Capítulo 652: Capítulo 652 Capítulo 639 Existe algo mais assustador do que eu? (4000

Capítulo 639: Existe um Conto de Terror Mais Aterrorizante do Que Eu? (4000)

Escondido em uma enfermaria de hospital completamente lacrada, lendo o diário de terror deixado pelos mortos, no exato momento em que fechou o diário, as cenas horripilantes descritas nele apareceram diante de seus olhos.

Tesoura não conseguia mais fingir. Ele acreditava que qualquer um, em tal situação, entraria em colapso.

A janela de vidro estreita estava tomada por vários rostos pálidos. Através de uma porta, Tesoura conseguia ver claramente as expressões naquelas pessoas.

"Elas estão me olhando!"

Tesoura não conseguia respirar, como se um par de mãos geladas tivesse entrado em seu peito e agarrado sua traqueia. Seu corpo não tinha força alguma, quase desabando.

"Encontrei você." A voz sinistra soou novamente. As pernas de Tesoura tremiam, toda sua atenção estava voltada para os rostos do lado de fora da porta. Levou um bom tempo até ele perceber que aquela voz não parecia vir de fora.

O medo percorria seus nervos como descargas elétricas. Tesoura arregalou os olhos e, quase por instinto, olhou para trás.

No armário onde ele havia se escondido, estava agachado um homem vestindo um uniforme de paciente.

O homem não era alto, tinha as duas pernas engessadas, o olho esquerdo perfurado por um lápis, o nariz torto e os dez dedos escondidos dentro das mangas.

Seu uniforme de paciente ainda tinha as marcas de sapatos e sangue deixados por Tesoura. Era óbvio que ele estava "ali" o tempo todo.

"Encontrei você." O tom frio, como o de um boneco. Sua expressão era peculiar, como se tivesse descoberto um brinquedo novo, com um toque de excitação e uma alegria que uma pessoa comum jamais entenderia.

O fantasma estava no armário o tempo todo. Só de pensar que havia ficado tanto tempo naquele armário escuro e apertado, Tesoura sentia arrepios por todo o corpo.

A pessoa deixada pelo "companheiro de enfermaria" no diário apareceu diante dele. Ele deveria estar morto há muito tempo.

Tesoura estava entre o dono do diário e a porta da enfermaria, sem saída. A situação era ainda mais complicada do que ter um lobo na frente e um tigre atrás.

"Calma, não entre em pânico. Antes de vir, assisti a dezenas de filmes de terror e joguei dezenas de jogos de terror. Estou bem preparado. Com certeza vou encontrar uma maneira de resolver isso."

Seu cérebro girava a toda velocidade, mas nem nos jogos de terror nem nos filmes havia uma cena semelhante: encurralado em uma enfermaria, tendo que escolher entre um fantasma e um grupo de fantasmas.

O suor frio na testa escorria sem parar. O coração de Tesoura batia forte: "Atrás de mim tem um fantasma, na frente tem um grupo. Normalmente, ficar no quarto seria mais seguro, mas se eu não fugir daqui, é uma morte lenta, perco completamente a iniciativa. E, no final, nem consigo morrer, como o dono do diário: olho furado, pernas quebradas, e fico aqui para sempre brincando com outros monstros."

Só de pensar que o que aconteceu no diário poderia acontecer com ele, Tesoura estremeceu: "Enquanto ainda tenho capacidade de agir, preciso fugir."

Seu peito, que subia e descia violentamente, começou a se acalmar. Ele prendeu a respiração, olhando para a janela da porta: "Vou enfrentá-los! Corro até o terceiro andar e pulo pela janela!"

Tesoura achou que havia tomado a decisão mais correta em meio ao desespero. Ele apertou a tesoura e, sob o olhar dos pacientes, de repente deu um grito e, urrando, correu em direção à porta da enfermaria.

No momento em que ele agiu, algo muito coincidente aconteceu. Do outro lado do corredor, também se ouviram passos.

O som parecia vir da escada de emergência do segundo andar. Era um pouco confuso, e parecia que não era apenas uma pessoa.

