Capítulo 618: Passageiros, Atenção ao Embarque
Tang Jun parecia um homem simples e honesto. Ele abriu a porta e sentou-se no banco do motorista, sentindo uma forte sensação de irrealidade: "Não esperava voltar ao meu antigo ofício tão cedo."
"Dirigir para quem quer que seja é dirigir. Além disso, nunca te forcei a fazer algo de que não gostas. Somos colegas, não precisa ficar tão tenso." Chen Ge colocou a mochila pesada no último banco: "O tempo está bom esta noite, a chuva está forte, perfeita para sairmos."
"Então, para onde vamos esta noite?" Tang Jun ainda tinha um certo medo de Chen Ge, sem saber ao certo por quê.
"Vila Liwan, pegue o caminho que você conhece melhor."
"Vamos mesmo?" Ao ouvir o nome "Vila Liwan", Tang Jun já sentiu um mau pressentimento no coração: "Chefe, aquele lugar é realmente perigoso. Não estou duvidando da sua capacidade, só acho que não precisamos provocá-los."
"Não estou indo provocá-los." Tang Jun mal respirou aliviado quando ouviu a próxima frase de Chen Ge: "Vou limpar a Vila Liwan de dentro para fora, resgatar quem precisa ser resgatado e esclarecer o que precisa ser esclarecido."
Ao ouvir isso, Tang Jun não ousou mais falar. Não havia como discutir.
"Ainda dá tempo de fugir. Vamos partir às onze da noite." A linha do ônibus 104 era longa, conectando o subúrbio leste e oeste de Jiujiang. Partindo às onze da noite, mesmo sem imprevistos, chegar à Vila Liwan certamente seria depois da meia-noite.
"Como eu poderia fugir? Você me subestima." Tang Jun balançava a perna nervosamente, segurando o volante com força.
A chuva caía cada vez mais forte. Do lado de fora do ônibus 104, tudo era escuridão.
Às onze da noite, um ônibus velho e surrado saiu do Parque do Novo Século, desaparecendo lentamente na cortina de chuva.
"Você sempre dirige assim?"
"Sim."
"Já foi parado pela polícia de trânsito?"
"Ainda não. A sombra mexeu no carro. Pode entender este veículo como um carro funerário especializado em servir mortos e desesperados."
Tang Jun respondia seriamente às perguntas de Chen Ge, enquanto o ônibus funerário 104 seguia cada vez mais longe, logo chegando à primeira parada.
A plataforma sob a chuva parecia um pouco borrada, completamente vazia, mas Tang Jun ainda assim abriu a porta e esperou três minutos ao lado dela.
"Se não houver ninguém na plataforma, espere três minutos. Talvez apareça um passageiro especial. Foi o que a sombra me disse."
A chuva entrava no veículo. Chen Ge, sentado no penúltimo banco, observava tudo em silêncio.
Circulavam muitas histórias estranhas sobre ônibus na cidade, mas ninguém imaginava que um dia essa lenda se transformaria no que era agora. No entanto, isso também ecoava o lema da Associação de Lendas Urbanas: "Quando ando na escuridão, sou a lenda urbana mais aterrorizante desta cidade."
Assim que os três minutos passaram, Tang Jun seguiu viagem.
Parando e seguindo, só depois de sair do subúrbio oeste é que Chen Ge finalmente viu alguém esperando o ônibus em uma plataforma à frente.
"Esperando o ônibus depois das onze da noite? Esse aí certamente não é comum."
O veículo parou. O motorista não disse uma palavra. Quando a porta se abriu, a pessoa na plataforma subiu cambaleando.
Vestia um terno barato, exalava um forte cheiro de álcool, tinha o rosto vermelho, falava com dificuldade, e suas roupas e calças estavam todas molhadas.
"Passa... passa o cartão..." Ele tirou a carteira e passou várias vezes em algum lugar do ônibus, mas, como não ouvia o som de sucesso, ficou impaciente.
"Sente-se aí e descanse. Eu pago a passagem para você." Chen Ge ajudou o bêbado, que quase caía de lado, e aproveitou para examiná-lo com a Pupila Sombria. Aquele passageiro provavelmente não era a "pessoa" que ele esperava: "Descanse bem, não se mexa."
"Valeu, hein! Sempre fui azarado, mas hoje a sorte virou. Fechei um grande negócio, ainda peguei o último ônibus e encontrei um cara bonzinho como você. Obrigado!" O bêbado falava enrolado, sentou-se no terceiro banco, ocupando dois lugares sozinho.
"Sua sorte não é nada má."
Chen Ge olhou para Tang Jun, que entendeu rapidamente e balançou a cabeça. Ele também não tinha certeza se aquele passageiro era o "especial" que Chen Ge precisava.
"Irmão, para onde você vai? Quando chegar, eu te aviso para descer."
"Não precisa se preocupar comigo! Cuide da sua vida. Minha casa é no ponto final. Quando o ônibus parar, eu desço." O bêbado deitou-se no banco.
"Ponto final? Você vai para a Vila Liwan?" Chen Ge examinou o homem com atenção, mas não encontrou nada de errado.
O ônibus funerário 104 seguia pela cortina de chuva. Ao entrar no subúrbio leste, a área ao redor parecia muito mais deserta, quase sem pessoas ou outros veículos.
Depois de mais algumas paradas, ao passar por uma pequena estação, Chen Ge viu um par de sapatos de salto alto vermelhos na plataforma.
Ninguém, apenas os sapatos colocados no único lugar seco da plataforma.
Chen Ge olhou para o banco do motorista. Tang Jun também não sabia de nada, apenas fixava o volante.
Ninguém subiu. Após três minutos, a porta se fechou.
Quando Chen Ge ia verificar pela janela se os sapatos ainda estavam lá, Tang Jun, no banco do motorista, deu um sorriso repentino.
Seguindo o som, Chen Ge viu um par de sapatos de salto alto vermelhos debaixo do banco atrás do motorista.
Os sapatos vermelho-sangue estavam alinhados lado a lado, como se alguém estivesse sentado atrás do motorista.
"Quando ela subiu?"
Invisível, apenas os sapatos. Chen Ge deu alguns passos à frente e trocou olhares com Tang Jun pelo retrovisor.
Ele só viu no espelho que Tang Jun se esforçava para manter um sorriso, mas na verdade parecia prestes a chorar.
"Seu atendimento é muito bom. Continue sorrindo." Chen Ge, como se não tivesse visto os sapatos, voltou ao seu lugar, abriu o zíper da mochila de viagem e começou a brincar com o gato branco irritado.
O gato saiu da bolsa, parecia desconfortável com o ambiente do ônibus. Depois de dar uma volta, voltou obedientemente para perto de Chen Ge.
"Saindo para se divertir, tem que ficar feliz."
Vendo a reação do gato, Chen Ge já entendia muita coisa. Colocou a outra mochila, que continha o gravador, ao seu lado.
Dentro do ônibus, reinava um silêncio mortal. Ninguém falava, exceto Chen Ge. Aquele ônibus que cortava a noite chuvosa parecia um caixão enterrando vivos.
A chuva ainda aumentava. Assim que o ônibus chegou à próxima parada, Chen Ge viu alguém com uma capa de chuva preta saindo rapidamente da plataforma.
A pessoa andava de um lado para o outro na plataforma, parecendo muito impaciente, mas, quando o veículo realmente parou, foi embora na hora, como se tivesse visto algo ruim.
"Será que ele me reconheceu?" Chen Ge observou o corpo do homem de capa, achando-o vagamente familiar. Imediatamente fez sinal para Tang Jun dirigir atrás dele.