Capítulo 841: O Passado do Velho Diretor
Chen Ge sentia muita pena de Sakura Bai, mas se ela não quisesse falar, ele não podia fazer nada para ajudá-la. — Sou um novo aluno transferido, ainda não conheço bem esta escola. Se eu disser algo que te deixe desconfortável, espero que não leve a mal.
O estado mental da garota era muito instável; forçá-la a falar poderia fazê-la desmoronar. Pensando na segurança dela, Chen Ge decorou o número do leito dela, preparou-se para fechar a cortina e voltar mais tarde.
O grosso pano branco foi novamente fechado, isolando o leito do mundo exterior em dois universos distintos.
Chen Ge virou-se e caminhou em direção ao próximo leito. Mal tinha dado alguns passos quando sentiu alguém puxar a barra da sua roupa.
Olhando para trás, viu uma mão pálida saindo por baixo do pano branco, segurando sua roupa. — Fuja, não assista às aulas nesta escola. Você vai enlouquecer. — A voz de Sakura Bai era muito baixa, exigindo concentração para ser ouvida.
— Na verdade, acho que o ambiente de estudo aqui é muito bom, e as pessoas gostam de fazer amizade comigo. — Chen Ge não temia que a garota lhe fizesse mal, mas sim que ela não falasse. Enquanto pudesse conversar, tudo se resolveria.
— Volte para a sua escola anterior, volte. — Havia um tom de súplica na voz da garota. Ela não deu razões específicas, mas Chen Ge percebeu pelo tom que ela realmente se preocupava com ele e não queria que ele se machucasse.
No mundo vermelho-sangue atrás da porta, havia uma garota tão bondosa. O próprio Chen Ge achava isso incrível.
— Não posso voltar. — Chen Ge fez uma pausa, e em frações de segundo seu cérebro já havia elaborado um discurso: — Na minha escola anterior, sofri bullying. Não sei o que fiz de errado, mas aquelas pessoas se divertiam me intimidando todos os dias. Meus pais falaram com a direção e os professores, mas quanto mais faziam isso, pior ficava. No fim, ninguém na classe queria ser meu amigo. Não aguentei mais, por isso me transferi para cá.
— Você sofreu bullying na escola anterior e se transferiu para cá? — O pano branco foi aberto por uma fresta, revelando o rosto pequeno de Sakura Bai.
O medo em seus olhos diminuiu um pouco, substituído por surpresa e preocupação: — Não sei nem como te dizer isso. Se não quiser se machucar de novo, sugiro que vá para outra escola.
Talvez por serem ambos vítimas de bullying, a distância entre Sakura Bai e Chen Ge diminuiu consideravelmente.
— Por quê? Hoje é meu primeiro dia aqui. Há meia hora eu estava me apresentando no pódio. Não seria estranho ir embora agora? — Chen Ge estava induzindo a garota a contar a verdade. Ele precisava de mais informações para realmente ajudá-la e mudar aquela escola.
— Esta escola é como um redemoinho negro. Você precisa se afastar antes de se aproximar. Uma vez dentro, não conseguirá mais escapar. Elas vão te arrastar para o fundo do abismo. Ou você se despedaça, ou se torna um monstro como elas. — A garota estava sentada na cama, recusando-se a ter contato com o mundo exterior. Estender a mão para fora do pano branco já parecia ser seu limite.
— É tão assustador assim? — O mundo vermelho-sangue atrás da porta contrastava fortemente com o campus construído pelo pintor no espelho. Naquele momento, Chen Ge começava a entender o pintor e Chang Wenyu.
Um acolhia apenas beleza e esperança, rasgando a natureza humana; o outro escolhia fugir, escondendo-se em um lugar onde não pudesse ser ferido.
A maneira como obtiveram o reconhecimento da vontade da escola era um tanto oportunista. Não se pode dizer que estavam errados, mas não resolveram o problema pela raiz.
— Você será assimilado. Para não ser intimidado, no fim só lhe restará se transformar em um monstro. — Sakura Bai provavelmente não falava com ninguém há muito tempo. Vendo que Chen Ge parecia amigável e era um aluno transferido, decidiu conversar com ele.
— Só existem essas duas opções? E você... — Chen Ge largou a mochila e sentou-se ao lado da cama.
O leito isolado pelo pano branco era como o coração fechado da garota. Chen Ge, com boa vontade, foi entrando aos poucos no mundo dela.
— Pode me contar sua história?
A garota não respondeu, nem expulsou Chen Ge ou mostrou irritação. No fundo, ela desejava que alguém ficasse ao seu lado, mas, por várias razões, já havia perdido a coragem de conversar com as pessoas.
Seu mundo estava envolto em maldade. Dar um passo à frente poderia levá-la a uma armadilha cheia de cobras venenosas e facas afiadas.
Olhando de perto para a garota, Chen Ge percebeu que ela era muito bonita, com uma beleza doentia que despertava facilmente o instinto destrutivo das pessoas.
Braços finos, pescoço pálido, pele e rosto sem cor. A garota abraçava os joelhos, o cabelo preto cobrindo os olhos, como se estivesse divagando inconscientemente.
O colchão era macio. Chen Ge notou que o travesseiro da garota estava muito afundado, como se ela tivesse escondido algo ali.
Movendo o olhar, Chen Ge viu um porta-retratos ao lado do travesseiro da garota, com uma foto de família.
Um idoso um pouco acima do peso empurrava uma cadeira de rodas, onde uma jovem frágil segurava um buquê de flores. Ainda era possível ver marcas de agulha no dorso da mão dela.
Dos dois lados da cadeira de rodas estavam duas meninas adoráveis, vestindo saias bonitas, uma de cada lado, aninhadas junto à mãe.
As duas meninas eram Sakura Hong e Sakura Bai, mas o que realmente chamou a atenção de Chen Ge na foto foi o idoso que empurrava a cadeira de rodas.
O idoso tinha cabelos grisalhos, e sua aparência era muito semelhante à de alguém que Chen Ge conhecia.
— O formato do rosto e o sorriso dele são 80% ou 90% iguais aos do velho diretor da Escola Secundária Muyang!
Chen Ge já tinha visto fotos do velho diretor. Na foto de grupo de todos os alunos da Escola Secundária Muyang, um idoso gorducho e sorridente estava sentado bem no centro.
— A idade não bate! Por que o velho diretor estaria com essas duas meninas?
Tossindo discretamente, Chen Ge perguntou em voz baixa: — Sakura Bai, o idoso na foto é seu avô?
— Hum. — Sakura Bai assentiu. — Ele é meu único parente. Às vezes vem me visitar.
— Ele vem te visitar?! Único parente? — A declaração de Sakura Bai trazia uma quantidade enorme de informações. Inúmeras ideias surgiram na mente de Chen Ge.
Se aquele idoso era realmente o velho diretor da Escola Secundária Muyang, e ele antes estava em Muyang, mas Sakura Bai disse que ele a visitava ocasionalmente, isso significava que o velho diretor sabia como entrar e sair da Escola Assombrada!
Esse era o primeiro ponto. O segundo: na foto apareciam Sakura Bai e Sakura Hong, mas Sakura Bai disse que o idoso era seu único parente, ou seja, para ela, Sakura Hong nem sequer era considerada família. Deve ter acontecido algo muito ruim entre elas.
— Sakura Bai, pode me contar como é seu avô? — Chen Ge se aproximou da garota.
Sakura Bai, imóvel na cama, levantou a cabeça e só depois de muito tempo falou: — Meu avô não pode ter filhos. Ele não tem parentes de sangue, mas tem muitos filhos.