Capítulo 649: Como Escolher (4000)
O dono do restaurante estava tramando contra Chen Ge, e Chen Ge também não deixava de tramar contra o dono.
Dos quatro, três foram enganados. O dono achava que, com a vantagem numérica, já podia agir, sem saber que, entre os presentes, 99% da força de combate estava concentrada em Chen Ge.
Chen Ge não agiu precipitadamente ao entrar no restaurante justamente por receio das cartas na manga do dono, como a arma de fogo policial e o vestido vermelho na geladeira.
Agora, ambos os lados acreditavam ter o controle da situação, então todos exibiam sorrisos no rosto.
"O outro lado pode ter escondido a arma. As balas são limitadas, e ele só deve usá-las em último caso. Então, preciso agir primeiro, antes que ele reaja, quebrar-lhe as mãos para que não consiga atirar."
O método de Chen Ge para resolver problemas era simples: para evitar imprevistos, ele costumava eliminar a raiz do problema diretamente.
"Desistam da resistência. Não temos más intenções, só queremos que vocês joguem um joguinho conosco." O dono, achando que tinha total controle, falava com leveza: "Aposto que já percebeu que as cadeiras têm problema. A toxina nelas vai tirando sua resistência aos poucos, até que vocês morram em meio a uma dor extrema."
O dono tirou do bolso um copo de vidro transparente, com fios de sangue se movendo: "Só tenho um frasco de antídoto aqui. Dos quatro, só um pode sobreviver."
"Eu não estou envenenado, suas ameaças não funcionam comigo." Chenge abriu o zíper da mochila e enfiou a mão lá dentro.
"Logo você estará igual a eles. Aconselho a não fazer nada inútil, para não acabar perdendo um braço ou uma perna, estragando a experiência do jogo." A gordura no rosto do dono tremia de excitação. Ele parecia adorar ver seres humanos se matando, aquela sensação de esmagar toda a beleza e pisoteá-la no chão lhe dava muito prazer.
"Jogo? Que tipo de jogo você quer jogar?" Chen Ge estava interessado em jogos. Sua casa mal-assombrada precisava de mais formas divertidas de entretenimento. Jogos comuns não combinavam com o clima do lugar, mas os jogos vindos da boca de um assassino eram diferentes.
Com a casa mal-assombrada sombria e os jogos que um assassino gostava de jogar, Chen Ge já imaginava os gritos dos visitantes.
"Muitos. Por exemplo, cortar bolo, roubar a cadeira, esconde-esconde, etc." O dono gordo, achando que já controlava tudo, explicava os jogos com paciência.
As regras cruéis e a experiência perturbadora faziam Chen Ge se sentir desconfortável só de ouvir: "Se for copiar tudo, os visitantes vão acabar no pronto-socorro. Mas algumas ideias de jogos são bem interessantes."
"Visitantes? Do que você está falando?" O dono e o cozinheiro já estavam a poucos metros de Chen Ge.
"Desculpe, como carrego muitos amigos comigo, tenho o hábito de falar sozinho." Chen Ge não explicou a relação entre carregar muitos amigos e falar sozinho. Já havia extraído todo o valor potencial do dono gordo e estava pronto para largar o disfarce.
"Vocês são muitos e têm armas. Não tenho muita chance de vencer, mas também não vou ficar de braços cruzados." Chen Ge rangeu os dentes, com expressão feroz.
"Na verdade, comparado a usar veneno, preferimos caçar vidas frescas. Quanto mais você sofrer, mais animados ficamos!" O dono gordo não parava de rir, o corpo tremendo como uma montanha de carne balançando.
"Quanto mais a vítima sofre, mais animados vocês ficam?" Chen Ge esperou até o dono gordo chegar bem perto para então exibir um sorriso: "Ótimo! Hoje vou fazer vocês se animarem até não poder mais!"
Jogando a mochila de lado, Chen Ge segurou o cabo do martelo, que parecia uma espinha dorsal, ergueu-o bem alto e o girou com força, acertando o peito do dono gordo.
"Puf!"
Chen Ge já tinha certeza de que o dono gordo era um ser vivo, porque o sangue que ele cuspia ainda estava quente.
"Está animado agora?!"
Considerando que a gordura poderia amortecer o golpe, Chen Ge usou toda a força. O corpo enorme do dono gordo não aguentou e foi derrubado.
Sem parar, antes que o cozinheiro atrás reagisse, Chen Ge avançou rapidamente e quebrou os dois braços e uma perna do dono gordo.
Mesmo estando em vantagem, Chen Ge não baixava a guarda. Não sabia se o dono gordo tinha uma pistola escondida, então usou o método mais seguro.
Com os braços quebrados, mesmo que tivesse uma arma policial, ele não conseguiria atirar.
Feroz, decidido, astuto e cauteloso — essa era a impressão que Chen Ge deixava no cozinheiro. Ele ainda estava pensando em que pratos fazer com aqueles clientes, quando, no instante seguinte, viu seu próprio patrão ser derrubado a marteladas, cuspindo sangue!
