Chu Junyu jogou o acordo sobre a mesinha de centro, seus olhos claros e negros fixos em Chu Lingzhi: "Mamãe, eu sou esse tipo de pessoa?"
Ele se aproximou, deu um tapinha na perna de Chu Lingzhi para confortá-la: "Mamãe, eu sei do que você tem medo, fique tranquila, seu filho sabe o que faz."
As palavras de Chu Junyu acalmaram um pouco o coração de Chu Lingzhi.
Ela olhou nos olhos dele, que estavam vermelhos.
Vendo-a assim, Chu Junyu sentiu um pouco de dó.
Seu olhar ficou mais profundo e indiferente.
Ele havia descoberto que Nangong Yehen era seu pai.
Mas não descobriu como eles se conheceram, como se amaram, como os tiveram e depois como abandonaram ele e a mãe.
...
O pequeno corpo de Chu Junyu estava sentado num banco de pedra do parque do condomínio.
O sol da tarde caía sobre ele, fazendo-o parecer mais maduro e sensato que as outras crianças da mesma idade.
Suas mãozinhas gordinhas e fofas pegaram o celular e discaram o número de Nangong Yehen.
Naquele momento, Nangong Yehen acabara de nadar e descansava numa espreguiçadeira.
Vestia apenas um roupão, deixando à mostra os músculos firmes do peito, com uma postura preguiçosa e extremamente selvagem.
Huo Luan entregou-lhe o celular: "Patrão, seu telefone."
O nome que apareceu na tela fez seus lábios perfeitos e sensuais se curvarem, revelando um leve sorriso.
Seus dedos longos e finos como cebolinhas deslizaram levemente pela tela e atenderam a chamada.
"Senhor Nangong, pode me dizer como eu vim ao mundo?"
Do outro lado da linha, a voz jovem e adorável de Chu Junyu soou.
Nangong Yehen curvou os lábios: "Vamos marcar um horário para conversar direito, que tal?"
"Quando?"
"Você escolhe o horário e o lugar."
—
Nos últimos dois dias, Chu Lingzhi não foi à empresa.
Seu coração estava sempre inquieto, ela ficou em casa para acompanhar Chu Junyu.
Todos os dias, pontualmente, levava e buscava ele na escola.
Ela temia que Nangong Yehen viesse roubar seu filho, e por isso vivia apreensiva.
Mas a realidade não foi como ela imaginava. Três dias se passaram, Chu Junyu estava são e salvo, e Nangong Yehen não apareceu.
Quem apareceu de repente foi Mu Yu, que, por não ter sido selecionada no teste de elenco, chorou por duas horas inteiras na casa dela.
Vendo-a chorar tão triste e angustiada, Chu Lingzhi também se sentiu mal, mas não podia ajudar e não sabia como consolá-la.
Então resolveu ir buscar o filho, deixando-a chorar à vontade em casa.
No meio do caminho, o carro ficou preso no trânsito.
Os veículos à frente estavam completamente parados. Chu Lingzhi olhou o relógio, logo seria a hora da saída de Chu Junyu.
Ela bateu impacientemente no volante e esticou o pescoço para olhar à frente.
Por que o trânsito estava tão engarrafado hoje?
Normalmente, esse trecho não costumava congestionar.
Quanto mais tempo o engarrafamento durava, mais inquieto ficava o coração de Chu Lingzhi.
Ela sentia que algo estava para acontecer.
Pegou o celular e ligou para Chu Junyu.
Queria dizer a ele para não sair do portão da escola, que ela mesma entraria no jardim de infância para buscá-lo.
O telefone tocou, mas ninguém atendeu por muito tempo.
Entre o trânsito parado e o telefone sem resposta, Chu Lingzhi ficou ainda mais ansiosa e apavorada.
Ela pensou em ligar para a professora de Chu Junyu, mas antes de encontrar o número, os carros da frente começaram a andar, e os de trás buzinavam sem parar.
Que buzina é essa? Estou mais aflita que você!
Chu Lingzhi resmungou mentalmente, largou o celular e fez o carro avançar.
Primeiro foi devagar, mas quando a via ficou livre, ela pisou fundo no acelerador e aumentou a velocidade em direção ao jardim de infância.
O coração disparava, sempre inquieto, com um mau pressentimento, como uma mão invisível apertando seu peito.