Seu grito repentino assustou o outro grupo que vinha pelo corredor. Quando ele chegou à porta, ouviu a voz de um homem de meia-idade a uns seis ou sete metros de distância.

"P*ta merda! O fantasma está aqui! Voltem! Voltem!"

Os rostos no vidro se dispersaram rapidamente. Tesoura já não se importava com mais nada. Brandindo a tesoura, como um louco, saiu correndo da enfermaria, indo direto para o terceiro andar.

Braços, pernas, ombros. Ele sentiu várias mãos o agarrarem ao mesmo tempo!

"Soltem-me!"

A tesoura na mão apontou para a mochila e ele a cravou com força. Algo dentro do pacote foi perfurado, e uma grande quantidade de sangue preto-avermelhado jorrou.

Como um paciente maníaco em crise, ele espalhou o sangue da mochila ao redor e sobre si mesmo, sujando todo o corpo e o chão.

Enquanto espalhava sangue, ria histericamente. É preciso dizer que, só pela presença, Tesoura já havia dominado os "pacientes" que brincavam de esconde-esconde.

Depois de espalhar o sangue, Tesoura correu sem parar para o terceiro andar. Mas, ao chegar lá, algo desesperador aconteceu.

As janelas do terceiro andar não tinham redes de proteção, mas estavam todas lacradas com tábuas de madeira.

Para arrancar as tábuas, pelo menos levaria um tempo, e os monstros do hospital não dariam essa chance a Tesoura.

"Se eu parar, eles certamente vão agir contra mim. Vão fazer de tudo para me fazer ficar e brincar com eles. Se eu resistir, aquele paciente com o olho furado e as pernas quebradas será o meu destino."

Tesoura se acalmou. Olhou para trás. O chão estava coberto de sangue. O hospital parecia muito mais sinistro do que antes, mas a maior parte era obra dele mesmo.

"Será que sangue de cachorro preto funciona? Outro dia vi alguém postando um vídeo de aparição pedindo ajuda no fórum. Ele estava no banheiro, em frente ao espelho, invocando espíritos. Nos comentários, um especialista disse que sangue de cachorro preto é eficaz contra almas penadas..."

"Pá!"

O som vindo de baixo deixou Tesoura tenso. Ele olhou para o segundo andar. No sangue de cachorro preto ainda não coagulado, apareceram pegadas.

Apenas pegadas, sem ninguém à vista. De quem eram aquelas pegadas já estava claro.

"Ainda bem que tenho outros trunfos." Tesoura tentou se consolar. Arrastando a mochila, correu para o fundo do corredor: "As janelas das enfermarias estão todas trancadas. Não sei se a sala de bagunças e o banheiro também estão. Talvez eles ignorem esses lugares."

Com um último fio de esperança, Tesoura entrou no banheiro no final do corredor.

Assim que entrou, viu uma cena muito estranha. As portas dos cinco cubículos estavam todas fechadas, e quatro delas indicavam que estavam ocupadas!

"Não me façam isso!"

Tesoura gemeu em pensamento. Ele ergueu os olhos para a janela do banheiro e sentiu um novo lampejo de esperança.

A janela do banheiro não estava lacrada com tábuas. Talvez alguém já tivesse tentado sair por ali e já tivesse arrancado duas tábuas.

"Se eu conseguir tirar mais uma, devo conseguir me espremer para fora!"

Correndo para a janela, ele pegou a tesoura grande para tentar arrancar a tábua. Mas os monstros do hospital pareciam estar brincando com ele de propósito. De repente, passos rápidos se aproximaram no corredor.

"Rápido!"

Contra o relógio, Tesoura usou toda sua força para tentar arrancar a tábua. Toda sua atenção estava na janela. Ele nem imaginou que, em apenas alguns segundos, a porta do banheiro seria arrombada.

Com um "pá", seu coração tremeu. Sua mão escorregou, e a tesoura grande, presa entre a tábua e a janela, caiu!

"P*ta merda!"

A única arma que tinha caiu para fora do hospital. Tesoura ficou paralisado por um segundo inteiro. Depois, pegou a bolsa e entrou no único cubículo que não estava trancado.

Ele queria se socar, mas, pensando no barulho que poderia atrair os espíritos, se conteve.

