Capítulo 300: Que Bando de Dramáticos!
A câmera estava em cima da TV gravando, e o ângulo capturava exatamente a cena que Chen Ge viu ao se virar.
A luz piscava, e, agachado em frente à TV, Chen Ge começou a ter uma ilusão: parecia que ele não estava assistindo a uma gravação, mas sim olhando para a sala atrás de si.
A luz da sala ainda tremia, e a frequência das piscadas na realidade parecia gradualmente se sobrepor à da gravação.
Quando a luz na tela da TV escurecia, a luz na sala também escurecia; logo depois, ambas clareavam juntas.
"A gravação está afetando a realidade? Não, é alguma assombração fazendo das suas." Chen Ge não virou a cabeça; seus olhos estavam fixos na porta do quarto que se abria lentamente na gravação.
Cada vez que a luz escurecia, a porta do quarto se abria alguns centímetros para fora. Na sétima piscada, Chen Ge viu um fio de cabelo preto aparecer atrás da porta.
"Cabelo comprido, deve ser uma mulher. Será que ela é a segunda dona da casa?" Chen Ge ainda não virou a cabeça; apenas apertou o martelo esmagador de crânios na mão.
Quando a luz escureceu pela oitava vez, o fio de cabelo foi soprado pelo vento, e metade de um rosto começou a se esticar para fora.
Chen Ge olhou para o rosto na gravação, contando mentalmente: o tempo de cada escurecimento parecia ser fixo.
O rosto na gravação, encostado na porta do quarto, inclinou-se para fora. Quando estava prestes a aparecer completamente, a luz na gravação e na realidade se apagou ao mesmo tempo!
"Xu Yin!" Chen Ge reagiu em menos de um segundo, girando o martelo com as duas mãos e batendo para trás!
O martelo acertou o sofá, e ChenGe varreu o ambiente com os olhos.
O quarto estava completamente escuro, e algo parecia se mover.
Depois de alguns segundos, a luz acendeu novamente.
A sala real não tinha mudado nada, mas a porta do quarto estava aberta, exatamente como na gravação!
Chen Ge olhou para trás, para a TV; a tela estava cheia de neve estática, e a gravação terminava ali.
Chutando o sofá, ele olhou para a fita que ainda girava lentamente. Quando a voz de Xu Yin soou, ele caminhou lentamente em direção ao quarto.
A porta de madeira estava entreaberta, e alguns fios de cabelo de mulher estavam no chão. Chen Ge os pegou e os esfregou com as mãos.
"Vocês estão testando minha paciência. Cuidado que eu não queimo tudo com fogo."
Ele avançou. O quarto estava uma bagunça, com vários objetos espalhados no chão, o armário pregado com várias tábuas horizontais, e o criado-mudo ao lado também lacrado.
"Todos os móveis que podem ser abertos estão lacrados com tábuas. O que será que está escondido dentro deles? E essas gravações, de qual inquilino são?"
Olhando para os móveis lacrados, Chen Ge teve uma ideia: "Será que o inquilino que fez essas gravações descobriu a causa da assombração através delas? Por isso lacrou as gavetas e o armário?"
Quanto mais pensava, mais parecia possível. Esse inquilino provavelmente viu o fantasma saindo de uma gaveta ou de algum móvel e, para evitar que isso acontecesse de novo, lacrou todos os móveis que podiam ser abertos.
Chen Ge parou no centro do quarto e pensou em outro problema: "Contando com aquele fantasma feminino de agora, já encontrei três fantasmas. Todos os três podem entrar e sair livremente deste quarto, o que significa que lacrar os móveis com tábuas não funcionou. Ou seja, o dono da casa provavelmente deixou uma gaveta sem lacrar, e essa gaveta deve ser a que estou procurando."
Ele tirou Xiao Xiao do bolso e a colocou na porta do quarto como alerta, enquanto ele mesmo usava o martelo para abrir as gavetas e o armário: "Todas as gavetas e armários estão lacrados. Será que a gaveta que procuro está no outro quarto?"
