Capítulo 826: Capítulo 826 - Zhang Ya: Vamos Casar (Aniversário Especial - Capítulo Grátis)

**Capítulo Extra de Zhang Ya: Vamos Tirar a Certidão de Casamento (Edição Especial de Aniversário - Capítulo Gratuito)**

Nuvens escuras cobriam a cidade, o céu parecia quase ao alcance das mãos.

Li Man estava parada perto da janela, observando a chuva escorrer pelo vidro, deixando rastros.

O relógio na parede fazia tique-taque, o tempo monótono fluía silenciosamente dentro da pequena sala.

"17h30, hora de encerrar e ir para casa." Li Man espreguiçou-se, colocou as suculentas do parapeito para dentro da sala e foi até sua mesa de trabalho.

Ela guardou na gaveta a placa sobre a mesa que dizia "Cartório de Registro de Casamento" e olhou para as palavras grandes na parede — "Administrar conforme a lei, servir com civilidade."

"Com essa chuva forte hoje, ninguém deve vir registrar casamento."

Cantarolando uma música, Li Man começou a limpar o local. O cartório de casamento estava vazio, só ela ali; o funcionário do cartório de divórcio ao lado já tinha saído quinze minutos antes.

"Olá, é aqui que se faz o registro de casamento?" A porta foi empurrada, e uma voz masculina madura e magnética veio da entrada.

Com uma voz tão bonita, o homem devia ser muito bonito também.

Li Man ergueu os olhos e viu um homem de capa de chuva preta parado na entrada do cartório de casamento.

Ele tinha uma aparência comum, mas carregava uma aura indescritível.

"Sim, você... quer fazer a certidão de casamento?" Li Man examinou o homem com atenção; era a primeira vez que via alguém de capa de chuva e com uma mochila de montanhismo pesada vindo registrar casamento.

"Sim, marquei online para vir hoje."

"Deixa eu verificar. Qual é o seu nome?"

"Chen Ge."

Li Man digitou "Chen Ge" no computador e, de fato, encontrou o pedido de agendamento dele: "Estou quase saindo, vamos resolver isso rápido. Você trouxe todos os documentos? As carteiras de identidade e os registros de residência de ambos, e a declaração de que não há parentesco de sangue direto ou colateral até o terceiro grau entre vocês."

"Trouxe tudo." O homem abriu a mochila e começou a revirar.

Li Man ouviu um miado fraco e, curiosa, olhou para dentro da mochila do homem.

Dentro havia um gravador, um álbum de mangá, uma boneca de pano, canetas esferográficas e um gato branco grande.

"Desculpe pelo incômodo." O homem entregou dois registros de residência e duas identidades a Li Man: "Está tudo aqui. Já conheci a família da moça, eles gostaram muito de mim."

"Parece que você se preparou bem." Depois de registrar as informações do homem, Li Man começou a registrar as da mulher e, de repente, percebeu que o chip magnético da identidade feminina não funcionava mais. Ao olhar o nome na identidade da mulher, uma ideia lhe ocorreu.

O homem à sua frente viera registrar casamento, trouxera todos os documentos e até um gato, mas a namorada dele não estava à vista.

"Com licença, senhor." Li Man parou o trabalho: "O senhor veio para se casar, certo?"

"Sim."

"E a sua namorada? Como vai se casar sozinho?" Li Man sorriu amargamente: "Para registrar o casamento, é necessário que ambos estejam presentes pessoalmente."

O relógio na parede fazia tique-taque, a chuva lá fora aumentava. O homem mordeu levemente o lábio e ergueu os olhos para Li Man: "Ela veio, está atrás de mim."

A chuva batia violentamente contra a janela, e o ar dentro da sala começou a se solidificar.

"Senhor, não brinque. Para casar, os dois precisam estar presentes. Assim, não posso fazer o registro." Li Man apertou o peito; de repente, sentiu dificuldade para respirar.

"Ela realmente veio. Estamos sempre juntos, onde eu estou, ela está." Os olhos do homem eram límpidos, e sua voz carregava uma teimosia.

Vendo a seriedade do homem, Li Man segurou a identidade já desmagnetizada e pensou em uma possibilidade.

Ela abriu o registro de residência da mulher e, na página com o nome dela, viu o carimbo de óbito emitido pela delegacia, com a data da morte de anos atrás.

"Senhor..." Li Man quis dizer algo, mas, ao ver a expressão teimosa do homem, sentiu-se comovida.

Seu olhar percorreu a mochila do homem, examinando cada item ali.

Será que essas coisas pertenciam àquela garota? Esses objetos guardados com carinho seriam as memórias dos dois? E aquele gato, era o gato que a garota criara em vida?

Num instante, Li Man entendeu por que o homem trouxera tantas coisas ao cartório de casamento e por que ele dizia que a mulher estava sempre com ele.

Seus olhos ficaram marejados. Segurando a identidade da garota, Li Man não sabia o que dizer — se deveria consolar o homem ou contar-lhe a verdade cruel.

Seus lábios se abriram lentamente, mas as palavras que havia pensado não saíam. Olhando para aquele homem que parecia uma criança, seu coração se encheu de emoções confusas.

Ela forçou um sorriso: "Senhor, o senhor deve amá-la muito, não é? Como vocês se conheceram?"

