Capítulo 888: Preto
O homem na névoa de sangue jamais imaginou que seu subordinado mais valioso seria morto instantaneamente em um único confronto.
Ele se lembrou das palavras de Chang Wenyu: o pintor possuía uma habilidade especial extremamente aterrorizante, capaz de, ao pagar um certo preço, pintar pessoas ou espectros que via em sua tela, roubando-lhes tudo.
O limite dessa habilidade era enorme, mas Chang Wenyu não lhe disse qual era exatamente, apenas que o pintor só podia usá-la três vezes em um curto período, ou seja, ele só podia pintar três pessoas.
"Shan não foi aniquilada, ela apenas foi privada de algo." O homem na névoa de sangue examinava o corpo da mulher com cabeça de cabra. Ele sabia bem que, quando um espectro vermelho se desfazia, não deixava vestígios no mundo, mas o corpo de Shan permanecia.
"Se Chang Wenyu não mentiu, e o pintor só pode usar essa habilidade três vezes em pouco tempo, não há motivo para temer." O homem largou o corpo de Shan: "Chang Wenyu gastou uma das habilidades dele para atrasá-lo, e Shan acabou de consumir outra pintura. Agora, ele só tem mais uma chance de usar o poder."
A névoa espessa ocultava a visão. O líder do grupo sempre se escondia na bruma, sem nunca revelar seu verdadeiro rosto: "Uma habilidade assustadora, mas não significa nada diante de uma diferença absoluta de números. Quando ele pintar o terceiro quadro, será a hora de sua aniquilação."
A névoa que cobria o Mal se dissipou lentamente, e o líder praticamente entregou o Mal ao pintor. Para ele, trocar a vida do Mal por uma pintura do pintor valia a pena.
"Quando eu abrir aquela porta sem dono e me tornar algo além do vermelho, encontrarei o que vocês perderam e os farei renascer em seus próprios corpos."
Essas palavras pareciam dirigidas ao Mal. O monstro, meio humano, meio porco, após ouvir o homem, avançou como um louco em direção ao pintor.
A névoa de sangue fervia. Da boca do Mal escorria um líquido preto, e ele exalava um fedor por todo o corpo. Ao contrário de Shan, essa criatura não tinha nada que agradasse.
"A habilidade especial do pintor é poderosa, mas seu corpo não é tão forte. O Mal é justamente seu oposto. Se Shan ainda estivesse aqui, com a ajuda dela, o Bem e o Mal se fundiriam, e até mesmo algo além do vermelho poderia ser contido por um tempo." O homem na névoa de sangue controlava a bruma do mundo atrás da porta. Só essa habilidade já era misteriosa o suficiente: "É uma pena, ele também deve ter percebido o problema, por isso não hesitou em gastar uma chance de pintar para ferir gravemente Shan."
A névoa densa se aglomerava ao redor dele, como se o homem fosse o centro de uma tempestade. Ele atraiu toda a névoa de sangue ao redor para entrar na escola assombrada.
Espinhos negros pavimentavam o chão sob seus pés. O homem e o Mal se aproximavam do prédio escolar por duas direções diferentes.
O homem na névoa de sangue tentou evitar o pintor, mas, para sua surpresa, o pintor, com seu corpo enormemente transformado, moveu-se e ficou entre ele e o Mal.
"Você quer enfrentar nós dois ao mesmo tempo?" O homem na névoa de sangue era forte. Ele ainda não havia revelado seu rosto, e sua identidade e poder eram um mistério. Se não fosse pelo temor à habilidade aterrorizante do pintor, a luta já teria terminado.
O pintor não disse nada; provou tudo com suas ações. O braço que subia de suas costas, estimulado pelas emoções negativas, inchava com veias negras. A aura do pintor se fortalecia cada vez mais.
Ele queria unificar a vontade da escola assombrada, absorver toda a inquietação e desespero, transformando as emoções negativas de todos os alunos em suas armas.
As emoções humanas continham uma força incomum. Daí nasciam as obsessões, e daí surgiam as portas.
"Um espectro vermelho só pode suportar uma quantidade limitada de calamidades. Sem a aprovação da porta, você não pode carregar as emoções negativas acumuladas em toda a escola. Você perderá a razão e será destruído." O homem na névoa de sangue balançou o braço novamente, e mais figuras vagas surgiram nos arredores da escola: "Naquela cidade, há inúmeros monstros, todos distorcidos e loucos, de olho nesta escola. Mesmo que você nos segure, eu e o Mal, o que pode fazer? Enquanto for atrasado, as vontades da escola serão devoradas. A cada segundo que você for detido, inúmeras vontades se dissiparão, e com elas, você ficará cada vez mais fraco."
O homem na névoa de sangue não queria lutar, mas o pintor não lhe deu mais chance de falar.
"Puf!"
Um grande pedaço do espelho vermelho acima de suas cabeças se despedaçou. Um dos braços do pintor agarrou o fragmento do espelho e o cravou com força no Mal.
No instante em que o espelho vermelho se soltou, ele se transformou em inúmeras vontades que gritavam. Elas se tornaram a faca nas mãos do pintor, condensando um brilho sangrento enquanto se moviam.
O espelho cortou o corpo do Mal, rasgou a máscara de porco que ele usava e abriu a boca gigante em seu flanco. Mas, quando o espelho estava prestes a sair do outro lado da boca, um som leve veio de dentro dela.
Incontáveis dentes finos morderam o espelho. Líquido preto gotejou sobre ele, e o espelho, feito de memórias de alunos, se desfez instantaneamente. As sombras das crianças gritavam enquanto eram engolidas pela boca gigante.
"Ganância é uma forma do Mal. Ela pode devorar muitas coisas; quanto mais come, mais forte fica."
A boca gigante se curava rapidamente. Ela engoliu o espelho e também mordeu o braço do pintor.
"Quer me devorar também?"
O espelho no céu já estava em pedaços. Os edifícios se tornavam ilusórios, exceto por quatro lugares que não foram muito afetados.
Naquele momento, o pintor estendeu ativamente o braço de suas costas em direção a um desses lugares — a estação de transferência de lixo entre os campi leste e oeste.
"O verdadeiro Mal não é a feiura do corpo ou os defeitos da natureza humana, mas uma pureza sem propósito. O Mal puro, como o preto na minha paleta, não tem mais pensamentos. É frio, perverso. Tudo, tudo, é apenas porque é preto."
O braço do pintor agarrou a estação de transferência de lixo dentro do espelho. O monstro de quatro patas, ao mesmo tempo, destruiu completamente a porta do último cômodo da estação e fugiu em pânico.
O espelho se quebrou. Um ponto de apoio foi destruído. Todo o pecado acumulado nos campi leste e oeste inundou o corpo do pintor. Com o rosto distorcido, ele usou seu próprio corpo como intermediário para enfiar todo aquele pecado e maldição na boca do Mal.
As almas pecaminosas gritavam. Não esperavam que o fim de sua breve jornada fosse uma boca gigante e fétida.
Gritos, súplicas, xingamentos, maldições — nenhuma palavra conseguia abalar o pintor.
"Eu sou o pintor. Preciso do branco, e também do preto. Desde que possa completar a pintura final, não importa que cor eu use."
O corpo do Mal foi esticado. A expressão do pintor se tornava cada vez mais distorcida, e a calma em seu rosto desaparecia lentamente.
Todos os pensamentos malignos no último cômodo da estação de transferência de lixo haviam sido trancados por ele mesmo. Eram lixos inúteis, a parte mais sombria e aterrorizante da natureza humana.
"Você quer comer? Então vou te dar o suficiente!"