Capítulo 887: Podem me chamar de Pintor
Os alunos na escola assombrada fugiam em pânico, mas para onde poderiam ir? Se esconder apenas adiava o momento de suas almas se dissiparem. Os monstros na cidade sangrenta não precisavam da vontade da escola assombrada; tudo para eles era alimento para devorar.
O portão principal da escola assombrada colidiu contra a parede, e os muros altos de ambos os lados foram derrubados por espinhos negros. O homem pisou com o pé esquerdo dentro da escola, e a névoa vermelha atrás dele parecia uma maré carmesim.
— Foi mais fácil do que eu imaginava.
A névoa densa envolveu seu corpo, deixando apenas uma silhueta borrada. Sua cabeça girou lentamente, até que pareceu olhar para o espelho sangrento acima.
— Cada fantasma atrás da porta está construindo um inferno, mas só você está construindo um paraíso — disse o homem, com um tom de escárnio. — Se você realmente tivesse visto o paraíso, não teria sido abandonado atrás da porta.
Ele ergueu os pés e continuou avançando. Nenhum fantasma na escola ousou bloqueá-lo, nem os espíritos solitários acolhidos pela escola, nem os de vermelho nascidos dentro dela.
Cada vez mais rachaduras surgiam no espelho no céu, e os prédios dentro dele desabavam sem parar. Mesmo com Lin Sisi e os outros tentando sustentá-lo, nada podia mudar.
— Parece que não há mais motivo para continuar sustentando isso — disse o Pintor, no topo do prédio do laboratório, observando os campi leste e oeste se despedaçando. De repente, ele ergueu a mão.
A ponta de seu dedo tocou o céu dos campi leste e oeste. Era um espelho, um espelho feito de inúmeras memórias e vontades.
— Isso ainda não é o paraíso. Isso é apenas uma pintura minha, uma pintura que ainda não pensei em como nomear.
A ponta do dedo atravessou o espelho, e inúmeros fios de sangue correram em direção ao Pintor. Quando seu dedo saiu do outro lado do espelho, já estava coberto de sangue.
— Se esta pintura está destruída, basta pintar outra. Preciso de uma nova tela e de novas tintas. — Seu corpo atravessou o espelho, e o casaco do Pintor ficou completamente manchado de vermelho.
No campi leste e oeste, o Pintor dava a sensação de um mar morto, silencioso e calmo. Ao sair do espelho, ele transmitia outra sensação, difícil de descrever, cada movimento fazia com que as pessoas não quisessem se aproximar.
Assim que o Pintor deixou os campi leste e oeste, o espelho no céu começou a se despedaçar em grandes pedaços, como se chovesse sangue.
— Desistiu? — O homem na névoa vermelha não avançou imediatamente. Ele ergueu a cabeça e olhou para algum lugar da escola, como se sentisse algo.
A figura do Pintor no prédio do laboratório já havia desaparecido, mas cada fragmento do espelho que caía refletia sua imagem.
Quando o primeiro fragmento tocou o chão da escola, ele se transformou em inúmeros fios de sangue finos, e a figura do Pintor apareceu diante do prédio de ensino.
Ele estava sozinho no terreno vazio em frente ao prédio da escola. A névoa vermelha batia contra seu corpo, e espinhos negros se espalhavam ao redor, mas ele não se esquivava como os outros fantasmas.
— A vontade da escola já se dividiu. Você destruiu sua última esperança com as próprias mãos. Chang Wenyu foi gravemente ferida. Como você, sozinho, pode enfrentar uma cidade inteira? — O homem na névoa parou. — Você poderia ter feito como Chang Wenyu e fugido deste lugar. Eu sei que deve haver outras saídas na escola.
— Saída? — O casaco do Pintor estava manchado de vermelho, e fios de sangue se entrelaçavam em seu corpo, cobrindo seu peito. — O lugar onde você está não é a saída da escola?
