Capítulo 592: Capítulo 592 Capítulo 579 Você me encontrou?

Capítulo 579: Você me encontrou?

O choro de Wenwen ecoava do quarto individual. A professora ouviu do lado de fora por um tempo, planejando entrar quando o choro da menina diminuísse, mas o choro de Wenwen só aumentava.

"Essa criança com certeza tem algum problema na cabeça. Quem quebrou o copo foi ela mesma, que mania é essa no meio da tarde?" A professora ainda precisava cuidar de outras crianças. Decidiu deixar Wenwen sozinha lá dentro para se acalmar, afastou-se da porta do quarto e voltou para o alojamento.

Quando todas as crianças estavam vestidas e prontas para começar as aulas da tarde, a professora voltou para fora do quarto individual.

Já havia se passado meia hora, e Wenwen finalmente parou de chorar.

"Parece que deixá-la de molho também é bom. Não podemos mimá-las demais no dia a dia." A professora, achando que tinha encontrado um bom método para disciplinar Wenwen, empurrou a porta do quarto.

No pequeno quarto, havia uma sensação de umidade, um ar sombrio e sinistro.

No chão, havia uma poça d'água. A menina estava encolhida num canto, de cabeça baixa.

Ela não emitia nenhum som, como se fosse um objeto de decoração naquele cômodo.

"Não está mais chorando?" A professora percebeu algo estranho na menina. Sem motivo aparente, um calafrio a percorreu. Ao entrar naquele quartinho, sua respiração ficou difícil, como se o cômodo estivesse cheio d'água, e ficar ali por muito tempo pudesse afogá-la.

Do lado de fora do quarto, vinha o som de sinos de vento e o canto das crianças, parte das atividades normais da escola. Mas, ao ouvir aqueles sons de dentro do quartinho, a sensação era completamente diferente. Parecia que não eram crianças com deficiências intelectuais e doenças físicas que cantavam, mas almas atormentadas a gemer.

"Vem cá." A professora não ousou entrar mais no quarto. Estendeu a mão para a menina, esperando que ela mesma saísse do cômodo.

"Não está me ouvindo? Eu disse para você vir!" A professora olhou para a criança e sentiu uma emoção inexplicável no fundo do coração, algo como medo.

Eu, com medo de uma criança?

Em plena luz do dia, com o sol brilhando lá fora.

A professora criou coragem, entrou no quarto e agarrou a cortina, querendo abri-la.

Mas, no momento em que ia puxar a cortina, sentiu um frio no pulso, como se algo a tivesse agarrado.

"Ah!"

Com um grito de susto, a professora olhou para trás. Seu pulso estava preso por Wenwen. A menina, que antes parecia lerda, agora tinha olhos estranhos, como um poço profundo sem fundo, onde flutuavam cadáveres.

O que está acontecendo?

A mão da professora, que segurava a cortina, foi perdendo a força lentamente. Ela não conseguia mais abri-la.

"Vamos para a aula." Wenwen disse claramente seis palavras, sem gaguejar ou tremer. Cada palavra era muito nítida, completamente diferente de seu comportamento anterior.

"Tá, tá bem." A professora não disse mais nada e correu para fora do quarto.

Ao chegar no corredor, aquela sensação opressiva começou a diminuir.

A professora não ousou olhar para trás para ver Wenwen. Sentia o pulso como se algo o tivesse mordido, frio e dormente, perdendo a sensibilidade aos poucos.

Ao entrar na sala de aula, Wenwen soltou sua mão por conta própria. Sem precisar que dissesse nada, foi sozinha para a última fileira da sala.

"Hoje está realmente estranho." Mesmo depois de Wenwen soltá-la, o pulso da professora ainda sentia ondas de frio.

Ela mandou os alunos abrirem todas as cortinas da sala e começou a aula. Fez o possível para não olhar para o lugar onde Wenwen estava, tentando esquecer o incidente do meio-dia.

...

Às três e meia da tarde, a casa mal-assombrada de Chen Ge enfrentou um pequeno problema. O Sr. Bai, chamado pelo diretor Luo, queria experimentar pessoalmente a casa mal-assombrada de Chen Ge.

Sem saber os detalhes do outro lado, Chen Ge preparou um serviço VIP de nível imperial para o Sr. Bai, ou seja, deixar apenas o Sr. Bai entrar e depois arranjar alguns fantasmas para atuarem como visitantes, acompanhando-o.

Os atores eram fantasmas, os visitantes também eram fantasmas. Onde quer que olhasse, só via fantasmas de verdade. Certamente deixaria uma lembrança preciosa para o Sr. Bai e também poderia aproveitar para extrair algumas informações úteis.

Já estava tudo planejado, mas o Sr. Bai mudou de ideia de repente e mandou sua secretária, que o acompanhava, tentar a experiência.

