**Capítulo 53: A cadeira está mesmo se mexendo**
O motorista, de rosto pálido, soltou uma risada seca: "Então, boa sorte pra você." "Com certeza. Posso desligar o celular?" Chen Ge exibiu um sorriso que ele achava amigável: "Foi só um mal-entendido." "Claro, sem problemas." O motorista concordou de forma descontraída, tocou rapidamente no celular algumas vezes e seguiu em frente por uns dois ou três metros. De repente, o rádio comunicador do carro acendeu uma luz vermelha. Ele tocou levemente no aparelho, e antes mesmo de falar, uma voz rouca saiu dele. "Lao Liu, você também está na Escola Particular do Oeste? Fiquei curioso pra saber por que alguém iria pra lá tarde da noite. Eu também peguei um passageiro aqui, estamos bem perto. Aliás, o que você postou no grupo? Fui enganado por um pedaço de pau?" "Nada, nada. Cuida da tua direção." O motorista enxugou o suor da testa e desligou o rádio. "Quer dizer que fui sequestrado, foi? Moço, cadê a confiança básica entre as pessoas?" Chen Ge ergueu uma sobrancelha, também preocupado que a polícia pudesse ser chamada: "Pare aqui mesmo." "Tá!" O motorista parou o carro sem hesitar, as pernas ainda tremendo. Chen Ge conferiu seus pertences, colocou a mochila nas costas e desceu do carro. Ao fechar a porta, levantou a cabeça e viu uma mensagem rolando no letreiro no teto do táxi: Fui sequestrado, chamem a polícia! "Você é bem criativo." Observando o táxi partir em disparada, após uns dez segundos, um silêncio mortal tomou conta dos cem metros ao redor. Não havia estrelas nem lua no céu, parecia que ia chover. As nuvens estavam baixas, sem nenhum clarão. Chen Ge ligou o celular e olhou a hora. Faltavam oito minutos para o prazo final combinado. "Há pouco, no carro, alguém no rádio disse que também trouxe um passageiro para a Escola Particular do Oeste, vindo nesta direção depois da uma da manhã. Será que tem a ver comigo?" Ele ficou alerta. Se não fosse o limite de tempo, provavelmente teria se escondido na beira da estrada para ver quem estava seguindo ele. "Faltam oito minutos. É melhor eu entrar na escola primeiro. Depois de me familiarizar com o terreno, já terei uma vantagem." Os arredores da Escola Particular do Oeste eram um terreno baldio, sem nenhuma luz visível. Apenas uma estrada cada vez mais estreita cortava a mata e os arbustos. Ligando a lanterna do celular, Chen Ge caminhou pela estrada por quase cem metros até chegar ao portão principal da escola abandonada. Correntes e grades estavam enferrujadas juntas. O portão estava fechado. Olhando por entre as grades de ferro, tudo era escuridão. "Como vou entrar?" Chen Ge hesitou do lado de fora por um momento, jogou a mochila para dentro do campus, correu, saltou, agarrou o topo do muro e pulou. O campus não era grande, dava para ver os limites de uma só vez. Na escuridão, erguiam-se algumas silhuetas negras de prédios, como vigias solitários da noite. A placa da escola já havia sido removida. Na verdade, Chen Ge nem sabia o nome verdadeiro da escola; só sabia que todos a chamavam de Instituto Particular do Oeste. Os arbustos cresciam desordenados, dificultando a visão do caminho. De vez em quando, algo roçava suas pernas, causando uma sensação de coceira e dor. "Cheguei dentro do prazo. Agora, a próxima tarefa é entrar e encontrar os sapatos de dança vermelhos de Zhang Ya." Chen Ge pegou o martelo de ferramentas da mochila. Segurando o cabo frio, sentiu-se mais seguro. Usando a luz do celular, Chen Ge caminhou em direção ao interior da escola. Mal tinha dado alguns passos, quando sentiu algo estranho. Parou e deu alguns passos para trás. "Será impressão minha? Por que