Fragmentos do espelho caíam sobre o Pintor, deixando marcas de sangue. A distância entre o céu e a terra nunca foi tão curta, tão curta que só havia uma pessoa entre eles.
— Eu sou o fantasma que todos temem nesta escola. Então, quando todos estiverem com medo, eu ficarei na frente deles.
Ele abriu os braços de repente, e braços feitos de fios de sangue se estenderam de suas costas, dissipando a névoa vermelha e sustentando o espelho acima!
— Venham todos de uma vez. Vou usar o sangue de vocês para completar minha nova pintura.
Sem mais palavras, o Pintor, que sustentava o céu, avançou em direção ao portão principal da escola. Inúmeras vontades rugiam junto com sua voz.
O mundo dentro do espelho gritava, e inúmeras emoções negativas, como uma cachoeira negra, fluíam pelos braços nas costas do Pintor para dentro de seu corpo!
— Eu não gosto dessa forma, mas quem neste mundo pode sempre ser quem gosta de ser?
Rostos grotescos surgiram no corpo do Pintor, mordendo sua carne e injetando toda a dor e ódio dentro dele!
— Quem nunca se nutriu dos ossos de um túmulo? Quem nunca cresceu enraizado em carne e sangue? Eu vi inúmeros infernos, mas é por isso que preciso encontrar o paraíso!
Rachaduras negras apareceram no manto vermelho, e rostos grotescos mordiam o corpo sob ele. Cada rachadura escondia um desespero arrepiante, e em cada ferida começavam a crescer rostos humanos horríveis!
— Que habilidade é essa? Por que é diferente do que Chang Wenyu disse? — A voz do homem na névoa vermelha já não era a mesma. Algo inesperado havia acontecido. — Você pintou aqueles mortos em seu próprio corpo?! Você pode obter o poder deles? Não, você está suportando a dor e o desespero deles! Eles estão devorando seu corpo!
Suas perguntas não teriam resposta. Num instante, o Pintor já havia mergulhado na névoa vermelha.
— Eu só quero aquela porta sem dono. Por que você precisa sair para me bloquear? — O homem na névoa moveu o braço, e as duas outras figuras atrás dele avançaram.
Por onde o Pintor passava, a névoa vermelha se dissipava. As duas criaturas que saíram da cidade sangrenta finalmente revelaram suas verdadeiras formas.
Uma delas usava uma máscara de cabeça de carneiro. Seu corpo era perfeito, com marcas vermelhas pintadas na pele, parecendo muito frágil. Lágrimas escorriam constantemente por baixo da máscara.
Essa mulher parecia não ter rosto próprio; a máscara de carneiro já era parte de seu corpo.
A outra criatura era enorme, parecendo um humano ou um porco, andando sobre quatro membros, ainda lembrando uma forma humana. Usava uma máscara de cara de porco, e o mais aterrorizante era uma boca de meio metro aberta ao lado de seu corpo, cheia de dentes afiados.
— Bem, Mal. Segurem-no. Vou procurar a porta. — O homem no meio parecia muito confiante nos dois monstros. Mas antes que pudesse dar um passo, a mulher com a máscara de carneiro parou de chorar de repente, e as lágrimas sob a máscara se transformaram em sangue.
— Bem? — Quando o homem na névoa vermelha se virou, viu a mulher exposta diante do Pintor paralisada no lugar. Sua máscara de carneiro caiu lentamente, junto com sua cabeça, ao chão.
— Bem! — A névoa vermelha dispersa se reuniu instantaneamente de todos os lados, protegendo o Mal do outro lado. O homem só ousou se aproximar do Bem depois de garantir que o Pintor não o veria, mas já era tarde demais.
— Eu não gosto do Bem, porque meu Bem nunca foi tratado com bondade. — O Pintor arrancou uma pele coberta de fios de sangue de seu peito, onde estava pintada a figura da mulher com cabeça de carneiro!
— Agora só restam dois.