Capítulo 573: Capítulo 573 Capítulo 560 Salvar alguém precisa de motivo?

Capítulo 560: Salvar alguém precisa de motivo?

“Diante da doença, a gente se sente pequeno. Foi algo que entendi só recentemente.” O homem tossia sem parar, seu corpo já não aguentava mais. “Antes eu era uma pessoa de pavio curto, mas o câncer foi desgastando minhas arestas. Lutando contra ele, percebi como somos frágeis.”

“Não vá mais adiante, pare um pouco para descansar. Estou quase chegando ao Centro Mundial de Comércio de Jiujiang. O que tiver para conversar, a gente fala melhor quando se encontrar.” Chen Ge mentiu sobre sua localização e fez gestos para o motorista, apressando-o a dirigir mais rápido.

A pesquisa online mostrava que a Academia de Estudos Clássicos, construída ao lado da linha férrea, ficava nos arredores do sul, não muito longe de onde ele estava.

“Já fiquei parado por muito tempo. É hora de seguir em frente.” A voz do homem tremia, cada tosse sacudia seu corpo inteiro, uma dor indescritível. “Sei que você está tentando me ajudar, mas eu também quero ver outras paisagens. É por isso que estou indo para aquele lugar tão alto.”

Chen Ge não sabia como convencer o homem; afinal, ele não era um psicólogo profissional.

“Quando a gente morre, não sobra nada. Se acalme primeiro. Pense nas coisas inacabadas na sua memória, nas pessoas preciosas da sua vida que ainda estão esperando por você. Cada minuto, cada segundo que passaram juntos é importante para elas.” Chen Ge estava acelerado, também um pouco desesperado, acenando freneticamente para o motorista.

O motorista era esperto; ao ouvir o que Chen Ge dizia, percebeu a gravidade da situação e acelerou ainda mais.

Voltando pelo mesmo caminho, logo passaram pela entrada do parque infantil e seguiram em direção à borda do subúrbio sul.

Nos arredores de Hanjiang, o subúrbio oeste era o maior, e o sul, embora tivesse o transporte mais conveniente, era o menor em área.

A voz do homem no telefone foi diminuindo aos poucos. Ele parecia tratar Chen Ge como seu último ouvinte, contando muitas coisas sobre si mesmo.

O táxi corria pela estrada, os prédios dos lados ficavam mais baixos, e os transeuntes, mais escassos.

Dentro do carro, Chen Ge dividia a atenção: enquanto conversava com o homem ao telefone, seus olhos fixavam-se do lado de fora, comparando o mapa em busca da Academia de Estudos Clássicos.

Do outro lado, a tosse do homem se intensificava, como se ele fosse tossir os pulmões para fora. Não era exagero; só pelo som, Chen Ge já sentia a dor que o homem estava sofrendo naquele momento.

“Aguente firme! Já estou chegando!” Chen Ge estava angustiado. O som do outro lado era tão real que ele sentia que ainda havia chance de reverter a situação.

“Tudo bem, já estou acostumado.” O homem tossiu por um bom tempo antes de conseguir dizer uma frase. Sua voz soava estranha, com um toque de resignação, um pouco de alívio e também um pouco de relutância.

Ele se esforçava para falar cada palavra claramente, mesmo que isso machucasse sua garganta já inchada pela tosse e os nódulos no pescoço: “Já fico feliz por você ter conversado tanto comigo. Volte, não estou no lugar que você disse. Não venha me procurar. Deixe-me seguir o resto do caminho sozinho.”

O vento aumentou, e Chen Ge prendeu a respiração. Agora, só temia ouvir o apito do trem no telefone.

Quando aquele som soasse, provavelmente seria o momento em que o homem chegaria ao “destino”.

Minutos depois, o motorista deixou Chen Ge no local.

No fim da rua, havia um grande pátio de estilo antigo, antiga residência de um literato de Jiujiang. A Academia de Estudos Clássicos ficava ao lado desse pátio.

O motorista, esperto, não interrompeu a conversa de Chen Ge com o homem. Ao parar, apontou para fora e depois para o taxímetro.

Chen Ge, apressado para encontrar o homem que planejava se deitar nos trilhos, tirou algumas notas do bolso e as entregou ao motorista. Então, abriu a porta, pegou a bolsa e saiu correndo.

