Capítulo 572: Capítulo 572 Capítulo 559 A Escada do Paraíso

Capítulo 559: A Escada para o Céu

O portão enferrujado estava firmemente fechado. Chen Ge removeu a placa de "Proibida a Aproximação" e entrou no parque infantil abandonado.

O arco-íris descascado, a fonte sem água e o carrossel que nunca mais giraria.

Ninguém entrava ali há muito tempo. Chen Ge andou por ali, parando finalmente na porta do depósito.

Em uma sala mofada, jogada no chão, estava uma fantasia velha do Doraemon, de desenho animado.

— Alô? Você ainda está aí?

Chen Ge nunca havia desligado a ligação, mas até agora, ninguém respondia do outro lado.

Ele entrou no depósito, pegou a fantasia de personagem de desenho no chão e segurou a cabeça do Doraemon com uma mão.

— Vou guardar a roupa para você. Descanse um pouco. Quando amanhecer, eu te acordo.

Chen Ge encontrou um saco grande por perto e enfiou a fantasia de personagem de desenho lá dentro. Ao dobrar a roupa, descobriu uma foto no bolso da barriga do Doraemon.

Parecia ter sido tirada em um hospital. Um pai jovem conversava com um médico, enquanto um menino magro como um esqueleto se escondia atrás do jovem.

Guardou a foto. Quando Chen Ge olhou para o celular novamente, percebeu que a ligação havia sido encerrada.

— Esqueci de perguntar o nome dele. — Chen Ge pensou um pouco e percebeu que, nem nas reportagens online nem com a senhoria, ninguém havia chamado o homem pelo nome.

Era como se ele vivesse dentro da fantasia de personagem de desenho, e as pessoas só soubessem que havia um Doraemon que gostava de crianças no parque.

Segurando o celular, ChenGe olhou para o número de telefone.

Duas ligações, duas vidas diferentes, dois mortos diferentes.

— O que esse número significa, afinal? Por que todo morto liga para ele antes de morrer? Como vou encontrar o espírito vingativo que sorteei?

Chen Ge pensou, mas não teve ideias. Decidiu continuar ligando.

Com uma mão segurando o saco grande com a fantasia de desenho, ele discou o número com a outra.

— Pela probabilidade, o espírito vingativo desta vez deve ser mais forte que Yan Danian, o Velho Zhou e os outros juntos.

O telefone tocou três ou quatro vezes e finalmente foi atendido. Com a experiência das duas vezes anteriores, Chen Ge foi direto ao assunto:

— Olá, em que posso ajudar?

Do outro lado, estava muito barulho. Chen Ge ouviu o som de um trem passando.

Quando o som do trem desapareceu, o outro lado ficou quieto novamente, e ele ouviu crianças recitando algo.

— Alô? — Chen Ge saiu do parque infantil carregando o saco, chamou um táxi e disse ao motorista para seguir em frente.

O som do vento saía do telefone. Chen Ge não apressou o outro. Esperou pacientemente. Não se sabe quanto tempo depois, uma tosse violenta soou do telefone.

— Você... está bem? Não está se sentindo bem? — A voz de Chen Ge era calorosa, sempre capaz de dar força às pessoas: — Precisa que eu faça algo?

— Obrigado, não precisa. — A voz do homem do outro lado parecia ter carvão em brasa na garganta, muito desagradável, e ele tossia violentamente ao falar.

— Você parece muito mal. Não fique aí fora. Volte para casa, ou me diga onde está, que posso te levar ao hospital. — Chen Ge resumiu as duas ligações anteriores: ele sempre chegava depois que a ligação era encerrada. Desta vez, ele queria encontrar a pessoa antes que a ligação terminasse.

— Agradeço sua gentileza, mas hospital não precisa. Minha doença, o hospital já não pode curar. — O homem tossiu por um bom tempo até se acalmar. Ele andava devagar, e o vento estava forte.

— O hospital não pode curar?

— É. Fiquei muito tempo no hospital, mas a doença não melhora. Às vezes sinto que não é uma doença, mas uma parte do meu corpo.

Chen Ge não entendeu bem as palavras do homem:

— Irmão, que doença você tem, afinal?

— Câncer de pulmão, já em estágio avançado.

O homem falava como se fosse algo banal, mas o coração de Chen Ge deu um pulo:

— Então por que você está sozinho lá fora? E sua família? Deixa eu te levar para casa. O vento está forte.

— O vento hoje está realmente forte. — O homem tossia de vez em quando. Sua condição física era péssima, como se pudesse cair a qualquer momento: — Saí escondido da minha família.

Um paciente com câncer de pulmão em estágio avançado saindo escondido da família. Chen Ge pensou imediatamente nos protagonistas das duas ligações anteriores e percebeu o perigo:

— Isso é muito perigoso. Pode me dizer onde está? Não vou interferir em suas decisões, só quero andar com você, está bem?

— Vou andando devagar sozinho. Na verdade, desde que soube que tinha câncer de pulmão, sempre quis ir a um lugar.

— Ir a um lugar?

— Esse lugar fica no alto. Para chegar lá, é preciso subir muitas escadas.

— Você quer ir ao Centro Comercial Mundial de Hanjiang? Por que lá? — Chen Ge raramente ia ao centro da cidade, mas sabia que o Centro Comercial Mundial era o lugar mais alto de Hanjiang, de onde se podia ver toda a Jiujiang.

Pensando nisso, Chen Ge fez sinal ao motorista para ir para o Centro Comercial Mundial de Jiujiang.

