Capítulo 52: Capítulo 52 Primeiro Encontro

Capítulo 52: O Primeiro Encontro

Respirando fundo algumas vezes, Chen Ge lavou o rosto com água fria. Só depois de um bom tempo conseguiu se acalmar. "Está na hora de partir." Chen Ge pegou a mochila que usara da última vez e colocou dentro a carta de amor de Zhang Ya, o carregador portátil e o martelo de ferramentas. Aprendendo com a experiência anterior, enfiou a faca de fruta diretamente no bolso da calça e guardou a boneca de pano que seus pais lhe deixaram no bolso interno da roupa. Embora parecesse inchado e pouco estético, pelo menos isso o deixava mais tranquilo. Depois de arrumar tudo, Chen Ge trancou a porta da casa mal-assombrada e saiu correndo do parque de diversões. Era meia-noite e quinze, e havia poucos carros na estrada. Depois de esperar mais dez minutos, ele finalmente conseguiu pegar um táxi no cruzamento. "Vou para perto da Escola Particular da Cidade Oeste. Estou com pressa, por favor, seja rápido." "Tá bom, pode entrar." O motorista era um tio bem descontraído, e no carro tocava um DJ que estava na moda há alguns anos. O carro arrancou, e Chen Ge, sentado no banco de trás, começou a pesquisar na internet informações relacionadas à missão. Assim que abriu a missão de afinidade, a primeira coisa que apareceu foi o conto de fadas "Os Sapatos Vermelhos", de Hans Christian Andersen. Ele encontrou a versão original do conto online, leu-a rapidamente e achou a história um tanto perturbadora. A história conta principalmente sobre uma garota que ganha um par de lindos sapatos vermelhos. Ela os usa frequentemente para ir à igreja. Talvez por profanar o divino, seus sapatos não podem mais ser tirados, e ela é forçada a dançar sem parar. Com medo, desamparo e exaustão, ela implora a um lenhador que corte suas pernas. A partir daí, a parte mais intensa do conto surge: as pernas cortadas, ainda calçando os sapatos vermelhos, saem pulando para longe... "Isso é um conto de fadas?" Chen Ge não ousava imaginar aquela cena em sua mente. Sua missão naquela noite era encontrar os sapatos vermelhos de Zhang Ya. "Quando recebi a carta de amor amaldiçoada, o celular preto tinha uma descrição sobre Zhang Ya: ela usava um uniforme escolar manchado de sangue e um par de sapatos vermelhos, e estava vestida assim quando morreu. Será que o conto dos sapatos vermelhos é verdade? Uma vez calçados, não podem ser tirados?" O coração de Chen Ge ficou inquieto. Desta vez, a missão era diferente das anteriores. Ele enfrentaria um fantasma vestido de vermelho com uma página exclusiva, um tratamento reservado apenas aos espíritos mais rancorosos e cruéis. "Parece que os sapatos vermelhos são a chave desta noite." Chen Ge releu o conto várias vezes. Sua mensagem principal era advertir as pessoas contra a vaidade e a manter sempre humildade e reverência: "O celular preto trouxe esse conto no início da missão. Qual será o verdadeiro significado?" Ele não conseguia entender por enquanto, então saiu da página e começou a pesquisar coisas relacionadas à Escola Particular da Cidade Oeste. A escola funcionou por apenas dois anos e meio antes de ser fechada, e estava abandonada há muito tempo. Quanto ao motivo do fechamento, havia vários boatos na internet. Uns diziam que era por causa das taxas abusivas, outros por falta de documentos. Chen Ge leu todas as informações com paciência, mas o nome Zhang Ya nunca apareceu, como se ela não tivesse nenhuma relação com a escola. "Tem algo errado! A verdade não deve ser essas especulações da internet. Pode haver algo mais profundo." Chen Ge olhou para os postes de luz que passavam pela janela, os olhos semicerrados: "Que tipo de experiência pode transformar uma mulher em um fantasma vestido de vermelho? De onde vem tamanho rancor? E qual a relação com os sapatos