Capítulo 264: Mau Cheiro
Yang Chen e Li Xue saíram correndo rapidamente. Os três ficaram no corredor, olhando para o caminho por onde vieram—tudo escuro, nada podia ser visto claramente.
"Onde estão os passos?"
"Eu realmente ouvi! Parecia alguém pulando no corredor."
"Não se assuste sozinho. Vem ajudar."
Li Xue puxou Wang Yan para entrar no último quarto. Yang Chen ficou do lado de fora por um momento, murmurando as palavras que Wang Yan dissera: "Pulando?"
Os três reviraram o último dormitório. A maior parte do lixo empilhado nas camas era feita de esponja e blocos de madeira, parecendo sujo e bagunçado, mas na verdade não exalava cheiro estranho.
"Este dormitório é só para guardar lixo?" Li Xue cobriu o nariz com a manga. "Mas por que a cama mais ao fundo tem cobertores? Quem iria querer viver num ambiente tão sujo?"
"Agora não é para pensar em quem moraria aqui." Yang Chen pegou um modelo de lixo da cama e cheirou. "Quando entramos no cenário oculto, já sentimos um fedor. Este quarto tem o cheiro mais forte, ou seja, a coisa que exala o mau cheiro está aqui. Encontrar essa coisa é a única forma de desvendar o segredo do cenário."
"Acho que o velho Yang tem razão. O quarto está cheio de lixo, mas o fedor não vem dele. É estranho." Wang Yan foi até a única cama que tinha cobertores. "Esta cama, sem lixo, tem o cheiro mais forte."
Ele segurou a ponta do cobertor e, rangendo os dentes, o puxou para cima.
Debaixo do cobertor rasgado não havia nada assustador—apenas um caderno.
Ele o abriu casualmente e deu uma olhada rápida.
"Desculpa, não devia ter chegado tão perto de vocês. Só queria ajudar a pegar a bola."
"Professor, não foi de propósito que molhei a roupa. Ninguém estava me provocando. Foi culpa minha."
"Pai, vou me esforçar para fazer tudo certo. Por favor, não bata mais em mim."
"Desculpa, não sei por que meu riso faz as pessoas se sentirem nojentas. Não vai acontecer de novo."
"Se vocês acham que algo em mim está errado, posso mudar. Posso mudar tudo!"
"Eu só queria ser como eles. Desculpa..."
O caderno não era grosso, cheio de pedidos de desculpas, que pareciam um pouco opressivos.
"Tem problema na cabeça? Pedir desculpas por quê? Se for maltratado, revide!" Wang Yan, de temperamento explosivo, torceu o nariz, discordando totalmente da atitude do dono do caderno.
"Venham ver isso." Li Xue encontrou algumas fotos rasgadas na lixeira do dormitório. Ela pegou algumas e as juntou, conseguindo ver vagamente as pessoas na foto.
"Devem ser pai e filho."
A criança era gravemente obesa, e dava para perceber que era um pouco tímida, como se tivesse medo da câmera, escondendo-se atrás do pai.
Já o pai tinha um temperamento péssimo, o rosto cheio de raiva, tratando-o com brutalidade, segurando seu pescoço com uma mão e puxando-o à força de trás.
"É padrasto?"
Wang Yan abriu o caderno para os outros dois verem. As primeiras páginas eram normais, mas quanto mais avançavam, mais desconfortáveis ficavam.
O menino não tinha nome; os colegas o chamavam de Porco. Seu pai era um dos investidores da Academia Particular do Subúrbio Oeste, a família era muito rica, mas o pai era extremamente severo com ele.
O caderno não explicava o motivo, mas pelas entrelinhas dava para adivinhar que a mãe do menino havia traído o pai, e o nascimento da criança já era um erro.
O menino ansiava pelo elogio do pai, mas não importava o que fizesse ou o quanto fosse obediente, a resposta era sempre violência e repreensão.
Ele vivia com cuidado, só sentindo satisfação ao comer. Mas comer sem controle, usar a comida como forma de aliviar o estresse, acabou resultando em obesidade severa desde cedo.
Ao ver a aparência feia do filho, o pai, em vez de se preocupar, sentiu um prazer de vingança.
O menino, sem entender nada, só percebeu que o pai estava feliz, e então se esforçou ainda mais para comer.
Quando foi crescendo, tanto a mente quanto o corpo já estavam doentes.
Na escola, o menino era tímido e covarde, ninguém queria sentar perto dele. Em casa, ao menor sinal de desagrado, enfrentava socos e chutes do pai.
Aos poucos, a mente do menino desenvolveu problemas sérios. Coisas que os outros achavam bonitas, para ele se tornavam extremamente feias.
E coisas que os outros odiavam e evitavam, ele guardava como tesouros.
A criança frequentemente fazia coisas absurdas, como levar escondido as sobras dos outros no refeitório, ou catar coisas sujas e fedorentas no lixo para levar para casa.
O pai sempre o espancava severamente, mas a criança parecia não conseguir mais se controlar; sua visão de mundo estava completamente invertida.
Isso aconteceu várias vezes. Uma vez, o pai bateu com tanta força que o menino foi parar no hospital, e o caso chamou a atenção da polícia.
No final, sob a orientação e aconselhamento da polícia, o pai concordou que o menino se mudasse para o dormitório da escola.
O pai do menino era investidor da escola particular do oeste, e a direção concordou prontamente, preparando um quarto individual para ele.
Depois de se mudar para o dormitório, o menino inevitavelmente tinha que interagir com outros colegas. Ele pedia desculpas ainda mais vezes a cada dia, e sua doença piorava cada vez mais.
Não demorou muito, e os outros dormitórios próximos ao quarto do menino começaram a sentir um mau cheiro. A escola seguiu o odor e arrombou o quarto individual do menino. Ao abrir a porta, todos ficaram chocados.
O quarto, que antes era limpo, estava cheio de todo tipo de lixo. Aqueles detritos sujos e fedorentos, aos olhos do menino, se tornavam as mais belas decorações.
A escola mandou alguém jogar fora todo o lixo do quarto, deu uma punição ao menino e notificou os pais.
O pai continuava com seu método de educação brutal, socos e chutes.
O caderno registrava em detalhes o que aconteceu naquela noite: o pai o espancou até tarde da noite antes de ir embora.
Não importava o quanto a vida fosse dolorosa, ela continuava. Cada vez que as feridas físicas cicatrizavam, a doença mental do menino se agravava.
O mau cheiro voltou a aparecer no corredor. A escola não sabia o que fazer; o pai do menino era investidor da escola particular, e expulsar o filho dele não era adequado para ninguém.
Depois de várias limpezas repetidas sem grandes mudanças, a escola acabou esvaziando todos os dormitórios próximos ao quarto do menino e contratou alguém para limpar o quarto dele regularmente.
Com o tempo, o mau cheiro no quarto não podia mais ser removido, como se tivesse penetrado nas paredes e nos azulejos.
Naquela época, a Academia Particular do Subúrbio Oeste estava ocupada demais com os problemas do prédio do dormitório feminino, e acabou deixando de lado essa criança.
Com a mente completamente doente, o menino continuava trazendo lixo para o próprio quarto, e o mau cheiro ficava cada vez mais forte.
A partir desse período, o diário do menino se tornou monótono e repetitivo. Ele começou a pedir desculpas constantemente ao pai, implorando que o perdoasse.