Uma mera secretária não merecia a atenção especial de Chen Ge. Ele propositalmente facilitou as coisas, reduzindo a dificuldade do cenário de três estrelas, fazendo com que a secretária quase conseguisse passar pelo cenário do Terceiro Prédio de Doenças.

O outro lado poderia achar que a casa mal-assombrada de Chen Ge não era grande coisa. Mas, se descuidassem e voltassem, Chen Ge pretendia entrar pessoalmente em cena e, de quebra, soltar todas as almas dos pacientes psiquiátricos para que vissem o que era a Associação de Contos Estranhos.

A negociação entre o Sr. Bai e o diretor Luo correu muito bem, mas, depois de se despedir do Sr. Bai, o diretor Luo não tinha nenhum sorriso no rosto. As coisas estavam indo bem demais, o que o deixava inquieto.

Chen Ge não entendia muito dessas coisas e não podia interferir à toa. Confiando no diretor Luo, não perguntou nada.

À noite, depois de fechar a casa mal-assombrada e limpar tudo, Chen Ge entrou sozinho no cenário subterrâneo. Naquela noite, planejava completar a missão dos Espíritos d'Água Gêmeos.

Pegou o álbum de quadrinhos, guardou todos os monstros dentro, e colocou o martelo de esmagar crânios na mochila.

"Depois de completar a missão dos espíritos d'água, os tipos de funcionários da Casa do Terror vão aumentar bastante. O primeiro cenário de terror subaquático também será desbloqueado. Só não sei de que forma vai ser apresentado."

Cheio de expectativas, Chen Ge saiu do Parque Novo Mundo. Quando estava pegando um táxi para ir ao reservatório, o celular tocou de repente. Era a tia de Wenwen ligando.

"Alô, boa noite."

"Wenwen foi aí? Sr. Chen, o senhor viu a Wenwen?" A voz ansiosa da tia de Wenwen veio do outro lado.

"Wenwen? Como ela poderia estar aqui? A senhora vai com calma." Chen Ge teve um mau pressentimento.

"A Wenwen sumiu! Fui buscá-la na escola de reabilitação à noite e descobri que ela não estava na escola! A professora da escola também não sabe onde ela está. As câmeras mostram que ela estava me esperando no portão da escola depois da aula, mas, depois de um tempinho, ela desapareceu das câmeras. Agora ninguém sabe onde ela está." A tia de Wenwen estava desesperada: "A criança gosta muito do parque de diversões de vocês. Ela me contou, em especial, que se sentiu muito bem na casa mal-assombrada de vocês. Depois de voltar do parque, ela, que antes estava sempre triste, finalmente sorriu. Por isso, suspeito que ela possa ter ido para o parque de vocês de novo."

"Provavelmente não. A senhora mora no subúrbio leste, e nós no subúrbio oeste. É muito longe."

"Só estou avisando. Se o senhor vir a criança, por favor, me ligue de volta. Muito obrigada!"

"Tudo bem, sem problemas. Mas acho que a Wenwen tem grandes chances de ainda estar na escola dela. A senhora pode me dizer onde fica a escola?"

Depois que a tia de Wenwen deu o endereço, Chen Ge desligou o telefone.

Ele correu até o porteiro, explicou a situação e pediu para ele ficar de olho na menina.

Depois de dar as instruções, Chen Ge foi direto para a escola da menina. Na opinião dele, a menina não deveria ter ido muito longe. Sem dinheiro, provavelmente ainda estava perto da escola.

"A irmã dessa criança é o espírito d'água. O desaparecimento repentino dela pode ter a ver com a irmã? Será que minha ida ao reservatório ontem chamou a atenção dos espíritos d'água?"

Ainda era cedo. Chen Ge pegou um táxi direto para a escola de reabilitação.

...

"Que pessoa problemática. Se tem deficiência intelectual, não deveria ter tantas ideias!" A professora chamada Xiaozhu andava pelo corredor, ao lado do professor responsável pelas aulas ao ar livre.

"Não fale assim. Se alguém de fora ouvir, vai prejudicar a imagem da escola." O professor era mais compreensivo. Embora também não estivesse feliz, pelo menos não expressava a insatisfação.

"Acheng, se essa criança não tivesse dado problema, agora a gente estaria fazendo compras e depois indo ao cinema." A professora não escondia suas emoções na frente do colega.

"Fala baixo. A diretora Wen não gosta que os professores da escola namorem. É melhor a gente tomar cuidado por aqui." Ele foi na frente: "Primeiro, vamos encontrar a menina."

"Que bom que ela sumiu. Já estava de saco cheio." A mulher falava por falar.

Quando viraram para entrar em outro corredor, que estava sem luz, o professor ia acender a lâmpada quando sentiu o braço ser envolvido por algo macio. Surpreso, virou-se e viu que a professora tinha agarrado seu braço.

"Por que você está me ignorando?"