"Foi ela quem me conquistou. A primeira carta de amor que recebi na vida foi dela." O olhar do homem se perdeu, como se recordasse o passado: "Nosso primeiro encontro foi numa escola abandonada."

"Escola abandonada? O primeiro encontro foi numa escola abandonada?"

"Instituto Privado da Cidade Oeste. Lá estavam suas obsessões e seu passado. Fiquei no salão onde ela costumava dançar, de costas para o espelho, de costas para ela, e nos abrimos um para o outro."

Li Man ouvia em silêncio, uma cena se formando em sua mente.

Uma noite tranquila, os dois relembrando o passado na escola abandonada que um dia fora deles. O antigo colégio, antes alegre e movimentado, agora só tinha os dois, de costas um para o outro, se apoiando. Que amor tão melancólico!

"O segundo encontro foi num hospital psiquiátrico. Ela estava vestida de vermelho, linda de tirar o fôlego, deslumbrante e ousada."

"Hospital psiquiátrico?"

"Por causa dos meus pais, naquele dia eu..."

"Entendi, desculpe." Antes que o homem terminasse, Li Man pediu desculpas. Não gostava de remexer em feridas alheias; talvez os pais fossem outra dor na vida daquele homem.

"O terceiro encontro foi num prédio. Encurralei no elevador o homem que a tinha feito infeliz e dei a ele uma lição que ele nunca esqueceria."

"O senhor realmente mima sua namorada. Acho que, quando ela souber, vai ficar muito feliz."

"Na hora, ela estava ao meu lado." O rosto do homem se suavizou, lembrando-se do elevador envolto em cabelos negros no prédio da Associação de Contos Estranhos.

"Deve ter sido uma cena muito romântica e aconchegante." Li Man achou que aquele homem transbordava energia de namorado ideal.

"O quarto encontro foi no depósito subterrâneo de cadáveres da faculdade de medicina legal. Ela se machucou, mas não me contou. Ficou sentada calmamente comigo e, acho, até me abraçou escondido." A voz do homem era muito bonita, rouca e com um tom maduro. Ele recordava o passado, e aquela sensação suave fez Li Man esquecer, por um momento, o local peculiar do encontro.

"O quinto encontro foi no terraço de uma cidade pequena. Naquele dia, era como hoje: chovia forte lá fora, e eu estava encostado nela."

Comparado com a escola abandonada, o hospital psiquiátrico e o depósito de cadáveres, aquele local de encontro era tão normal que Li Man se sentiu estranha: "Naquele dia, você declarou seu amor a ela?"

O homem assentiu levemente: "Fiquei no ponto mais alto da cidade e gritei para aquele mundo desconhecido o que sentia. Não acredito que exista algo mais romântico do que ficar juntos, inseparáveis, por toda a vida."

"Nossa." Li Man já ouvira muitas histórias, mas nenhuma tão impactante quanto a de Chen Ge. Talvez porque já tivesse visto o atestado de óbito no registro de residência e soubesse o final: "E depois?"

"Depois..." Chen Ge respirou fundo: "Ela adormeceu. Vai demorar muito para acordar, e eu estou esperando por ela."

Naquele momento, o atestado de óbito no registro de residência pareceu uma agulha cravada no coração de Li Man. As lágrimas brotaram involuntariamente em seus olhos.

Ela baixou a cabeça, fingindo procurar algo, e, quando o computador escondeu seu rosto, enxugou discretamente as lágrimas. Já sabia o final da história.

Ninguém falou dentro da sala. Depois de um longo tempo, foi o homem quem quebrou o silêncio. Sua mão pousou suavemente no assento vazio ao lado, como se ali estivesse sentada sua namorada: "Nosso sexto encontro..."

O que o homem disse depois já não importava. Li Man sabia que, após o ocorrido com sua esposa, ele se aprisionara numa jaula chamada amor, acreditando que sua namorada ainda estava no mundo dos vivos.

Por amar tanto, recusava-se a aceitar que ela já tinha partido.

Suas mãos se apertaram, os dedos ficaram brancos. Li Man queria contar a verdade a Chen Ge, mas não tinha coragem.

Ela escondeu o rosto atrás do computador e digitou todas as informações no formulário de inscrição. Queria realizar o sonho daquele homem, mas, ao pressionar a tecla de confirmação, o computador exibiu uma página de dados de registro incompatíveis.

Aquela garota havia morrido anos atrás; não existia nos dados do sistema.

A realidade caiu como um balde de água fria sobre Li Man. Olhando para o rosto do homem, imerso em lembranças, ela mordeu o lábio: "Senhor, nossos dados estão incompletos. O sistema está em atualização e não podemos fazer o registro agora. Volte daqui a uma semana."

Li Man queria ajudar aquele homem, mesmo que fosse para fazer um livrinho vermelho parecido, sem validade legal.

"Tudo bem, desculpe pelo incômodo." O homem se levantou devagar, arrumou todas as coisas e foi em direção à porta. Ao chegar lá, de repente tirou a capa de chuva e a ergueu sobre a cabeça, como se houvesse outra pessoa ao seu lado: "Zhang Ya, não fique muito longe de mim. A chuva está forte."

Li Man viu claramente de dentro da sala: debaixo da capa de chuva, além dele, não havia mais ninguém.

Observando a figura do homem se afastando, Li Man enxugou o canto dos olhos: "Talvez isso seja o amor. Apaixonar-se por você, ser-lhe fiel, dedicar-se a você, e terminar em você."