Capítulo 859: Capítulo 859 Capítulo 839 Médico Escolar

Capítulo 839: Médico da Escola

Chen Ge tinha seus próprios pensamentos. Combater violência com violência era apenas a abordagem mais simples. Para realmente obter o reconhecimento da vontade da escola e ser aceito por todas as crianças desesperadas, apenas a força bruta não bastava.

"Não tenho certeza se vai dar certo, mas vou tentar."

Saindo da sala de aula, Chen Ge carregava duas mochilas enquanto caminhava pelo corredor. Alunos de ambos os lados corriam para as salas, mas ele era o único que passeava despreocupadamente, sem pressa.

"Colega, você sabe onde fica a enfermaria?" Os alunos desta escola não eram nada amigáveis. Chen Ge perguntou a vários estudantes até que finalmente alguém se dispôs a guiá-lo.

"Você é o novo aluno da turma quatro, né? Quando passei pela secretaria agora há pouco, ouvi os professores e o coordenador falando de você. Parece que vão te punir." Quem o guiava era uma garota que parecia ser do ensino fundamental, com um rabo de cavalo e roupas muito simples.

"Eles vão me punir?"

"Disseram que você desrespeitou as regras da escola e bateu em alguém durante a aula." Enquanto falava, a garota olhava furtivamente para Chen Ge com curiosidade: "É verdade?"

"Se eu disser que é, você vai ficar com medo?" Chen Ge mantinha um sorriso no rosto. Os professores da escola tinham seu próprio jeito de lidar com as coisas, ele entendia, mas não concordava.

"Não, acho que você fez bem. Aqueles caras andam com marginais de fora, deixando a escola um caos. Já era hora de alguém dar um jeito!" A garota parecia ter sido vítima também. Depois de falar um bocado, ela se aproximou de Chen Ge e sussurrou: "Espero que você saia ileso dessa vez."

"Colega, é a primeira vez que nos vemos, não é?" Chen Ge achou a atitude dela um pouco estranha, como se estivesse tentando agradá-lo de propósito: "Você não quer me contar mais alguma coisa?"

Um lampejo de nervosismo passou pelos olhos da garota, mas logo voltou ao normal: "Na verdade, não tenho muitos amigos. Na minha turma, todos riem de mim, me zoam por todo tipo de motivo. Então queria ser sua amiga, para, se eles me perturbarem de novo, ter alguém com quem desabafar."

A garota não era boa em mentir. Quando dizia essas últimas palavras, seus olhos se desviavam involuntariamente para outras direções, e no fundo deles havia um rancor profundo escondido.

Esse rancor não tinha nada a ver com Chen Ge. Ela provavelmente queria se vingar de quem a maltratou.

"Desculpe, estou acostumado a ficar sozinho." Chen Ge sabia que a garota não queria realmente ser sua amiga; ela só queria alguém para protegê-la.

"Tudo bem." Havia uma decepção mal disfarçada nos olhos dela, mas mesmo assim ela levou Chen Ge até a porta da enfermaria.

"É aqui. Tenho que voltar para a aula." A garota voltou pelo mesmo caminho, mas depois de alguns passos, virou-se para olhar Chen Ge: "Esqueci de me apresentar. Meu nome é Sakura. Quem sabe a gente conversa outra hora."

Ela forçou um sorriso e saiu correndo.

"Até um sorriso falso quando está triste é tão doce. Essa garota seria ótima como recepcionista da casa mal-assombrada. Que pena."

Ao abrir a porta da enfermaria, as cortinas balançaram. Uma névoa vermelha-sangue envolvia todo o ambiente. Olhando ao redor, tudo estava nebuloso, impossível de enxergar qualquer coisa.

"Tem alguém aí?"

A enfermaria desta escola mal-assombrada era enorme, composta por quatro cômodos interligados.

O primeiro era a sala de consulta, a menor de todas, com duas mesas e algumas prateleiras cheias de itens diversos.

"A enfermaria da escola parece uma clínica particular. Quantos alunos serão atendidos aqui por dia?"

Paredes vermelhas como sangue, com finos fios que pareciam vermes rastejando dentro delas. Num canto, pendia um jaleco branco, mas o médico não estava à vista.

Chen Ge foi até a mesa. Sobre ela, havia uma pasta de prontuários encadernada, com registros de doenças de alunos e os tratamentos prescritos pelo médico.

Folheando rapidamente, Chen Ge encontrou o nome de Yan Fei na terceira página do final.

Mas, para sua surpresa, o médico só havia receitado alguns medicamentos hemostáticos para Yan Fei, sem qualquer orientação psicológica.

Só de olhar o caderno, não dava para perceber a gravidade do problema. Quem não soubesse a verdade provavelmente pensaria que Yan Fei tinha se cortado sem querer.

"Nada pode ser julgado só pela aparência. No arquivo, todos os alunos parecem normais, mas na verdade podem estar imersos em algum tipo de desespero."

A pasta não era grossa. Cada página tinha a foto do paciente correspondente.

"Ser levado para a enfermaria significa que o bullying já chegou a um nível grave. Talvez eu possa encontrar outras crianças através deste arquivo."

O cenário de quatro estrelas desta escola mal-assombrada era muito especial. Ele fundia várias memórias diferentes, então o número de fantasmas e resquícios de pensamentos era imenso. Encontrar crianças qualificadas para se tornarem abridores de portas era difícil, mas o aparecimento deste arquivo de pacientes deu a Chen Ge um atalho.

"Já que o nome de Yan Fei aparece aqui, outros alunos com potencial para abrir portas também podem estar neste arquivo."

Atravessando a sala de consulta, Chen Ge entrou no segundo cômodo, que tinha algumas camas de hospital. Exceto por ser um pouco maior que o anterior, não havia diferença.

"Com licença, estou procurando alguém."

Chen Ge parou na entrada. Suas pupilas tremiam levemente, e ele sentia uma inquietação no coração.

Ninguém respondeu. Parecia não haver ninguém na enfermaria.

"Que estranho."

Ele colocou a mão no bolso, tirou um prego afiado e o escondeu na palma. Só depois de ouvir o chiado da fita no gravador é que se atreveu a seguir em frente.

Cautelosamente, entrou no terceiro cômodo. Também havia camas, mas diferentes das do segundo: cada uma era separada por cortinas brancas.

Provavelmente para proteger a privacidade dos pacientes. De fora, não dava para ver quem estava deitado.

"Este lugar é perigoso."

Depois de passar por várias missões de teste, Chen Ge já tinha desenvolvido um instinto para o perigo. Encostou as costas na parede e moveu-se devagar.

Ergueu a cortina mais próxima. Um odor nauseabundo saiu de dentro. No lençol branco, havia uma mancha preta e crocante, que parecia sangue.

"O cheiro é forte. Esta cama deve ter sido usada recentemente."

Observando com atenção, Chen Ge notou que o travesseiro estava muito volumoso, como se tivesse algo dentro.

Ele ia pegar o travesseiro, quando sentiu um calafrio na nuca, como se alguém o avisasse para olhar para trás.

Virou-se e viu um médico de jaleco branco parado não muito longe.

O corpo do médico era volumoso, quase todo coberto pelo uniforme. Chapéu, máscara, avental — apenas o pescoço fino ficava exposto.

"Corpo tão gordo, mas pescoço tão fino. Será que esse médico vestiu várias camadas de roupa?" Chen Ge olhou para a gola do médico, onde se via um tom preto-avermelhado: "O uniforme de fora é um jaleco branco puro, mas a roupa de dentro é vermelha a ponto de escurecer. Que tipo de médico é esse?"