
O garçom notou o olhar sombrio do homem e, assustado, baixou a cabeça rapidamente: "Senhor, senhora, aqui está o almoço que pediram. Aproveitem."
A aura daquele homem era forte demais; melhor não ficar por ali.
An Ruo voltou a si, virou-se e viu que o garçom já tinha saído do quarto, e o homem, sem que ela soubesse quando, tinha terminado a conversa com Han Chong e estava sentado ao lado dela.
Ela se aproximou: "Terminou?"
O homem assentiu levemente.
An Ruo levantou a tampa de vidro do carrinho e colocou a comida na mesa: "Com fome? Acabei de pedir o almoço, senta e come."
A mudança repentina de temperatura deixou Shen Xiaoxing um pouco irritado e desconfortável. Ele respondeu com um "hum" e depois disse: "Senhora Shen, por favor, ajude seu marido a encontrar uma roupa mais leve. Estou suando."
An Ruo largou os talheres imediatamente, levantou-se e foi ao armário pegar um conjunto de roupas de primavera. Hesitou: "Não vai tomar banho? Veste direto?"
"Hum."
O homem estava cada vez mais fácil de lidar; bastava ela se dispor a acalmá-lo com palavras que tudo se resolvia.
An Ruo acreditava na explicação que o homem dera naquele dia. Parecia que seu temperamento real não era explosivo e irritadiço, mas sim uma encenação para enganar aquelas pessoas.
Já estavam casados há alguns meses. Embora An Ruo corasse com as palavras provocativas dele, ao trocar suas roupas, mantinha-se totalmente focada.
Depois do almoço, o homem entrou em contato com os investidores locais para tratar de um trabalho importante. Disse a ela para descansar quieta no quarto e saiu.
An Ruo ficou entediada no quarto. Como tinha dormido algumas horas no helicóptero, não sentia sono algum.
Resolveu sair para dar uma volta. Com esse pensamento, levantou-se da cama rapidamente. Suada, sentia o corpo todo desconfortável. Foi ao banheiro tomar um banho, secou o cabelo e escolheu um vestido estilo Chanel para vestir.
O celular estava com a bateria cheia. Colocou-o na bolsa, fechou a porta e saiu do hotel.
O tempo estava quente, mas não a ponto de impedir de sair.
O ar na Nova Zelândia era muito bom. An Ruo andava por ruas antigas e movimentadas, vendo muitos homens e mulheres bonitos de cabelos loiros e olhos azuis.
A maioria das mulheres neozelandesas era descendente de imigrantes europeus, então a genética puxava mais para a Europa: muitas eram loiras de olhos azuis, com corpos altos e sensuais.
Claro, quando viam An Ruo, uma beleza tipicamente oriental, não resistiam a olhar discretamente, e alguns até se aproximavam para puxar conversa.
An Ruo se apresentava em inglês fluente, dizia que era casada e mostrava o anel no dedo.
Ela era uma comilona. Quando passava por barracas de rua vendendo petiscos, parava.
Enquanto esperava a comida ficar pronta, ouviu uma confusão não muito longe. Um homem loiro de camiseta preta corria desesperadamente na frente.
"Pare!"
Atrás, um homem de terno abria caminho entre a multidão, pedindo desculpas a quem esbarrava, enquanto perseguia o loiro com urgência.
"Aqui."
An Ruo pegou o sorvete que o vendedor lhe entregou, deu uma mordida satisfeita — gelado e refrescante.
"Ladrão! Pare!"
Os dois que se perseguiam estavam cada vez mais perto. An Ruo os notou e, ao ouvir o homem atrás gritar "ladrão", seu olhar se fixou no homem com a mochila preta na frente...
Mas antes que pudesse reagir, alguém esbarrou em seu ombro, o sorvete caiu no chão, e ela cambaleou, prestes a cair.
Franzindo a testa, estendeu a mão e segurou a perna da calça do homem que estava prestes a fugir.
O homem não esperava que ela agarrasse sua calça. Perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão.
O homem de terno que vinha atrás alcançou-o, segurou o ladrão que tentava se levantar e virou o rosto para olhar An Ruo, que se levantava devagar.
"Fica quieto, não se mexe!" Ele deu um tapa forte no ladrão debaixo de si, ergueu levemente as sobrancelhas e perguntou a An Ruo em inglês padrão: "Chinesa?"
An Ruo limpou a poeira da roupa e, ao ouvir, assentiu levemente.
O joelho ardia intensamente; devia ter batido em algo pontiagudo ao cair.
Alguém na multidão chamou a polícia. Quando os policiais chegaram, o ladrão insistia que não tinha roubado nada, acusava o homem de terno de mentir e ainda dizia que An Ruo era sua cúmplice.
An Ruo não entendia as regras daquele país. Acabou sendo levada para a delegacia sem saber direito o motivo. Os policiais, vendo que ela era asiática, olharam seu documento de identidade, fizeram um depoimento simples e a liberaram.
Ela suportou a dor no joelho, saiu devagar da delegacia e sentou-se num banco para descansar.
Que azar! Mal tinha chegado ao exterior, ainda não tinha ido a lugar nenhum, e já era tratada como ladra, levada para depor. Podia ser pior?
De repente, ouviu-se uma conversa em inglês. O homem de terno que tinha perseguido o ladrão por várias ruas saiu. Parecia ser conhecido dos policiais, pois conversava e ria com eles.
O homem olhou para ela, ergueu levemente as sobrancelhas e se aproximou.
An Ruo viu um par de sapatos masculinos em seu campo de visão. Levantou o rosto, e o homem ficou sem fôlego ao ver sua beleza deslumbrante e pura.
Sentiu o coração bater forte, descompassado.
Ele falava um chinês fluente e estendeu a mão: "Olá."
An Ruo hesitou, apertou-lhe a mão educadamente: "Olá."
"Ah, você se machucou no joelho, né?" O homem se abaixou para ver o ferimento na perna dela, mas An Ruo se esquivou, evitando-o.
"Tudo bem."
"Há um hospital não muito longe daqui. Posso te levar para fazer um curativo?"
An Ruo estava desconfiada dele. "Não precisa. Vou descansar um pouco e já fico bem."
[Novo personagem em cena, mas não é o segundo protagonista masculino~ Nosso galante segundo protagonista masculino está ansioso para aparecer~]