Que pessoa tão desprezível e sem escrúpulos esconderia um martelo tão grande na mochila e o carregaria por aí!
As pupilas do cozinheiro tremiam inquietas. O cutelo de desossar na mão parecia um brinquedo comparado ao martelo do outro.
Ele pensava freneticamente em uma estratégia, quando, ao levantar a cabeça, sem querer, encontrou o olhar de Chen Ge.
Um olhar feroz e aterrorizante, capaz de gelar a espinha. Quando pensou que Chen Ge fosse dizer algo, ele simplesmente veio correndo com o martelo, sem uma palavra, sem deixar brecha alguma.
Rápido demais. Antes que o cérebro formulasse uma resposta, o corpo já sentia a dor.
O cutelo caiu no chão, e o cozinheiro viu, impotente, seu braço pender mole, os dedos se soltando sem força.
"Eu..."
O cozinheiro tentou falar, mas Chen Ge não lhe deu chance. Cauteloso demais, antes de controlar totalmente a situação, ele não perdia tempo com palavras, nem deixava o inimigo falar para atrapalhá-lo.
Mais algumas marteladas, e o cozinheiro também foi derrubado.
"Pronto. Agora pode falar. Me diga: onde está o antídoto que pode devolver a mobilidade a eles?" Chen Ge primeiro pegou o antídoto das mãos do dono gordo. Olhando para os fios de sangue, lembrou-se da cena em que enfrentou a Associação de Contos Estranhos na Vila do Caixão Vivo, quando Wu Fei também tinha um frasco daqueles fios de sangue.
"Eu..."
"Não se deixe enganar por ele!" O cozinheiro ia falar, mas o dono gordo gritou alto.
"Ainda não fiz promessa alguma a vocês. Além disso, nunca engano ninguém." Chen Ge se agachou na frente do dono gordo e começou a revistá-lo. O cozinheiro ficou com o rosto vermelho, mas não conseguiu dizer uma palavra.
"Se eu fosse você, não daria esse frasco a eles." O dono gordo, com os dois braços quebrados e o peito afundado, ainda cuspia sangue, parecendo muito mal, mas sua atitude era firme.
"Por quê?" Chen Ge sabia qual era a carta na manga do dono gordo. Talvez ele estivesse esperando o velho usar os dentes para invocar o vestido vermelho e limpar a área.
"Pode confiar na palavra de um inimigo? Na verdade, isso é um veneno. Quero ver a expressão de desespero de vocês. Vou fazer vocês quatro se matarem, e, quando só sobrar um, darei o veneno a ele, para então apreciar sua morte lenta." O tom do dono gordo era delirante, sua voz alta, e seus olhos não paravam de olhar para o quarto número um.
"Que coincidência. Eu também gosto de apreciar a expressão de desespero dos vivos." Chen Ge enfiou a mão no bolso, tirou um pano preto e o abriu na frente do dono gordo, revelando dentes polidos: "Você fica olhando para aquele quarto. É porque tem isso lá?"
O dono gordo ficou mudo na hora. Tentou esconder o choque profundo, mas não conseguiu controlar a expressão facial.
"Fale. Onde está o antídoto?" Chen Ge balançou o martelo: "Minha paciência tem limite."
O dono e o cozinheiro ficaram em silêncio. Depois de um ou dois minutos, o dono falou devagar: "Posso te dizer onde está o verdadeiro antídoto, mas você tem que garantir que vai nos deixar vivos. Pegue o antídoto e vá embora."
"Sem problema. Para ser sincero, não tenho o menor interesse em vocês dois." Chen Ge falava a verdade. Tudo o que fazia era pelo vestido vermelho no restaurante.
"O antídoto está guardado em um lugar especial. Vou te levar até lá pessoalmente." O dono parecia arrependido e inquieto, como se tivesse aceitado a derrota: "Pode me ajudar a levantar?"
Chen Ge havia quebrado seus dois braços e uma perna; agora ele só tinha uma perna que mexia.
"Não tente nada. Primeiro me diga o lugar, e aí considero se vou te levar." Depois de revistar o dono e o cozinheiro, Chen Ge encontrou outro frasco de antídoto. Para ele, aqueles dois frascos deviam ser para uso próprio deles.
"Está bem. Vou te contar. No segundo andar, vire à esquerda, no terceiro quarto, dentro da gaveta." O dono gordo parecia ter se resignado, cooperando totalmente. O cozinheiro ao lado mantinha o rosto inexpressivo, como se temesse revelar algo.
"No segundo andar?" Chen Ge lembrou do jogo de Xiaobu. Não tinha muita lembrança do segundo andar do restaurante. Para evitar imprevistos, primeiro imobilizou o cozinheiro e depois ajudou o dono gordo a subir.
O quarto que o dono gordo mencionou era o dele. Havia muitas fotos antigas, todas dele com uma mulher.
"Essa é sua mãe?"
