Capítulo 305: Capítulo 305 Capítulo 302 De agora em diante, eu cuidarei de vocês

Capítulo 302 – De agora em diante, eu cuido de vocês

Não importava o quanto Chen Ge puxasse, a terceira gaveta não abria. Ele tentou retirar completamente as duas gavetas de cima para ver o que havia dentro, mas, para sua decepção, uma divisória de madeira havia sido colocada propositalmente entre elas, impossibilitando qualquer visão.

— A casa está limpa e arrumada, e eu não queria bagunçar nada. Se você consegue me entender, é melhor sair por conta própria.

Não era a primeira vez que Chen Ge ameaçava um fantasma, embora ele mesmo não soubesse se isso adiantava alguma coisa.

Ele segurou a borda da gaveta novamente, usando toda a sua força, mas era como se algo estivesse travando o movimento.

— Xu Yin!

Chen Ge convocou Xu Yin, e os dois, um humano e um fantasma, seguraram os lados da gaveta.

Assim que Xu Yin começou a fazer força, seus ferimentos se abriram novamente. O sangue escorria por seus braços pálidos, pingando na borda da gaveta.

A gaveta, que antes não abria de jeito nenhum, começou a se soltar lentamente.

— Mais um pouco de força!

Xu Yin não se segurou. Ele faria qualquer coisa que Chen Ge mandasse.

Ferida após ferida se abria, o sangue tingia seu casaco de vermelho. O rosto de Xu Yin se contorcia, suas mãos cobertas pelo próprio sangue.

— Dói tanto!

A gaveta, perfeitamente encaixada, finalmente se abriu na largura de um dedo. A força de Xu Yin parecia afetar o que estava dentro dela.

O sangue escorria, e a gaveta era puxada para fora aos poucos por Xu Yin. Quando estava cerca de meia palma aberta, de repente, várias mãos humanas surgiram de dentro!

Eram mãos de homens e mulheres, todas diferentes, como se quisessem impedir Chen Ge e fechar a gaveta novamente.

Pegos de surpresa, Chen Ge e Xu Yin soltaram a gaveta, que bateu de volta com um baque.

— Por que vocês fazem isso? — Chen Ge impediu Xu Yin, que já se preparava para tentar abrir a gaveta novamente, e pegou o martelo de esmagar crânios. — É para o bem de vocês também. Afinal, podemos acabar trabalhando juntos no futuro.

— Espero que pensem bem. Eu poderia simplesmente usar a força bruta para quebrar a mesa, ou queimar tudo e depois procurar nos destroços. Mas não fiz isso. No fundo, sou uma pessoa muito gentil. Podem perguntar aos meus amigos sobre isso.

Chen Ge se agachou ao lado da gaveta, sem medo de que algo estranho saísse dela. Ele segurou o puxador.

— Esta gaveta já era minha. Só estou tentando recuperá-la.

Com os dedos fazendo força aos poucos, ChenGe tentou puxar a gaveta.

— Não vou levar a sério o que aconteceu esta noite. Vocês me enganaram várias vezes, mas nunca tentaram realmente tirar minha vida. Só queriam me assustar. Na verdade, não precisavam fazer isso. Sou uma pessoa que ouve razão. Se houver algo, podem falar, e resolvemos juntos.

Enquanto falava, Chen Ge ergueu o martelo de esmagar crânios com a mão livre.

— Como agora. Vocês não têm para onde fugir. Mais cedo ou mais tarde, vão ter que me enfrentar. É melhor baixarem a guarda e conversarmos direito.

A gaveta fechada tremeu levemente, como se os fantasmas lá dentro estivessem em desacordo. Depois de uns bons dez segundos, a gaveta, que estava fechada, se abriu sozinha um centímetro.

— Nada mal. Têm talento. São aproveitáveis!

Chen Ge retirou a terceira gaveta e a colocou sobre a mesa. Dentro, havia apenas alguns cadernos de histórias em quadrinhos feitos à mão.

— O próprio artista fez isso?

O caderno dizia que as obras do quadrinista não tinham editora disposta a publicá-las. Na época dele, a publicação física era provavelmente a única saída.