"Acabou! A Tesoura saiu, mas eu não! Já sabia que não devia ter escolhido esse apelido!" Rangendo os dentes, com todos os músculos tensos, Tesoura tapou a boca e o nariz, respirando com cuidado.

Ele repetia mentalmente: "Não me encontre, não me encontre." Mas, quando olhou para baixo, ficou ainda mais desesperado.

Ele havia se encharcado de sangue de cachorro preto. Cada passo deixava uma pegada ensanguentada. Seu rastro estava completamente exposto. Qualquer um que não fosse cego o encontraria.

"Isso não é nada do que eu imaginei! Onde foi que eu errei?"

Pálido, Tesoura já havia desistido, basicamente esperando a morte.

"Pena que ainda não encontrei meu irmão..."

Com o coração na mão, ele se escondeu no cubículo do banheiro. Mas, depois de alguns minutos, ninguém veio procurá-lo.

"Será que não me encontraram? Impossível. As pegadas que deixei apontam diretamente para este cubículo. Até um idiota saberia que estou aqui?" Tesoura se moveu um pouco para frente, tentando abrir a porta. Sua mão tocou a porta do cubículo, mas ele a puxou de volta imediatamente: "Não, esses caras podem estar do lado de fora! Se eu abrir, vários rostos vão se espremer para dentro. Eles estão esperando eu sair sozinho."

"Isso, não posso sair. Vou ficar aqui, ganhando tempo, um segundo de cada vez." Tesoura manteve a posição, sem ousar nem virar a cabeça: "Se eu não vejo, não existe."

Segurando a mochila velha, encharcado de sangue de cachorro preto, ele nem se importava com a sujeira: "O banheiro é um lugar comum em filmes de terror, muito perigoso. Deixa eu pensar se alguém já conseguiu escapar de um banheiro em algum filme?"

Pensou por muito tempo, e quanto mais pensava, mais medo sentia. O banheiro parecia ser um local de morte certa nos filmes de terror. Ele não encontrou uma maneira de escapar, mas lembrou de várias cenas assustadoras.

"Vários cubículos ao lado estão trancados, o que significa que tem gente lá dentro! Droga, tem uma história de terror assim: alguém vai ao banheiro de madrugada, e do cubículo ao lado estende uma mão, perguntando se quer papel azul ou vermelho."

O suor frio escorria pelo rosto. As cenas dos filmes de terror apareciam diante dele, e o pior é que aquela história poderia se tornar realidade!

"E se uma mão aparecer e pedir papel? O que eu faço? Digo que sou um garoto de vestido que gosta de fazer xixi agachado? Não preciso de papel? Mas ela pode não acreditar!"

"Pá!"

A porta do banheiro foi arrombada novamente. O som era claramente mais alto do que da primeira vez. Parecia que algo ainda mais aterrorizante havia entrado.

Tesoura parou imediatamente de divagar. Tapou a boca e ficou extremamente tenso.

"Pá!"

A porta do primeiro cubículo foi arrombada com violência. O coração de Tesoura deu um pulo: "Ele está verificando os cubículos. Por favor, não venha para cá, não venha para cá!"

Mas o contrário aconteceu. As portas de todos os cubículos anteriores foram arrombadas. Finalmente, os passos pararam do lado de fora do cubículo onde ele estava.

"Acabou. Dessa vez, ferrou de vez."

...

Gritos vieram do andar de baixo. O médico parou e olhou para Chen Ge à sua frente: "Este lugar é meio estranho. Melhor descermos. Juntos, somos mais seguros."

"Ficar com eles é que é mais perigoso. Não se esqueça daquele homem sorridente lá embaixo. Pode ter sido ele quem atacou os outros passageiros." Chen Ge chegou ao último andar e, sob o olhar chocado do médico, tirou o Martelo Esmagador de Crânios da mochila e arrombou a porta que levava ao telhado.

"Você... parece conhecer bem este lugar. Já veio aqui antes?" perguntou o médico, cauteloso.

"Tenho um funcionário que mora em Liwan Town, então já estive aqui. A névoa de sangue pode ter coberto a cidade, mas a estrutura interna desses prédios não mudou." Chen Ge subiu até o telhado.

