Capítulo 575: Sob as Águas Profundas
O pescador não era tolo. Para evitar imprevistos, amarrou uma corda de cânhamo na proa do barco. Caso algo desse errado, quem estivesse na margem poderia puxar a corda e arrastar o barco de volta.
— Vocês dois fiquem vigiando na margem. Quando eu acender a lanterna de pesca lá, vocês puxam de volta. — Ele ligou a lanterna de pesca que carregava consigo, respirou fundo e saltou para dentro do pequeno barco.
A superfície da água era escura; ninguém sabia o que se escondia abaixo. Era assustador de se olhar.
O corpo balançava junto com o barco. O pescador sentou-se devagar, colocou o arpão ao alcance da mão e prendeu a lanterna de pesca entre as pernas. Só depois de fazer isso é que pegou os remos.
— Você não quer reconsiderar? — Zhang Dapo segurava a corda de cânhamo. Ele realmente temia que o pescador não voltasse. Depois de pescar tantos peixes, acabar sendo devorado por um deles seria um fim trágico demais.
— Alguns peixes ficam mais ativos à noite. O rei dos peixes só morde a isca à noite, o que mostra que é desse tipo. Se adiarmos mais, será ainda mais perigoso. — O pescador fingia estar calmo. Segurou os remos com as duas mãos e lentamente afastou o barco da margem.
— Esse cara está mesmo pedindo para morrer. — Chen Ge raramente julgava os outros dessa forma. Ele não era bom em natação; se fosse ele, certamente não iria buscar a bóia naquele momento.
Ele não tinha medo de espíritos malignos ou fantasmas, mas, ao olhar para a superfície escura e ondulante da água, sentia um temor indescritível.
Era quase um instinto. Uma voz em sua mente o alertava: havia algo sob aquela água, a represa era perigosa, era melhor não se aproximar.
O pescador se distanciava cada vez mais de Chen Ge e dos outros. Para piorar, a bóia também se afastava com a correnteza.
No início, estava a apenas seis ou sete metros da margem; agora já flutuava a mais de dez metros.
De costas para Chen Ge e os outros, o pescador deixou de lado as preocupações e remou com força. O barco se aproximava do local onde a bóia noturna estava.
A vasta represa estava silenciosa de dar medo. Na margem, Chen Ge e Zhang Dapo prendiam a respiração enquanto observavam o pescador.
Ambos já tinham visto o rei dos peixes morder a isca e sabiam que um monstro realmente habitava aquela represa.
A noite era densa, sem lua ou estrelas. O céu estava coberto por nuvens escuras, e a superfície da represa também era negra. O céu e a água pareciam uma boca escancarada, e o pescador remava em direção ao fundo dela.
— Quase lá. — Sentado no barco, o pescador mantinha os olhos fixos na bóia noturna não muito distante. Rangia os dentes, forçando-se a não olhar para a água ao redor.
— Não vai dar problema. O rei dos peixes se assustou; agora deve estar evitando o barco. Da outra vez, quando a polícia veio buscar o corpo à noite, essa coisa se escondeu. — O pescador tentava se consolar. Seus movimentos se aceleravam, sem ousar perder tempo.
O silêncio ao redor era absoluto. Só se ouvia o som dos remos batendo na água, um barulho que irritava o pescador sem motivo.
— A bóia parece continuar se movendo. A direção da correnteza não me favorece. Mas tudo bem, a corda é comprida. Enquanto ela não esticar, consigo pegá-la.
Uma ponta da corda de cânhamo estava amarrada a uma estaca na margem, e a outra, na proa do barco, ligando o barco à terra firme como se fosse um cabo de segurança.
Talvez por causa da correnteza, o homem e a bóia mantinham uma distância constante.
O barco se afastava cada vez mais. Aos poucos, Zhang Dapo percebeu que algo estava errado: — Ele já passou de dez metros de distância de nós, mas a corda mais comprida que tenho no depósito tem só dez metros. Será que ele emendou várias cordas?