— Todos aqueles fantasmas saíram desses caderninhos? — Chen Ge pensou no que aconteceu naquela noite e começou a entender algo. Ele abriu o quadrinho feito pelo próprio artista.

O estilo do desenhista era meio realista, o que o tornava muito estranho. Não era à toa que poucas pessoas queriam publicar seus trabalhos. Bastava olhar um pouco para sentir um certo medo.

O quadrinho inteiro era composto por cinco histórias curtas. O protagonista da primeira era um jogador, alto e magro, com olhos fundos, idêntico ao homem alto e magro que Chen Ge tinha visto antes.

O jogador nasceu em uma família monoparental. Nunca conheceu o pai, foi criado só pela mãe. Não teve uma boa educação, passava os dias sem fazer nada e, além disso, era viciado em jogos. Aos trinta e poucos anos, ainda era solteiro e morava na casa da mãe.

Para ele, a vida não tinha sentido. Era apenas existir.

Mas, aos trinta e sete anos, sua vida pacata foi interrompida. A mãe, que sempre cuidara dele, adoeceu gravemente. As economias que ela havia juntado com tanto esforço acabaram rápido.

A mãe queria desistir do tratamento, mas o jogador não concordou. Ele vendeu tudo o que tinham em casa, restando apenas a casa velha.

A cirurgia da mãe ainda precisava de muito dinheiro. E, mesmo que fosse bem-sucedida, ela não poderia mais fazer trabalhos pesados.

Ele pensou, pensou, e começou a pegar dinheiro emprestado com agiotas.

A cirurgia correu bem, mas a dívida já tinha multiplicado. Os cobradores apareceram na porta, exigindo que o jogador vendesse a casa da mãe. Ele pediu uma noite para pensar.

No dia seguinte, os cobradores foram com um tabelião até a casa do jogador. Quando abriram a porta, todos ficaram chocados.

Sobre a mesa redonda, havia uma bacia cheia de sangue. A mão esquerda do jogador tinha sido cortada. Ele estava ao lado da mesa, segurando um cutelo na mão direita.

Ele disse que nunca tinha feito nada pela mãe. Agora que ela tinha feito a cirurgia e não podia mais trabalhar pesado, se perdesse a casa, não teria para onde ir.

Por isso, não venderia a casa. Se os outros quisessem tomar à força, ele pagaria com a própria vida.

Todos os recibos de dívida estavam assinados por ele. Ele saiu do quarto com o cutelo na mão. Ninguém ousou impedi-lo. Só puderam vê-lo correr até o oitavo andar e pular.

O jogador morreu na hora. Mas a mão que ele tinha cortado nunca foi encontrada.

O protagonista da segunda história era uma professora de inglês estagiária. A senhoria, uma idosa, alugou para ela a sala de estar e um quarto grande, ficando apenas com um quarto pequeno.

Depois que o filho da idosa se foi, ela ficou meio confusa. A professora de inglês passou a cuidar dela como se fosse sua própria mãe.

As duas foram se conhecendo melhor. Tudo parecia estar melhorando.

A professora dava aulas particulares à noite e voltava tarde. A idosa preparava a comida e deixava na mesa. Como era idosa e tinha saúde frágil, geralmente dormia cedo.

A professora, com medo de fazer barulho ao voltar e acordar a idosa, sempre pedia para ela fechar bem a porta do quarto antes de dormir.

Um dia, a professora voltou muito tarde. Ela não imaginava que alguém já a estava observando. Assim que entrou no corredor, alguém saiu e tapou sua boca e nariz.

Ela lutou desesperadamente, brigando com o assassino no corredor. O assassino não esperava que ela reagisse com tanta violência. Para evitar que ela fizesse barulho e chamasse a atenção, ele apertou sua boca e nariz com força, sacou uma faca e a matou.

Não dava para largar o corpo no corredor. O assassino levou a professora de volta ao quarto alugado e se livrou do corpo.

Nada foi dito. O corpo foi encontrado no dia seguinte pela idosa, dentro de uma gaveta do quarto.

O assassino foi preso cinco dias depois. Mas a doença da idosa piorou. Com a ajuda da comunidade, ela foi internada no hospital.

Foi então que um novo inquilino apareceu. Um corretor de imóveis. Esse era o protagonista da terceira história do quadrinho.