Capítulo 594: Capítulo 594 Capítulo 581 Você acha que eu deixaria você escapar?

Capítulo 581: Acha que vou deixar você escapar?

Ao contrário do que o monstro no espelho imaginava, a mulher não hesitou um segundo e correu em direção à pia, como se naquele momento tivesse esquecido todo o medo.

O vestido longo esvoaçava, manchando-se de água, e num piscar de olhos a mulher chegou ao lado da menina, sem pensar em mais nada, puxando-a para fora.

— Você está bem?

A menina não só não chorou, como ainda esboçou um sorriso, o que pareceu estranho à mulher.

Ela não percebeu que o monstro no espelho estava se tornando gradualmente mais nítido, e o rosto embaçado exibia um sorriso estranho quase idêntico ao da menina.

— Vou te tirar daqui.

Mesmo naquela hora, a mulher ainda se lembrava de proteger a menina nos braços, recuando apressadamente.

A torneira nunca foi fechada, e o líquido que escorria estava ficando mais escuro, como se não fosse mais água saindo do cano, mas sangue.

O som de gotejar ecoava no banheiro apertado, e algo parecia rastejar no chão, produzindo um ruído de arrasto.

A mulher não ousava olhar para trás, segurando a menina enquanto corria para o corredor escuro.

A luz do celular balançava nas paredes, e ela não conseguia enxergar o chão direito, só sabia que algo parecia ter surgido no corredor antes liso, e pisar naquilo era muito macio.

Em apenas alguns segundos, a mulher atravessou o corredor, mas quando parou na porta, percebeu que a saída para o exterior estava trancada, sem saber quando.

— Tem mais alguém na escola?! — A mulher colocou a menina no chão e olhou para trás, em direção ao corredor. A água jorrava do banheiro, e no chão flutuavam como algas alguns fios embaçados.

— Você viu mais alguém aqui? — A mulher protegia a menina com as mãos, sentindo pena ao ver o rostinho pálido dela. — Antes, dois professores entraram, você deve tê-los visto, não?

A menina ficou parada na frente da mulher, com a esclera dos olhos se espalhando, e os lábios arroxeados se abriram lentamente, soltando duas palavras:

— Ma... mãe.

— Mãe? Está me chamando de mãe? — A mulher afrouxou instintivamente os braços que protegiam a menina, percebendo que tudo e todos naquela casa pareciam anormais. — Você se enganou, criança, eu não sou sua mãe.

A menina não mudou, chamou-a de mãe novamente, e então ergueu o braço, agarrando o da mulher.

— Espera, você... — O medo só então surgiu, e a mulher se levantou, inclinando o corpo em direção à porta.

Mas antes que pudesse se aproximar, a expressão da menina, que estava parada, de repente se tornou feroz:

— Não... vá!

— Pá!

Antes que a menina terminasse de falar, o vidro perto da mulher explodiu em todas as direções!

Um forte cheiro de sangue invadiu o cômodo, e um martelo grotesco, coberto de espinhos, ficou preso no caixilho da janela.

— Pum!

Sob o olhar da mulher e da menina, a cabeça do martelo foi puxada à força para fora, e então caiu pesadamente de novo, desta vez ainda mais brutal, quebrando o caixilho por completo.

— Que frágil.

Uma mochila foi jogada pela janela para dentro do cômodo, e em seguida um jovem pulou para o parapeito.

A luz da lua iluminava suas costas, não dava para ver seu rosto, mas era possível enxergar claramente a cabeça do martelo exageradamente grande em suas mãos.

Sem precisar dizer nada, nem mesmo trocar olhares, a mulher paralisada e a menina ao lado dela recuaram ao mesmo tempo.

A menina, cuja esclera já havia se espalhado em grande parte, ao ver o jovem, teve seus olhos gradualmente voltando ao normal. Um rugido baixo e rouco veio do banheiro, como se o monstro no cômodo sentisse que algo ameaçava a segurança da menina, ordenando que ela voltasse logo, sem se afastar muito.