Do outro lado do telefone, a consciência do homem estava se turvando. Sua voz vinha entrecortada, as palavras desconexas, num estado perigoso.

“Sua história ainda não terminou. Você estava falando do primeiro encontro com sua esposa. O que aconteceu depois?” Chen Ge não ousava deixar o homem parar de pensar; tentava fazê-lo continuar falando.

Ao sair da rua, avistou ao longe os trilhos de ferro, com barreiras de isolamento dos dois lados, mas algumas estavam faltando, provavelmente removidas por moradores locais para facilitar a passagem.

Onde está ele?

O local que combinava com as informações do apito do trem e da Academia de Estudos Clássicos era aquele. O telefone ainda não havia sido desligado, então Chen Ge não ousava fazer muito barulho. Corria ao longo das barreiras, com o vento zunindo nos ouvidos.

Os trilhos na escuridão pareciam uma escada para o outro lado do mundo, sem fim, adentrando o coração da noite.

“Esta escada não leva ao céu…”

O próximo trem não se sabia quando viria. Tudo que Chen Ge podia fazer era dar o máximo para encontrar o homem e levá-lo a um lugar seguro.

Chen Ge não sabia se estava certo ou errado, mas ainda queria, com suas forças, fazer o homem pensar mais uma vez.

Com o celular numa mão e uma sacola grande na outra, Chen Ge corria sozinho ao lado dos trilhos: “Se acalme! Você precisa se acalmar!”

As duas primeiras vítimas, Chen Ge não conseguira salvar. Desta vez, não deixaria escapar.

A tosse soou novamente. O estado físico do homem parecia ter chegado ao limite. Ele parou de andar e não prosseguiu.

“Estou quase chegando àquele lugar.” A voz do homem saiu do telefone. “Ainda sinto um pouco de apego. Devia ter passado mais tempo com eles.”

Enquanto o homem falava, as pupilas de Chen Ge se contraíram. Usando sua visão noturna, viu uma silhueta ao longe.

A pessoa estava sentada no meio dos trilhos, diante dela uma linha férrea que se estendia na escuridão como se não tivesse fim.

É ele?

Chen Ge correu em direção à pessoa. Aos poucos, um ponto de luz apareceu na escuridão.

O vento uivou, e a voz do homem veio pelo telefone: “Já estou vendo o lugar para onde queria ir. É uma luz, uma luz que se aproxima…”

“Rápido! Saia daí!”

Chen Ge sabia muito bem o que era aquela luz: o trem estava chegando!

Ele largou a sacola e correu em direção à sombra.

No telefone, o som do trem ficava cada vez mais nítido, e Chen Ge se aproximava cada vez mais da silhueta.

Ele ignorou todo o resto; naquele momento, só tinha um pensamento: puxar aquela sombra para fora.

Correndo a toda velocidade, Chen Ge viu o trem veloz. Mordeu os lábios até sangrar e seguiu em frente, de cabeça erguida.

Se houvesse um terceiro ali, teria a impressão de que Chen Ge estava se jogando de encontro ao trem que vinha na direção oposta.

“Saia daí!”

Em questão de piscar de olhos, Chen Ge já estava diante da sombra.

Antes que o trem chegasse, ele estendeu a mão para agarrá-la.

A palma da mão estava gelada. Sem tempo para pensar, Chen Ge segurou aquilo e rolou para fora dos trilhos.

O trem passou ao lado, faltando apenas alguns segundos.

O corpo inteiro encharcado de suor frio, Chen Ge nunca sentira tanto medo, nem mesmo diante dos espectros de vermelho.

As rodas do trem trituravam os trilhos, um som pesado. Só depois que o trem passou é que ChenGe suspirou aliviado.

“Você está bem?”

Ele olhou rapidamente para a sombra que havia agarrado. Ao erguer a cabeça e olhar ao redor, viu que a silhueta estava do outro lado dos trilhos, mantendo distância de Chen Ge.

“Por que você me salvou?” A voz da sombra era a mesma do telefone.

“Salvar alguém precisa de motivo?” Chen Ge devolveu a pergunta, desligou o telefone e caminhou em direção à sombra.

À medida que se aproximava, as feições da sombra começaram a mudar lentamente. Gotas de sangue escorriam por baixo da pele, tingindo lentamente o casaco.