Capítulo 589: Capítulo 589 Capítulo 576 Demais

**Capítulo 576: Demais**

“Cabelo?” Por que a linha de pesca estaria cheia de cabelos? O pescador, que pescava há mais de dez anos, também enfrentava essa situação pela primeira vez. Naquele momento, sua mente estava completamente confusa, e seus olhos, instintivamente, fixavam-se na linha, tentando determinar se aquilo era cabelo ou algas. A lanterna de pesca afundava lentamente. Enquanto a luz se movia para baixo, o homem viu uma sombra escura subindo. Não dava para ver direito, apenas um contorno vago: sem barbatanas, sem cauda, mas parecia ter membros. “Uma pessoa?” Quando esse pensamento dominou sua mente, o barco foi atingido novamente. O homem entrou em pânico total. Sacou a faca que carregava, cortou a linha de pesca e começou a remar desesperadamente em direção à margem. “Me leva de volta! Rápido!” Ele remava com todas as forças, mas o barco não se mexia. Os cabelos negros, com um cheiro acre, subiam pela embarcação. “Que diabo é isso?!” O barco não só não se aproximava da margem, como estava sendo puxado para o centro da represa. O homem, com os olhos vermelhos de desespero, agarrou o balde ao lado, espalhou a isca especial que havia preparado cuidadosamente para longe e, por fim, jogou o próprio balde também. Ninguém sabia do que era feita aquela isca, mas, estranhamente, depois que ela foi lançada, os cabelos negros no barco se dissiparam silenciosamente, e a sombra se moveu rapidamente em direção ao local onde a isca havia caído. “Estou salvo?” O homem pegou os remos para remar de volta à margem, mas, ao virar a cabeça, viu uma cena aterrorizante que jamais esqueceria. No fundo da represa, tufos de algo como algas negras flutuavam para cima, vindos da superfície da água, aglomerando-se em direção à isca que ele havia espalhado. “Isso... tanto...” Mãos e pés gelados, corpo tremendo. O homem não ousou mais olhar para trás. Segurou os remos com as duas mãos e remou para a margem. “Me salva, me salva!” As coisas debaixo d'água, atraídas pela isca preparada pelo pescador, o deixaram em paz temporariamente. Aproveitando a chance, o homem escapou. Remou como um louco até levar o barco de volta à margem e, caindo e rolando, subiu na terra firme. Ainda em choque, o pescador estava coberto de suor frio. Sentou-se longe da beira da água, ofegando pesadamente. “Você viu o rei dos peixes?” Zhang Dapo, assustado com a reação do homem, correu para perto dele. O homem balançou a cabeça freneticamente. Seus lábios estavam roxos, e ele tremia, incapaz de dizer uma frase completa. “Fala! O que você viu? Quando chegou ao barco, não estava dizendo que tinha um arpão e que, se visse o rei dos peixes, ia pegá-lo? Por que está com medo agora?” “Não tem rei dos peixes! O que estava debaixo d'água não era o rei dos peixes!” A voz do pescador saía entrecortada, misturada com sua respiração ofegante. “Não era o rei dos peixes? Então o que era?” “Gente! Era uma pessoa!” O pescador gritava descontroladamente, com as emoções muito instáveis. Enquanto ele falava com Zhang Dapo, Chen Ge ligou a lanterna do celular e iluminou o barco. A boia luminosa especial estava caída num canto do barco. Era muito maior do que as boias comuns do mercado. Chen Ge, curioso, deu mais alguns passos à frente. Ele viu, na popa do barco, alguns resquícios de algo preto, parecido com cabelo. Chen Ge era muito corajoso. Mesmo com o incidente recente na represa, ele ainda ousava ficar perto da água. Olhando para a superfície escura da água, ninguém sabia se havia algum monstro sinistro escondido lá embaixo. Suas pupilas se contraíram. Chen Ge estendeu a mão na água gelada e agarrou a corda de cânhamo. Puxou o barco para a margem e o amarrou numa estaca. Depois