sinto que, quando ando para dentro da escola, meus ombros são empurrados? E quando ando para trás, sinto uma força bloqueando minhas costas, uma resistência estranha." Virou a cabeça para olhar os ombros, mas não havia nada. Também iluminou as costas com a lanterna, sem ver fantasmas ou coisas do tipo que imaginava. "Será que ela já chegou? Está ao meu lado? Só que não consigo vê-la?" Chen Ge estremeceu. Teve vontade de balançar o martelo para trás para testar, mas pensou: e se for realmente Zhang Ya atrás dele? Se acertar, e ela ficar com raiva? Ele era apenas um dono de casa mal-assombrada solitário, fraco e indefeso. Num lugar deserto como aquele, irritar um espírito maligno seria desastroso. "Deixa pra lá. Vou entrar primeiro." ChenGe colocou a mochila, ergueu o celular e, com o martelo em punho, entrou no campus. A noite ficava cada vez mais densa. O vento começou a soprar, trazendo consigo uma garoa fina como pelos de boi. "O lugar mais provável para os sapatos de dança estarem é no vestiário feminino da sala de dança ou no dormitório onde Zhang Ya morava. Esses dois lugares precisam de uma verificação minuciosa." Chen Ge caminhou em direção ao prédio mais próximo. As árvores no campus cresciam tortas, o chão estava coberto de mato alto, e havia muitas estátuas espalhadas, a maioria figuras humanas, que pareciam assustadoras na escuridão. "Alojamento feminino?" Um prédio de quatro andares, não muito alto, mas, talvez por estar abandonado há tanto tempo, tinha um ar sombrio. A porta de vidro do alojamento estava trancada com correntes. Ele encostou o rosto na porta e olhou para dentro. Um corredor escuro, com todas as portas dos dois lados firmemente fechadas. O mais estranho era que, bem no meio do corredor, havia uma cadeira de costas para a porta do dormitório. "Uma cadeira colocada exatamente no meio do corredor? Tem algum significado especial?" Chen Ge deu um pequeno passo para trás: "O portão da escola e a porta de vidro do alojamento estão trancados. Não há lixo no corredor. Dá para ver que, quando a escola foi fechada, tudo foi limpo. Mas por que eles deixariam uma cadeira no meio do corredor? É pra irritar quem tem TOC?" "Se a cadeira foi deixada pela administração da escola, qual seria o motivo? Se não foi, quem a moveu para o meio do corredor depois que as portas foram trancadas?" Chenge apontou o celular para a porta de vidro do alojamento. A cadeira estava a cinco metros da saída, e acima dela, uma lâmpada do corredor estava quebrada. "A lâmpada do corredor está quebrada, os fios para fora. Cadeira, fios... Essa cena não parece de um enforcamento?" Para ser sincero, ao ver uma cena tão estranha, o coração de Chen Ge disparou: "Devo estar pensando demais." Ele olhou em volta. O vento noturno balançava as folhas. Depois da uma da manhã, o campus ficava cada vez mais estranho. "Não posso me assustar à toa. O espírito maligno de vestido vermelho, Zhang Ya, é a coisa mais assustadora desta escola. Eu tenho a carta de amor dela. Quem ousaria me incomodar?" Naquela situação, Chen Ge só podia se consolar assim: "Isso é só uma missão de afinidade, no fundo, um encontro especial. Não precisa ficar nervoso, muito menos com medo." Ele falou sozinho para se encorajar. Depois, segurando o martelo, foi até a porta de vidro. Quando estava prestes a quebrar o vidro para entrar e dar uma olhada, seus olhos captaram um detalhe. A cadeira, que antes estava exatamente alinhada com a lâmpada do corredor, agora estava um metro deslocada. Parecia que ela tinha se movido para frente. "Caramba?" Era a primeira vez que Chen Ge passava por algo assim: "Será que eu vi errado?"