Capítulo 653: Capítulo 653 Capítulo 640 Todos Vilões (4000)

Capítulo 640: Todos os Vilões (4000)

"Há gritos de dor vindo do hospital? Mas este portão de ferro está trancado, e todas as janelas ao redor têm redes de segurança, ninguém de fora consegue entrar." O médico, preocupado que Chen Ge tomasse alguma decisão impulsiva, falou primeiro: "Hospitais são lugares com muita energia yin, cheios de despedidas e mortes o tempo todo. É melhor não nos aproximarmos."

"Tudo bem." Ao ver o hospital, Chen Ge lembrou da cena aterrorizante do hospital de quatro estrelas no subúrbio leste. Na sua impressão, hospitais realmente não são lugares bons: "Então vamos voltar mais tarde. Primeiro, vamos dar uma olhada nos outros cômodos. Estou muito interessado naquele cachorro que ri."

"Interessado? Não pode ir! Eu falei tudo à toa? Você acha que estou brincando? Não faz ideia do que acabei de passar!" O bêbado se debateu para se afastar de Chen Ge: "Ouça o conselho do irmão, não vá de jeito nenhum. Quando você vir aquele cachorro com cara de gente, vai se arrepender tarde demais!"

"O cachorro com cara de gente é mais cachorro ou mais gente? Você pode me descrever a aparência dele?"

Chen Ge claramente não estava prestando atenção ao que o bêbado dizia, deixando-o furioso a ponto de bater o pé: "Vamos voltar para o carro. Este lugar não é seguro. Todas as casas têm fantasmas, juro que não estou mentindo!"

"Sei que não está mentindo." Chen Ge ia continuar falando quando de repente ouviu um som seco, como se alguém tivesse jogado algo no chão do prédio.

"As pessoas no hospital nos descobriram!" O bêbado pulou de susto, o peito subindo e descendo violentamente, como um gato assustado: "Vamos rápido! Não podemos ficar aqui!"

"Calma. Quanto mais perigo se aproxima, menos podemos entrar em pânico." Chenge foi em direção ao som, com o médico logo atrás. O bêbado, sem coragem de ficar sozinho, seguiu de má vontade.

Atravessando a névoa densa, Chen Ge chegou ao outro lado do hospital e viu uma tesoura suja de sangue no chão.

"Não é a arma daquele assassino psicopata? O que está fazendo aqui?" Chen Ge usou sua visão yin para olhar para o telhado. A tábua de madeira em uma janela do terceiro andar balançava levemente: "Ele está escondido no hospital? Mas por que jogou a tesoura? Não é a arma dele? Mesmo que precisasse pedir socorro, não podia jogar qualquer outra coisa?"

Chen Ge não entendia a lógica da tesoura. Ele a guardou e parou em frente ao portão do hospital.

"Vamos embora logo, senão pode ser tarde demais." O bêbado e o médico se amontoaram: "Esqueci de mencionar outro fantasma. Esta rua também não é segura. Ao passar pelo cruzamento, tem um fantasma que acena. Ele vai te seguir, e seus traços faciais vão ficar muito parecidos com os seus, dizendo que é assim que você vai ficar depois de morto."

O bêbado implorava, mas Chen Ge não se abalou. Sozinho, ele balançou o portão de ferro do hospital algumas vezes.

"O que ele está fazendo?" O bêbado cutucou o braço do médico.

"Talvez esteja testando se o portão é resistente?" O médico deu um sorriso amargo, sem saber como explicar ao bêbado.

"Vocês acham que estou bêbado? Que tudo que vi foi alucinação?" O bêbado segurou os ombros do médico: "Juro que não estou mentindo! Acreditem em mim! Estou tentando salvar vocês! Cada um desses prédios esconde monstros!"

Ele estava perdendo o controle emocional. Virou-se para Chen Ge, tentando puxá-lo à força: "Fique longe daquele portão! Se chegar muito perto, vai ser puxado para dentro!"

Assim que o bêbado terminou de falar, viu o jovem de aparência ensolarada e gentil tirar uma marreta monstruosa da mochila.

Olhos nos olhos, o bêbado sentiu uma pálpebra tremer.

"O que você tiver a dizer, pode falar depois que entrarmos." Chen Ge ergueu o Quebra-Crânios e bateu no cadeado.

"POW!"

Por causa da névoa de sangue, o som não se espalhou muito longe.

Depois de acertar o mesmo lugar três vezes seguidas, Chen Ge conseguiu arrombar o portão: "Fiquem perto de mim. Se se afastarem, não posso garantir a segurança de vocês."

Ao ouvir isso, o médico não hesitou e foi atrás.

"Ei! O que está acontecendo? Vocês andam de carro e ainda trazem um martelo?" O bêbado segurou o ombro do médico: "Vocês já vieram aqui antes?"

"Ele trabalhava com adereços em um parque de diversões. Não é normal andar com um martelo?" O médico repetiu para o bêbado o que Chen Ge tinha dito.