de fazer isso, percebeu que o pescador ainda não havia se acalmado, e Zhang Dapo também não tinha notado sua presença. “É uma oportunidade.” Chen Ge apertou o botão do gravador e pulou no barco. O corpo balançou; ele ainda não estava muito acostumado. Pegou a boia luminosa no canto. Não era muito diferente das boias comuns, apenas maior e mais chamativa: “É lisa ao toque, tem uma camada de óleo na superfície. Há uma fenda no meio, parece que pode ser aberta.” Com as duas mãos, Chen Ge torceu a boia luminosa. Um odor fraco e desagradável escapou. A cena à sua frente o surpreendeu. Dentro da boia, havia um dedo mindinho enfiado. O ferimento já havia coagulado, sem manchas de lividez. Era difícil determinar quando havia sido cortado. “Uma boia com um dedo enfiado... então do que era feita a isca que ele usava?” Chen Ge começou a entender por que o “rei dos peixes” só mordia o anzol daquele homem. A isca dele era realmente muito especial. Pegou um pano no barco, limpou as impressões digitais da boia e a colocou de volta no lugar. Depois, como se nada tivesse acontecido, pulou na margem e, com um certo desgosto, caminhou em direção ao pescador. Enquanto andava, a expressão no rosto de Chen Ge mudava lentamente. Quando chegou perto do homem, já estava normal. O pescador estava muito assustado, agarrado ao braço de Zhang Dapo, falando sem parar: “Gente! Como algas, uma camada após outra, flutuando para cima!” “Leva ele para o hospital. Deve estar com problemas na cabeça.” Os sintomas que o pescador apresentava eram os mesmos dos visitantes mal-intencionados que entravam em sua casa mal-assombrada. Chen Ge deu uma olhada rápida e já ofereceu sua opinião de tratamento. “Tá bom.” Zhang Dapo finalmente conseguiu levantar o pescador, mas o homem o empurrou: “Não estou mentindo para vocês! Aquilo não era o rei dos peixes! Era gente!” “O rei dos peixes virou um espírito?” Zhang Dapo sorriu amargamente: “Se acalma. Vai para o hospital primeiro.” “Que hospital? Eu não estou doente!” O homem empurrou Zhang Dapo novamente. Parecia que de repente se lembrou de algo. Correu para a beira da água, hesitou um pouco e pulou no barco. “O que você vai fazer lá?” Zhang Dapo, preocupado que o homem pudesse se machucar, foi atrás dele. Mas, naquele momento, o pescador já havia voltado para a margem e colocado a boia luminosa especial no bolso. “Nessa hora, ainda se importa com a sua boia? O que é mais importante, você ou a boia?” O pescador não respondeu a Zhang Dapo. Depois de pegar a boia, saiu correndo para fora da represa, sem olhar para trás, não importando o quanto Zhang Dapo gritasse. “Não vai levar nem a vara? Essa vara não vale nem a boia?” “Talvez a boia esconda algum segredo.” Chen Ge fez sinal para Zhang Dapo não se aproximar da água: “Irmão, você sabe como se chama aquele homem e onde ele mora?” “Você precisa falar com ele?” “Também sou apaixonado por pesca. Queria trocar uma ideia com ele e aprender um pouco. Aproveito para devolver a vara.” “Ele se chama Yu Qingjia. Tem um temperamento muito estranho. Depois do divórcio, mora sozinho nos subúrbios do leste. Não sei o endereço exato, só sei que fica perto da represa.” Depois de obter essa informação importante, Chen Ge pegou a vara de pesca no barco e foi direto atrás do homem. Zhang Dapo viu Chen Ge desaparecer lentamente na noite e coçou a cabeça: “Esse cara também parece meio estranho. Será que ele só quer um pretexto para roubar a vara? Não fui enganado, fui?” Chen Ge tinha boa resistência. Seguindo o pescador de longe, mantinha uma distância. Ele suspeitava que o homem estivesse envolvido em um caso de homicídio. Precisava investigar isso. Além disso, também queria saber o que exatamente o homem tinha visto na represa.