Xiao Xiao, no chão, estava virada para fora, como se estivesse prestes a rastejar para sair. Quando Chen Ge a pegou, percebeu que a mão dela parecia apontar para a porta.
No início, ele não deu importância. Ao passar pela porta da sala, ele olhou distraidamente para fora.
As portas dos quartos 304 e 305 estavam abertas. Na luz entre os dois cômodos, uma velha corcunda estava parada, sem dizer nada, virada para o quarto 304. As rugas no rosto dela pareciam casca de feijão, um tanto assustadoras.
Chen Ge parou na porta, instintivamente colocando o martelo um pouco para trás.
"Vovó, a senhora é moradora daqui?" A voz de Chen Ge ainda estava calma, sem grande alarde.
A velha não respondeu; seus olhos nem estavam em Chen Ge, mas nas gavetas que ele havia arrombado violentamente.
"Está tão escuro, a senhora devia ir para casa se não tiver nada para fazer." Uma velha parada em silêncio na porta à noite não era normal. Na verdade, se fosse um jovem lá fora, Chen Ge, fosse humano ou fantasma, já teria batido com o martelo.
"Foram você que abriu essas gavetas?" A voz da velha era rouca, como casca de árvore áspera se esfregando.
"Sim, estou pensando em comprar esses dois cômodos e estou arrumando os móveis." Chen Ge olhava fixamente para a velha; se ela fizesse qualquer movimento estranho, ele chamaria Xu Yin sem hesitar.
"Vá embora logo. Encontre um vidente para te examinar; talvez você já esteja enfeitiçado por ela." A velha falou pela metade e desceu as escadas, andando devagar e cambaleante.
"Enfeitiçado por ela? A senhora explica direito antes de ir!"
Chen Ge a seguiu até a escada, e a velha apontou para o quarto 304: "Naquele quarto morava uma professora de inglês, bonita, com uma voz doce. Depois, parece que foi um crime passional. Ela foi desmembrada e colocada em gavetas, só descoberta muito tempo depois. O rancor dela é grande; todos que entram naquele quarto são enfeitiçados por ela."
"Professora de inglês?" Chen Ge achou que a velha falava com convicção, talvez sem mentir. Mas o problema era: uma velha estranha parada na porta no meio da noite já era algo muito estranho!
"Vovó, por que a senhora está me contando isso?" Chen Ge ficou sob a luz, sem descer com a velha, e perguntou: "A senhora pode me dizer como sabe disso?"
"Moro no prédio ao lado. A professora de inglês morta era minha filha." O rosto da velha ficou muito feio, e a voz ficou sinistra: "Você é o terceiro. Ela já cometeu muitos erros; não quero vê-la continuar assim."
"Vá logo, não fique naqueles dois cômodos." A velha desceu sozinha, devagar, como se esperasse que Chen Ge a seguisse.
"Mas ainda tenho uma pergunta." Chen Ge ia perguntar quem mais a filha dela havia prejudicado, quando recebeu uma mensagem no celular, exatamente da corretora.
"Você sabe por que naquela comunidade, de noite, ninguém ousa fazer barulho e apaga as luzes cedo? É porque tem o fantasma de uma velha que procura o caminho de casa pela luz e pelo som!"
Depois de ler a mensagem, Chen Ge levantou a cabeça. A velha estava parada no canto da escada, as rugas do rosto se apertando, e a voz cada vez mais estranha: "Vá logo, desce comigo. Aquele quarto é muito perigoso."
Com os olhos se movendo entre a tela do celular, a velha e os dois cômodos, Chen Ge de repente jogou a mochila de lado, e sua dedução foi se formando: "Não se pode confiar em ninguém, nem há necessidade."
Ele chamou Xu Yin, apertou o martelo com as duas mãos: "Só quero pegar minhas coisas de volta. Não tenho interesse nas suas histórias."