"Adereços?" O bêbado pensava na relação entre parque de diversões e martelo quando o médico e Chen Ge já tinham entrado no hospital: "Esperem por mim!"

No primeiro andar, Chen Ge apertou o botão do gravador, segurando duas sacolas em uma mão e arrastando o Quebra-Crânios com a outra.

Os espinhos raspavam no chão, produzindo um som arrepiante. Suas pupilas se contraíram enquanto ele fixava o olhar no corredor à esquerda do hospital.

"Alguma descoberta?" O médico parecia saber que o lugar era perigoso e não se afastava de Chen Ge nem um passo.

"Vários passageiros já passaram por este hospital." Chen Ge apontou para as pegadas no chão: "Choveu forte esta noite, e a maioria dos passageiros do nosso ônibus está encharcada, então essas pegadas só podem ser deles. Olhe o tamanho e o formato: quatro grandes e uma pequena, provavelmente da família de três e do psicopata que se diz 'Tesoura'."

Chen Ge observava com muita atenção: "As pegadas vão para a esquerda. Eles entraram no corredor esquerdo."

"Nossa! Você é bom! Nessa escuridão toda, ainda consegue enxergar?" O bêbado olhou para Chen Ge com novos olhos.

"Venham comigo." Chen Ge entrou no corredor esquerdo, colocou o gato branco no ombro e ligou a lanterna do celular: "Os dois lados do corredor são enfermarias. As portas estão abertas, e pode ser que algo saia de repente. Fiquem atentos."

"Irmão, não me assuste."

"Não estou te assustando, só estou陈述 um fato." Chen Ge se agachou: "Vejam estas pegadas. Quando entraram no corredor, estavam bem espaçadas. Mas ao passar pela terceira e quarta enfermarias, começaram a se sobrepor e se repetir. Isso significa que encontraram algo inesperado entre a terceira e a quarta enfermaria e ficaram um bom tempo ali."

"Então tem coisa ruim na terceira e quarta enfermarias?" O médico entendeu na hora.

"É bem provável, mas não descarto outras possibilidades. De todo modo, passem com cuidado por esses dois cômodos." Chen Ge olhou para as portas entreabertas das enfermarias nos dois lados do corredor. Das frestas escuras, parecia que monstros horríveis poderiam surgir a qualquer momento.

"Acompanhem, não fiquem para trás." Chen Ge arrastou o Quebra-Crânios pelo corredor. O silêncio ali era aterrorizante.

Ao passar pelo primeiro e segundo cômodos, Chen Ge não notou nada de anormal. Mas ao se aproximar do terceiro, o gato branco em seu ombro soltou um miado e se encolheu atrás de seu pescoço.

No instante em que o gato o alertou, Chen Ge não hesitou. Ergueu o Quebra-Crânios e bateu direto na porta entreaberta da terceira enfermaria.

Sem o menor aviso, a porta foi arrancada.

"POW!"

O batente bateu na parede, revelando uma figura escondida atrás da porta.

Ele vestia um avental de hospital, a pele cinza-escura, e sob a franja desgrenhada, um par de olhos arregalados de susto.

Ficou paralisado, ainda segurando uma ficha de paciente, onde estava escrito torto: "Vem me achar?"

"O que você está fazendo escondido aí? Quer brincar comigo?" Chen Ge exibiu um sorriso cheio de interesse. Precisava criar mais jogos para aumentar a diversão de sua casa mal-assombrada e atrair mais visitantes.

O paciente atrás da porta pareceu perceber o que estava por vir e tentou largar a ficha, mas Chen Ge não lhe deu chance. Invadiu a enfermaria e, para evitar que o médico e o bêbado vissem, fechou a porta atrás de si.

No corredor, o médico e o bêbado, apavorados, não faziam ideia do que tinha acontecido. Só ouviram um barulho.

"Onde ele foi?"

"Sei lá, parece que foi arrastado para dentro daquela enfermaria!"

"É? Eu vi ele entrando sozinho!"

Da enfermaria vinha um som elétrico de chiado. Uns dez segundos depois, Chen Ge saiu segurando um álbum de mangá, com ar satisfeito.

"Este hospital é bem perigoso. Cuidado." Chen Ge guardou o álbum e seguiu sozinho para o fundo do corredor, murmurando coisas que ninguém entendia: "Esconde-esconde? Que jogo interessante. Vou encontrar todos vocês!"

Ao chegar ao segundo andar, todos pararam.

Na primeira porta da esquina, o chão estava coberto de sangue, algo de dar arrepios na nuca. Nem uma cena de crime era tão assustadora.

O médico franziu a testa. Era cirurgião de queimados, mas mesmo assim se sentia desconfortável. O bêbado já estava tapando a boca, com ânsia de vômito.

"Os fantasmas deste hospital só brincam, raramente machucam. Como tem tanto sangue no corredor?" Chen Ge se agachou para examinar as manchas de sangue, com a postura de um legista experiente: "A distribuição do sangue não tem lógica nenhuma. A quantidade é absurda. Não importa onde alguém seja esfaqueado, não daria para espirrar assim no corredor."