O homem não respondeu à pergunta de Chen Ge. Ele continuava tossindo, e só de ouvir pelo telefone já era angustiante.

— Irmão, fica aí. Vou te buscar.

— Não precisa. — Depois de tossir, o homem pareceu achar que Chen Ge era realmente uma boa pessoa. Ficou em silêncio por um momento e então falou por iniciativa própria: — Você se parece muito com meu médico anterior. Tanto no tom de voz quanto no estilo. Não está se passando por ele, está?

— Médico? — Chen Ge pensou seriamente se deveria interpretar algum papel para extrair informações do homem.

Ele sabia que aquele número tinha problemas. Todo morto ligava para ele no final.

Pensando bem, a última pessoa com quem os mortos entravam em contato poderia ser um médico, então aquele número poderia ser de algum médico.

— Não leve a sério, foi só um palpite. — O homem não tinha senso de humor e ria com dificuldade. Dava para perceber que ele sofria.

— Irmão, pode me contar sua história? Guardar algumas coisas no peito é doloroso. Melhor falar. — O subúrbio sul não ficava longe do Centro Comercial Mundial. Chen Ge achou que desta vez conseguiria chegar a tempo.

— Não tenho muita história. Minha primeira metade da vida foi muito comum. Talvez por fumar e ter uma rotina irregular, no ano passado descobri o câncer de pulmão. — A voz do homem era calma, exceto pela tosse, sem grandes variações emocionais.

— Fiz três ciclos de tratamento no hospital oncológico e depois voltei para casa, para aproveitar o tempo que me resta e ser feliz.

— Não sou um covarde. Lutei contra isso. É uma guerra de atrito. Eu queria usar a melhor atitude e as coisas mais felizes para vencer, e ele queria me derrubar com dor e medo.

— Essa guerra dentro do meu corpo foi cruel. Eu disse a ele: "Não vou me render", e ele usou todos os meios para me fazer baixar a cabeça.

— A respiração ficou difícil, dores constantes pelo corpo, febre baixa, etc.

— Meu peso só caía, os membros doíam tanto que não conseguia levantar, cada tosse sacudia o corpo inteiro, mas eu me recusava a tomar analgésicos.

— Não sou um covarde. — Era a segunda vez que o homem enfatizava que não era um covarde.

Chen Ge não perguntou o motivo. Apenas assentiu e disse três palavras:

— Eu entendo.

O homem pareceu aliviado:

— Cerca de um mês depois, apareceu um linfonodo no meu pescoço que dava para sentir com o dedo. Na época, sentia que não conseguia respirar, nem água conseguia engolir.

— Fui ao médico, e eles disseram que era por causa da tosse com sangue prolongada, que inchou a garganta, e o linfonodo aumentou, comprimindo o esôfago.

— Não venci o inimigo anterior, e agora tenho mais um adversário. Mas ainda não vou me render. — O homem era teimoso, como quando insistia para Chen Ge, um estranho, que não era um covarde.

O vento aumentou. As crianças recitando poemas não eram mais ouvidas. O homem continuava andando.

— Irmão, me diga onde você está. Deixa eu te buscar, está bem? — Chen Ge estava realmente preocupado. Sentia que, se fosse agora, poderia mudar algo, mesmo que a esperança fosse mínima.

— Estou em uma escada longa. — O homem tentou rir, mas assim que abriu a boca, começou a tossir violentamente.

— Escada? — Chen Ge ouviu o vento do lado do homem e achou estranho.

Uma escada do lado de fora do prédio? Ele já estava no Centro Comercial Mundial? Tinha subido até o topo?

Chen Ge já tinha ido ao Centro Comercial Mundial antes. Não havia escada externa lá. Percebeu que tinha se enganado.

— Estou subindo a escada, passo a passo, em direção ao lugar que quero ir. Deve estar perto. — Enquanto falava, a dor no corpo do homem não desaparecia. Cada tosse era um tormento.

Chen Ge mandou o motorista, já impaciente, parar o carro. Segurou o celular e pensou do começo ao fim nas palavras do homem.

Escada, o lugar que queria ir era no alto...

Chen Ge conseguia ouvir a dor oculta nas palavras do homem. Ele enfatizava a luta feroz contra a doença, que não era um covarde, que não estava fugindo.

Por que alguém assim, em um certo dia, sairia escondido da família?

Quando estava sofrendo tanto, por que queria ir a algum lugar no alto?

Chen Ge ouviu com atenção. O homem estava fraco, os passos calmos, não parecia estar subindo escadas.

— Escada no chão? Existe um lugar assim? — Enquanto pensava, algo veio à mente de Chen Ge. Quando a ligação foi atendida, ele ouviu o som de um trem passando!

Trilhos!

Os dormentes entre os trilhos pareciam degraus no chão. Se pensasse assim, o "alto" que o homem queria ir não era o Centro Comercial Mundial.

Ele estava procurando a morte!

O fim daquela escada era a morte, o fim de todo o sofrimento para ele.

E por ter desistido, ele insistia para Chen Ge, um estranho, que não era um covarde.

Entendendo isso, Chen Ge começou a pesquisar na internet.

Ele também tinha ouvido crianças recitando textos clássicos. Havia duas escolas de estudos clássicos em Hanjiang, e uma delas ficava perto da linha férrea.

Levantou o celular e fez sinal ao motorista para ir para lá.

Feito isso, começou a tentar confortar o homem, para ganhar mais tempo.