"Sim. Meu relacionamento com meu pai é muito ruim, então só tenho fotos com minha mãe." O dono gordo sorriu alegremente: "Minha mãe é muito bonita. Quem sabe um dia posso te apresentar a ela."
A frase parecia normal, mas só se não soubesse como era a mãe do dono gordo.
"Aqui está o antídoto." O dono gordo mandou Chen Ge abrir a gaveta. Dentro havia três copos de vidro selados, com um sedimento cinza-escuro.
"Tem certeza?" Chen Ge colocou todos os copos selados na mochila e levou o dono gordo de volta ao primeiro andar.
Ele foi até a mesa de jantar e colocou os três copos sobre ela: "Vocês conseguem me ouvir?"
"Sim, estou lúcido, só não consigo controlar bem o corpo." O bêbado, depois de testemunhar Chen Ge enfrentar dois sozinho, estava muito mais educado.
"Esses três copos vieram do quarto do dono. Ele diz que é o antídoto, mas, para mim, não é tão simples." Chen Ge também colocou na mesa os dois frascos que o dono disse serem veneno: "Acho que o dono está mentindo. O que está nesses dois frascos é o verdadeiro antídoto. Mas no quarto do dono só tinha três copos, e cada um que se usa é um a menos. Se eu abrir um para testar, pode faltar no final."
Dito isso, Chen Ge pegou o gato branco que observava de longe e o colocou no colo: "Na Vila do Caixão Vivo, você engoliu uns fios de sangue parecidos. Vou abrir esses dois tipos de 'antídoto' para você ajudar a distinguir."
Sem se importar se o gato entendeu, Chen Ge primeiro abriu o copo com o sedimento cinza-escuro e o colocou na frente do gato.
Um odor estranho saiu do copo, e o gato branco se debateu para fugir.
Fechando a tampa, Chen Ge então abriu o copo com os fios de sangue.
Assim que a tampa foi afrouxada, o gato branco pareceu sentir algo. Suas orelhas se ergueram, e seus olhos bonitos fixaram-se no copo na mão de Chen Ge.
Quando Chen Ge abriu completamente o copo, um som de choro saiu de dentro, e os fios de sangue pareceram ganhar vida, tentando escapar.
Os olhos do gato branco ficaram vermelhos na hora, como se algo nas profundezas de seus vasos sanguíneos tivesse sido ativado. Ele avançou direto para a mão de Chen Ge.
Chen Ge rapidamente fechou a tampa, e o gato branco se acalmou.
"Esses fios de sangue provocam uma reação no gato branco. É incomum. Pode ser igual aos fios de sangue que a Associação de Contos Estranhos conseguiu do outro lado da porta." Chen Ge fechou bem as tampas e juntou todos os copos: "Meu gato reagiu fortemente ao copo com os fios de sangue. Para mim, esses fios são o verdadeiro antídoto. O dono provavelmente está mentindo."
Chen Ge deu sua opinião. As reações dos outros três passageiros eram diferentes, e ele observou tudo: "A escolha é de vocês. Não vou interferir, mas espero que pensem bem."
"Confio em você." O primeiro a escolher foi Tesoura. Com suas últimas forças, ele agarrou um copo cheio de fios de sangue.
"Quanto mais vibrante, mais perigoso. Isso é senso comum na natureza. Estudei um pouco de farmacologia e não consigo me convencer a ingerir fios de sangue vivos." O médico hesitou e, por fim, puxou um dos copos com sedimento escuro para si.
Dois passageiros já haviam escolhido. Só restava o bêbado. Tanto o médico quanto Chen Ge eram pessoas em quem ele confiava, mas agora os dois divergiam, e ele não sabia o que fazer.
Psicologicamente, ele preferia o sedimento cinza-escuro, mas sentia que o dono poderia ter feito o oposto, transformando o antídoto em algo que parecesse veneno.
Três minutos se passaram. Do lado de fora, o som da mulher fantasma batendo na porta aumentava. A porta estava prestes a cair quando o bêbado finalmente fez sua escolha: pegou o outro copo de fios de sangue.
Quem tentaria primeiro? Isso era outra questão que testava a natureza humana.
O primeiro a tentar estava praticamente arriscando a vida.
"Eu vou primeiro." Tesoura se forçou a sentar: "Pode abrir a tampa para mim?"
"Claro." Chen Ge foi até ele e, quando ia abrir a tampa, Tesoura de repente disse: "Meu celular está no bolso esquerdo da calça. Tem todas as informações do meu irmão lá. Se eu escolher errado, espero que, quando encontrá-lo, possa dar uma mão. Se não encontrar, não precisa procurar de propósito."
"Entendi." Chen Ge admirava cada vez mais Tesoura. Quem tem coragem de verdade não é quem não tem medo de nada, mas quem, mesmo morrendo de medo, ainda assim toma uma decisão firme.
"Obrigado." Tesoura levou o copo à boca. Bastou incliná-lo, e os fios de sangue, com seus lamentos, entraram ativamente em sua boca.