Chen Ge molhou o dedo mindinho no sangue, esfregou e cheirou: "Não parece sangue humano."

Ao ouvir isso, o médico e o bêbado sentiram um frio na espinha. Alguém que fala assim com certeza conhece bem sangue humano!

"Não se preocupem. Esse sangue deve ter sido posto de propósito por alguém. Na minha casa mal-assombrada, sempre faço cenários assim."

Arrastando o Quebra-Crânios, Chen Ge passou naturalmente pelas manchas de sangue. Vendo suas costas, o bêbado e o médico hesitaram em segui-lo.

"Há pegadas de sapato no sangue. São muito parecidas com uma das pegadas na entrada do hospital. Ou seja, um dos passageiros do ônibus esteve aqui." Chen Ge olhou para as pegadas ensanguentadas na escada, com expressão estranha: "Parece que ele deixou pistas de propósito, esperando que a gente o encontre. Com um rastro tão óbvio, será que tem uma armadilha lá na frente? Alguém pegou os sapatos dele e montou um esquema?"

Chen Ge estava muito calmo. Pensou um pouco e decidiu seguir as pegadas escada acima para ver.

As pegadas ensanguentadas levaram direto ao banheiro do terceiro andar. Só entrava, não saía. Até um idiota perceberia que o dono das pegadas ainda devia estar escondido no banheiro.

"Muito óbvio. Pode ser uma armadilha. Vocês dois fiquem aqui fora." Chen Ge pegou o Quebra-Crânios e entrou sozinho no banheiro do terceiro andar. Arrombou as portas dos primeiros cubículos, mas não havia nada lá dentro.

"As pegadas desaparecem no último vaso. A tesoura também caiu do banheiro do terceiro andar." Chen Ge ficou em alerta máximo. Em vez de arrombar a porta do último cubículo, ele se apoiou na divisória ao lado e espiou para dentro.

Tesoura, coberto de sangue, segurava firme sua mochila velha, encolhido no último cubículo. Tapava a boca e o nariz, sem ousar fazer barulho.

Ele era completamente diferente do que tinha sido no ônibus. Uma diferença enorme.

"Que medroso. Mas, com tanta coragem para vir até a Vila Liwan pelo irmão, com um pouco de treino, pode se tornar alguém." Chen Ge sentiu um toque de admiração. Saiu de fininho do lado do cubículo, sem revelar que tinha visto Tesoura. Em vez disso, bateu levemente na porta do último cubículo: "Tem alguém aí? Sou um passageiro do ônibus 104. Vi uma tesoura cair do andar de cima."

A voz familiar entrou no cubículo do banheiro. Para Tesoura, que já estava em desespero, aquela voz era como o sol da primavera, dissipando a escuridão e derretendo o gelo.

Um barulho estranho veio do cubículo. Chen Ge percebeu que Tesoura devia estar arrumando a roupa. Não o perturbou: "Não importa se é você ou não, não tenho intenção de ofender."

Chen Ge recuou, fazendo questão de que Tesoura ouvisse seus passos se afastando.

Pouco depois, a porta do cubículo se abriu, e uma voz soturna soou: "Você conseguiu me encontrar?"

Tesoura, todo ensanguentado, saiu do cubículo. No rosto, um sorriso frio e doentio. De vez em quando, aguentava a dor e lambia um ferimento na bochecha: "Vai embora logo. Este hospital está cheio de coisas ruins. Você deve ter visto o sangue no segundo andar. Fui cercado por vários fantasmas e só consegui abrir caminho à força."

Os olhos cheios de aura assassina, a expressão feroz e assustadora. Chen Ge olhava para Tesoura e não conseguia conciliar aquela figura com o ser frágil e desamparado que tinha visto se escondendo no cubículo.

"Não olhe nos meus olhos. É perigoso." Tesoura segurava a mochila com uma mão, soltando uma risada cruel. Mas, talvez por ter ficado muito tempo no cubículo, as pernas estavam dormentes, e ele mancava ao andar, como se tivesse cãibras.

"Entendo. Vamos sair daqui rápido." Chen Ge não o ajudou. "Assassinos" são lobos solitários, e lobos solitários não precisam de ajuda: "Sua tesoura. Achei lá embaixo."

Ao pegar a arma de volta, o olhar de Tesoura ficou ainda mais afiado: "Ótimo. Se não fosse por aqueles fantasmas sem-vergonha terem derrubado minha tesoura no fim da luta, eu teria mostrado a eles."

"Entendo. Acredito em você." Chen Ge arrastou o Quebra-Crânios para fora do banheiro. Os espinhos afiados raspavam no chão, produzindo um som arrepiante: "Na verdade, somos muito parecidos. Eu também tenho um passado que não posso mencionar. Também vim aqui para encontrar as duas pessoas mais importantes da minha vida."