Capítulo 508: Capítulo 508 Capítulo 498 Marido Desconhecido

Capítulo 498: O Marido Desconhecido

— Que piada é essa? Se ele é ou não meu marido, eu sei melhor que você! — Huang Ling dirigia, indiferente.

— Eu vi o celular dele. Hoje à noite, ele te ligou sete vezes. — Chen Ge abaixou a cabeça, com a mão dentro da mochila.

— Isso não prova justamente que ele me ama? — Huang Ling achava Chen Ge estranho, em todos os sentidos.

— Mas nenhuma dessas sete ligações foi atendida. A ligação que você atendeu no ônibus 104 foi de outra pessoa.

— Outra pessoa? — Huang Ling, surpresa demais, virou a cabeça para olhar Chen Ge: — Impossível!

— Dirija direito. — Chen Ge apontou para a estrada à frente, com tom calmo: — Não tenho motivo para te enganar. Só estou te avisando por boa vontade. Acredite ou não.

Depois que Chen Ge falou, o táxi ficou em silêncio, ninguém disse nada.

Huang Ling franziu os lábios, dirigindo com atenção, mas suas mãos no volante apertavam cada vez mais forte. Após alguns minutos, sem aviso, ela pisou no freio.

O táxi parou sob a tempestade, e o clima dentro do carro era estranho.

Huang Ling olhou fixamente para o volante por um bom tempo, depois se virou lentamente para Chen Ge: — O Jia Ming realmente não é mais o mesmo de antes. Depois do acidente de carro, ele ficou calado e recluso, raramente conversa comigo, passa noites em claro. O médico disse que ele provavelmente tem depressão.

— Então o ponto de virada na mudança do seu marido foi aquele acidente, certo? — Chen Ge não olhou para Huang Ling, ainda de cabeça baixa.

— Você prestou atenção no que eu disse? O Jia Ming ficou com depressão por causa do acidente. Ele está doente. — Huang Ling segurou o volante, forçando um sorriso: — Ele considerou a situação difícil da nossa família e desistiu da terapia psicológica. Depois de um tempo, também parou com os remédios, porque quatrocentos ou quinhentos reais por mês era um peso grande para nós. Na época, a casa dependia só de mim. Eu sei que ele se sentia muito mal, então entendo todas as mudanças que aconteceram com ele.

— Pense com cuidado. Além do desânimo, ele teve algum comportamento anormal? Coisas específicas que não têm a ver com a doença. — Chen Ge deu alguns exemplos: — Como você acordar de madrugada e vê-lo de olhos abertos, em pé na cama te olhando; de repente, sair uma voz diferente da boca dele; matar animais escondido e guardar os corpos no quarto, etc.

Depois de ouvir Chen Ge, Huang Ling virou a cabeça com dificuldade e olhou para o pequeno Gu no banco de trás. Já sentia um certo medo de Chen Ge: — Não. Nada disso aconteceu.

— Dê uma olhada no registro de chamadas do seu celular e pense bem. Isso pode estar relacionado à sua própria vida. — Chen Ge não tinha interesse no homem da casa de Huang Ling. O que realmente chamou sua atenção foi a pessoa que ligou para Huang Ling no carro.

— Registro de chamadas? — Huang Ling pegou o celular e olhou. Só havia sete chamadas perdidas, sem mostrar as ligações que ela fez com o marido no carro funerário.

— Você pode duvidar que estou mentindo, mas seu próprio celular não mente. — Chen Ge olhou para a tempestade lá fora: — Aconselho você a não esconder nada. O homem na sua casa já deve ter percebido algo. Na próxima vez que ficarem a sós, ele pode fazer algo estranho com você.

Huang Ling segurou o celular, demorou muito para falar: — Depois do acidente, o Jia Ming passou a odiar crianças e também coisas como bonecos de pano.

— Conte mais detalhes. — Os olhos de Chen Ge brilharam.

— Há muito tempo, ele me deu alguns bonecos de pano. Embora eu já esteja velha, essas coisas são memórias entre nós, então nunca joguei fora. Guardei tudo no armário e de vez em quando tirava para olhar.

— Não me lembro de quando foi, mas percebi que um boneco sumiu do armário.

— No começo, não liguei, mas dias depois, outro sumiu.

— Perguntei ao Jia Ming, ele disse que não tinha visto.

— Depois de um mês, uma vez voltei mais cedo do trabalho por causa de febre. Quando cheguei em casa, vi que a porta não estava fechada.

— Pensei que tivesse sido assalto, entrei na ponta dos pés e vi o fogão aceso, com uma panela de ferro para fazer sopa.

— Um ladrão não faria sopa na casa dos outros. Chamei o Jia Ming algumas vezes, ninguém respondeu. Fui até a cozinha para ver que sopa ele estava fazendo.

— Mas quando levantei a tampa, fiquei completamente atordoada.

— Dentro da panela, havia um boneco de pano picado. O rostinho de plástico do boneco flutuava na sopa clara.

— Apaguei o fogo na hora. Nesse momento, a porta se abriu, e vi o Jia Ming entrando com uma faca de cozinha numa mão e um saco preto grande na outra.

— Nunca vou esquecer aquela cena.

— Lembro de ter perguntado por que ele picou todos os bonecos e os colocou para ferver. Ele, todo misterioso, disse que dentro do boneco morava uma pessoa, e só assim poderia expulsá-la.

— Coisas assim, relacionadas a crianças e bonecos, aconteceram muitas vezes.

— Há alguns meses, quando o bebê do vizinho nasceu, ele chorava toda noite, como se houvesse algo assustador no quarto. Chorava a noite inteira.

— Quando o Jia Ming ouvia o choro da criança, a doença dele piorava. Ele sempre brigava com o vizinho por causa disso. No fim, foi o vizinho quem não aguentou e se mudou para o subúrbio oeste.

Depois de falar, Huang Ling guardou o celular: — Antes, eu e ele não tínhamos filhos porque não podíamos bancar. Agora, é porque ele odeia crianças.

— Depois do acidente, seu marido de repente passou a ter medo de bonecos e crianças. Isso não é sintoma de depressão. — Chen Ge fez sinal para Huang Ling continuar dirigindo: — Conte como foi o dia do acidente do Jia Ming.

— Eu e o Jia Ming trabalhávamos perto um do outro. Normalmente, ele me buscava de moto elétrica. Naquele dia, fui atrasada por um cliente e só saí do trabalho quase nove horas.

— Lá fora, chovia forte, igual hoje. Esperei muito, mas o Jia Ming não apareceu. Depois, a polícia de trânsito me ligou, dizendo que ele tinha sofrido um acidente.

— As câmeras mostraram que, ao atravessar a rua, ele colidiu com o último ônibus da linha 104. Parecia que ele não tinha visto o ônibus, os olhos fixos em alguma direção, e seguiu em frente.

Huang Ling lembrou da cena e sentiu um calafrio: — Fiquei apavorada com a ligação. Corri para o hospital. A perna do Jia Ming foi esmagada, e ele estava em coma profundo, só acordou no dia seguinte.

— Você disse que o Jia Ming foi atropelado pelo ônibus 104? — Chen Ge interrompeu Huang Ling. Já tinha entendido o que queria saber: — Então, a criatura que tomou o corpo do seu marido provavelmente desceu daquele último ônibus 104.

Huang Ling e o pequeno Gu demoraram a processar o que Chen Ge disse. Só depois de um tempo sentiram um arrepio na espinha.