A mulher fez uma expressão que achava ser fofa. O homem, vendo que não havia ninguém por perto, deu um beijo rápido no rosto dela: "Vamos resolver o problema primeiro. Se a criança realmente sumir, vai ter um impacto negativo grande na escola. A propósito, um aluno disse que a criança começou a chorar sem motivo ao meio-dia. Você sabe o motivo?"

"Deve ter sido uma crise. Te digo, essa criança sempre foi anormal. Durante a aula, vive abraçando uma garrafa d'água e falando com a água. Às vezes, chama a garrafa de irmã." A mulher parecia animada: "Ela não consegue se dar bem com os outros colegas. Uma vez, tentei colocá-la perto de um aluno com um caso mais leve, e ela arranhou o rosto do outro só porque ele quis ver a garrafa dela."

"Ela tem um nível de agressividade tão alto assim? Quando entrou, os resultados dos exames médicos não diziam isso."

Com a voz cheia de carinho, o homem e Xiaozhu se aproximaram, entrando no corredor.

Quando o homem ia acender a luz, Xiaozhu, que estava abraçada no braço dele, viu de repente uma sombra baixa refletida na parede no fundo do corredor.

"Ali!"

Ela deu um grito, e então o homem acendeu a luz do corredor. A sombra baixa na parede desapareceu.

"O que você viu?"

"Uma sombra na frente! Parece ser a criança!"

"Ela ainda não saiu da escola?" O homem, segurando a mão de Xiaozhu, correu para o fundo do corredor. Quando chegaram, não havia sombra na parede, apenas uma mancha d'água.

"Quem teria derramado água aqui? Foi a menina?"

"Quem mais poderia ser?"

"Mas o que essa criança quer?" Xiaozhu estava confusa: "Falando nisso, ela parece gostar muito de brincar com água."

"Wenwen começou a chorar depois de acordar da soneca e quebrar o copo. Algo pode ter acontecido durante o sono dela." Acheng era mais calmo: "A professora Wang, que faz a ronda do meio-dia hoje, parece que está procurando com a diretora fora da escola. Vou ligar para ela perguntar."

O homem discou o número, e Xiaozhu ficou irritada: "Como você tem o número dela? Quando conseguiu?"

"Professora Wang, ao meio-dia, a senhora notou algo anormal com a Wenwen?"

"Não. Vi que tinha um fio de cabelo no copo d'água dela, então joguei a água fora."

"Só isso?"

"Sim."

"E onde a senhora jogou a água do copo? Respingou na cama da menina?"

"O que você quer dizer? O que isso tem a ver comigo?" A professora Wang respondeu de mau humor: "Joguei no lavabo. Se não tem mais nada, vou desligar."

"Lavabo? Vamos lá ver." O homem não queria discutir com Xiaozhu sobre como tinha o número da professora Wang. Mudou de assunto e levou Xiaozhu até o lavabo no fundo do corredor.

Ao segurar a maçaneta, Acheng a soltou imediatamente: "Como é que essa maçaneta está toda molhada? Alguém entrou ou saiu?"

Ele olhou para a porta e viu que as frestas também estavam encharcadas, como se estivessem mofadas, exalando um leve cheiro de peixe podre.

"A criança está escondida no lavabo?" Com dúvidas, o homem empurrou a porta.

O som de água corrente vinha de dentro. A torneira não estava bem fechada. No espelho da pia, alguém tinha escrito uma frase com água — Estou bem aqui.

As gotas escorriam pelo espelho. As palavras pareciam ter sido escritas há pouco tempo.

"Foi a Wenwen que escreveu isso?" Acheng olhou para Xiaozhu, que era quem mais tinha contato com Wenwen.

"Claro que não! A criança nem reconhece letras, como poderia escrever?" Xiaozhu olhou para as cinco palavras no espelho, sentindo medo.

"Então significa que alguém se infiltrou na escola, e pode ter sido essa pessoa que levou a Wenwen." O homem cruzou os braços sobre o peito, pensativo.

Xiaozhu, por outro lado, ficava cada vez mais inquieta. A luz do corredor piscava levemente. Ela olhou para a torneira e de repente notou um problema.

O tampão da pia não estava colocado, mas a água não escoava direito. Vendo o nível da água subir, Xiaozhu sentiu novamente aquela sensação de sufocamento, como se estivesse dentro de uma piscina, vendo a água subir lentamente sobre seu coração.

Ouvia, ao longe, o canto e os murmúrios de uma menina. Seu corpo tremia. Pelo canto do olho, viu algo saindo do ralo da pia, fios e mais fios.

Ela se aproximou da pia e colocou a mão dentro d'água. Quando tocou naquilo e tentou puxar, percebeu que eram fios de cabelo de mulher.

Como se tivesse pegado algo nojento, Xiaozhu se debateu desesperadamente. Queria chamar o professor ao lado, mas, ao virar a cabeça, viu no espelho uma menina parada ali.

Seu cabelo saía do fundo da pia, sua boca se abria e fechava, como se dissesse: "Você me encontrou?"

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