Com dúvidas, Zhang Dapo estendeu a mão e segurou a corda de cânhamo submersa. Tentou puxá-la para trás, mas não encontrou muita resistência.
— Merda!
Ele gritou e começou a puxar a corda rapidamente com as duas mãos. Descobriu que a corda que ligava a margem ao barco havia se partido em algum momento!
— Volte já! A corda foi arrebentada! — Zhang Dapo entrou em pânico e gritou para o pescador.
Chen Ge também não esperava por essa reviravolta. Olhou para a ponta rompida da corda. O corte era irregular, não parecia ter sido feito por uma faca, mas sim mordido por algo.
— Conseguiu arrebentar a corda em tão pouco tempo. Esse "rei dos peixes" não é simples. — ChenGe tocou a borda da corda. Por ter ficado muito tempo na água, ela exalava um leve cheiro de peixe podre. Ele examinou a ponta rompida com atenção e notou que, perto dela, a corda estava cheia de marcas de dentes.
— Não parece ter sido mordida por um único peixe. Parece que muitos peixes atacaram juntos para rasgá-la. — Chen Ge achava as marcas estranhas, mas não conseguia identificar exatamente o que era.
Zhang Dapo continuava gritando para o pescador, mas ele parecia não ouvir nada.
— Está enfeitiçado?
Enquanto Zhang Dapo se desesperava sem saber o que fazer, o pescador finalmente se aproximou da bóia noturna.
— Só faltam dois metros! — O pescador estava sentado de costas para Chen Ge e Zhang Dapo. Não olhou para trás. Sabia apenas que a corda estava ligada à estaca na margem. Quando a corda esticasse ao máximo, o barco seria puxado. Como ainda conseguia remar para frente, significava que estava a menos de dez metros da margem.
— Volta!
Algum som vago vinha de trás, mas o pescador parecia ter a mente enfeitiçada. Seus olhos de peixe morto fixavam a bóia noturna.
Faltava apenas um metro.
Ele moveu o corpo para a frente, sentou-se na proa e ergueu a lanterna de pesca.
A luz iluminou a superfície da água. Ele percebeu que, mesmo naquele momento, a bóia noturna continuava se movendo, e a direção não parecia coincidir totalmente com a correnteza. Era como se algo estivesse puxando a bóia lentamente por baixo.
O pescador olhou para a bóia noturna e sentiu uma sensação absurda no coração.
Era como se a bóia tivesse sido colocada de propósito pelo rei dos peixes, como isca para pescá-lo.
A bóia especial estava a um palmo de distância. O homem não hesitou mais. Ergueu a lanterna de pesca.
A luz atravessou a superfície da água. Não havia nada perto da bóia noturna.
— Falso alarme.
Com uma mão segurando a lanterna, ele estendeu a outra em direção à água.
Quando sua mão estava prestes a tocar a bóia, a superfície da água perto do barco começou a se agitar violentamente.
Em seguida, sob a luz da lanterna, o homem viu uma grande sombra subindo rapidamente de baixo da bóia!
O rei dos peixes!
O pescador nem se importou mais com a bóia noturna. Agarrou o arpão que estava no barco.
Mas, quando olhou de novo com o arpão em mãos, a sombra debaixo d'água havia desaparecido.
— Para onde foi?
Antes que pudesse respirar aliviado, o barco balançou com força, como se algo quisesse virá-lo.
— Está debaixo do barco!
O pescador se agachou para baixar o centro de gravidade, mas a lanterna de pesca que estava na proa escorregou e caiu na água.
— Droga!
O homem viu a lanterna começar a afundar. Foi muito rápido. Aproveitando o último clarão, estendeu a mão e agarrou a bóia noturna. Depois, virou-se e gritou para a margem: — Rápido! Me puxem de volta!
Quando se virou, percebeu que, sem saber como, já estava muito longe da margem.
E na parte de baixo da bóia noturna que ele segurava, havia uma linha de pesca enrolada, coberta de cabelos pretos que exalavam um cheiro de peixe.