— Não tenham medo, vim salvar vocês. — O jovem também ouviu o rugido vindo do fundo do corredor. Pulou do parapeito, abriu o gravador na mochila e, com carinho, acariciou a cabeça da menina: — Wenwen, sou eu, Chen Ge! O dono da casa mal-assombrada que levou vocês ao parque de diversões ontem de manhã.

A mulher ao lado ficou completamente atônita, não entendia por que um dono de casa mal-assombrada apareceria naquele lugar, naquela hora, daquela forma. Tudo aquilo era impactante demais para ela.

— Leve esta criança para fora primeiro. — Chen Ge empurrou a menina para os braços da mulher e ficou no meio do corredor.

— Já posso ir? — A mulher ainda não acreditava, abraçou a menina e tentou fugir pela janela, mas, para sua surpresa, a menina agarrou a perna de Chen Ge, não querendo soltá-lo.

O rosto dela melhorou um pouco, mas a expressão era de urgência, os lábios tremiam, e ela repetia, gaguejando, duas palavras:

— Ir... mã...

— Eu sei, não vou machucá-la, só acho que ela merece uma vida melhor. — Chen Ge afastou suavemente a mão da menina. — Leve-a para fora.

Hoje, Chen Ge não deixaria a irmã de Wenwen escapar de jeito nenhum. Com base em todas as informações obtidas, ele já podia confirmar que a irmã de Wenwen era provavelmente a entidade mais poderosa no cenário do Fantasma Gêmeo da Água.

Se ela estivesse no reservatório, sem invocar Zhang Ya, ele quase não teria como entrar no reservatório para eliminá-la, porque ninguém sabia quantos fantasmas d'água o Reservatório Donggang acumulara ao longo dos anos.

— A missão ainda nem começou, e já prendi o chefe. Essa experiência de missão é realmente boa. — Segurando o martelo com as duas mãos, Chen Ge se colocou entre o banheiro e Wenwen.

O monstro no banheiro, vendo a menina ser levada, rugiu novamente. Incontáveis fios de cabelo preto, misturados à corrente de água, avançaram em direção a Chen Ge.

— Usar cabelo como arma de ataque? O cabelo de vocês está muito longe do daquela na minha sombra.

Os cabelos misturados na água não conseguiam nem chegar perto de Chen Ge, pois alguém pisou neles.

Xu Yin parecia ter visto algo escondido no cômodo no fundo do corredor. Inclinando a cabeça para o lado, ele perguntou em voz baixa para a porta entreaberta:

— Dói?

Sem precisar que Chen Ge dissesse mais nada, os fios pretos no chão foram rompidos por fios de sangue. Xu Yin, com o casaco quase todo manchado de sangue, exceto na altura do coração, disparou como uma flecha.

Os cabelos pretos saíram da água e enroscaram no corpo de Xu Yin, mas não conseguiram detê-lo, apenas diminuíram um pouco sua velocidade.

— Pare de resistir. Pela sua irmã, não vou dificultar as coisas para você.

Chen Ge abriu o álbum de quadrinhos e soltou Bai Qiulin. Um homem e um fantasma, um à esquerda e outro à direita, também avançaram.

O monstro no banheiro já estava com dificuldades para lidar com Xu Yin sozinho, e quando viu o peito de Bai Qiulin manchado de sangue, desistiu de resistir.

Os cabelos pretos se retraíram ativamente, tentando voltar para dentro do banheiro.

Chen Ge correu atrás, e quando entrou no banheiro, a torneira já havia se fechado sozinha, sem mais água escorrendo.

— Um fantasma d'água que já peguei, acha que vou deixar você escapar?

Usando ao mesmo tempo as habilidades de Olho Yin e Ouvido Fantasma, um som de "tum-tum" ecoou nos ouvidos de Chen Ge. O fantasma ainda estava escondido dentro do cano, mas estava fugindo rapidamente pela tubulação.