"Seu funcionário?"

"Sim, trabalho com adereços no parque de diversões. Este martelo eu mesmo fiz. Parece exagerado, mas na verdade é só para enfeitar." Chen Ge foi direto para os tanques de água. Depois de abrir todos, viu que não havia o corpo do fantasma do celular lá dentro: "Ainda devemos estar na realidade."

A porta estava descontrolada. A névoa de sangue de dentro se espalhava,侵蚀 lentamente a cidade. Talvez, depois de um tempo, Liwan Town fosse completamente transformada pela névoa de sangue, tornando-se um ponto de conexão entre o mundo atrás da porta e o mundo exterior.

"O que você está olhando?" O médico também subiu.

"A névoa está muito densa. Queria ver se há algum perigo ao redor, mas não consigo enxergar nada." Chen Ge deu uma desculpa qualquer: "Vamos descer."

De volta ao primeiro andar, o ônibus 104 ainda estava lá, mas os passageiros haviam desaparecido.

"Deve haver algo dentro do prédio, mas tivemos sorte de não encontrar." O médico estava apreensivo. Ele ficou ao lado de Chen Ge, hesitou por um momento e disse: "Na verdade, já estive aqui antes. Quando a névoa de sangue se espalhou..."

"Espere um pouco para conversarmos. Parece que ouvi gritos ali." Os cinco sentidos de Chen Ge eram muito mais aguçados que o normal. Ele pegou a mochila e a bolsa de viagem e foi para o outro lado da rua.

"Ei! Cuidado!" Os avisos do médico não surtiram efeito em Chen Ge. Ele só pôde segui-lo.

Seguindo pela rua, Chen Ge viu vagamente alguém acenando em um cruzamento, mas a pessoa estava de costas para ele.

"Finalmente encontrei um morador local." Ele acelerou o passo, mas a silhueta indistinta que acenava foi desaparecendo lentamente na névoa densa.

Chen Ge não queria deixá-lo escapar. Perseguiu por mais um trecho, até passar por um hospital, quando parou.

"O que esse cara está fazendo aqui?" Chen Ge encontrou um bêbado caído na entrada do hospital, espumando pela boca, quase morto.

"Parece que ele levou um grande susto." O médico balançou a cabeça: "Sou cirurgião, não tenho muita experiência com isso. Posso tentar, mas acordá-lo vai depender da sorte."

"Pegue." Chen Ge entregou a mochila ao médico: "Nisso, tenho mais experiência."

Ele desabotoou a gola e o cinto do bêbado, inclinou a cabeça dele para trás, formando uma posição de decúbito com a cabeça baixa. Depois, começou a pressionar ritmicamente o ponto Renzhong (entre o nariz e o lábio superior) e, em seguida, fez compressões torácicas. Toda a sequência era impecável, como se tivesse sido copiada de um livro-texto.

Dois ou três minutos depois, o bêbado acordou lentamente. Ao ver o rosto de Chen Ge, seu corpo foi relaxando aos poucos, mas logo ficou tenso novamente. Apontou para uma direção e disse: "Não vá naquela casa. Lá tem um cachorro com cara de gente que ri. É uma maldição."

"Fique tranquilo. Vou levá-lo de volta ao ônibus primeiro."

Chen Ge tentou ajudar o bêbado a se levantar, mas ele agarrou Chen Ge: "Não volte! No primeiro prédio que entramos, tem um fantasma de esfregão. No corredor, tem um fantasma enforcado! Não volte!"

"Tantos monstros assim?"

"É verdade! Não estou mentindo! Agora suspeito que cada prédio esconde um conto de terror. Cada casa tem um fantasma!" O corpo do bêbado tremia.

"Cada casa tem um fantasma? Isso significa que cada prédio pode se transformar em um cenário de terror separado?" Um brilho passou pelos olhos de Chen Ge. Ele examinou os prédios ao redor, sua expressão completamente diferente de quando chegou.

"Pode-se dizer isso." O bêbado não sabia o que Chen Ge estava pensando: "Ah, e não entre neste hospital aqui. Ouvi vários gritos abafados vindo de lá."