vermelhos?" Enquanto Chen Ge refletia sozinho, o som do DJ no carro aumentou de repente. Surpreso, ele olhou para o banco do motorista e viu que o tio também o observava pelo retrovisor. "Algum problema? Por que está com essa cara feia, tão jovem?" O tio era tagarela. Assim que entrou no carro, já tinha puxado conversa com Chen Ge, mas este, por estar pesquisando informações, não lhe deu muita atenção. "Ultimamente, encontrei muitas coisas novas que nunca tinha visto antes, então estou meio sobrecarregado." Chen Ge sorriu educadamente e guardou o celular. "Pressa não leva a lugar nenhum. Tudo vai melhorar. Quando estiver irritado ou ansioso, ouça um som animado e é só balançar." O tio batia a perna no ritmo da música. Ele tinha uma ótima atitude, transformando a direção noturna do táxi em um passeio noturno: "A propósito, o que você vai fazer na Escola Particular da Cidade Oeste a esta hora? Aquele lugar é muito deserto, e parece que não tem área residencial por perto." Chen Ge abriu a boca, mas acabou dizendo: "Vou a um encontro." "Encontro? Sair para um encontro a esta hora?" O tio virou-se para olhar Chen Ge. "É sério. Não sei como explicar, mas a moça tem um temperamento difícil e um jeito meio estranho..." Chen Ge tentou ao máximo soar normal. Para um homem que nunca teve um encontro, ser convidado por uma bela moça deveria ser algo honroso. "Então é uma boa notícia! Por que se preocupar? Com medo de ela não gostar de você? Mas também, quem vai a um encontro vestido assim? Deixa eu te dizer: homem também precisa saber se arrumar. Olha essa sua mochila, não combina nada com seu estilo." O tio motorista falava sem parar, deixando Chen Ge bastante frustrado. Enquanto os outros vão a encontros felizes e cheios de expectativa, o dele era bem mais complicado. Mais do que um encontro, era uma situação de quase-coerção, uma tentativa de salvar a própria vida. "Num encontro, o homem não pode ser mesquinho. Tem que ser cavalheiro. Não peça o WeChat logo de cara. Ouça mais a opinião da moça. Para elas, a doença mais incurável do mundo é o 'macho escroto'. A primeira impressão é muito importante..." Ouvindo os conselhos do tio motorista, Chen Ge queria muito trocar o DJ do táxi por "Vestido de Casamento" para acalmar todo mundo. O carro voava pela estrada. Os veículos e prédios ao redor diminuíam cada vez mais. A estrada estreitava e os postes de luz iam desaparecendo. A paisagem do lado de fora ficava cada vez mais desolada, com pouca gente. Começaram a aparecer trechos de floresta nas laterais da estrada. "Precisa ir mais adiante? Além da escola, não tem nada por aqui. Será que você se enganou no caminho?" O tio motorista olhou para o GPS e finalmente mudou de assunto. "Não, pode parar perto da escola. Quanto é?" "Dezenove. Paga pelo celular, acabei de pegar o turno da noite e não tenho troco." "Tá bem." Chen Ge foi pegar o celular e, sem querer, acabou puxando a faca de fruta do bolso. A faca dobrável caiu no banco, fazendo o coração do tio motorista pular. O som do DJ no carro foi diminuindo. O tio fingiu levantar a mão para pegar a garrafa de água ao lado, e, discretamente, tocou em algum botão do celular com o dedo. Chen Ge percebeu todos esses pequenos gestos. Com um sorriso amargo, imaginou que o tio devia estar achando que ele era um bandido tentando roubar o carro. "Pagamento concluído." ChenGe ergueu o celular e deu mais uma olhada no banco do motorista: "Tio, você está gravando áudio, pensando em chamar a polícia?" O tio motorista, que estava bebendo água, quase se engasgou. Tossiu violentamente algumas vezes e acenou com as mãos. "Na verdade, eu entendo você. Mas..." Chen Ge olhou pela janela para o contorno sinistro da escola: "Eu realmente vim para um encontro."

Agradecimento ao leitor 20180618173502279 pelo apoio como líder de aliança!