Capítulo 253: O que está sentado atrás de você não é uma pessoa
O passageiro entrou no carro exatamente à meia-noite. Ele segurava um pacote preto no banco de trás, vestia um moletom com capuz, a cabeça baixa, e a camisa por dentro parecia ter uma cor mais escura.
Lao Zhang se forçou a não olhar no retrovisor, mas não conseguia se controlar; seus olhos se desviavam involuntariamente para lá.
"Parece que depois que ele entrou no carro, virou outra pessoa."
Lao Zhang murmurou baixinho, enquanto abria a página de alarme de um toque no celular.
"Ainda vai para o Beco Huai?"
"Hum."
"Sua casa é lá? Nos becos antigos de Hanjiang só restam alguns idosos; é raro ver alguém da sua idade."
"Minha casa não é lá." O tom do passageiro era estranho, cada frase muito curta, um tanto sombrio.
"Pelo seu sotaque, você é de Hanjiang, não é? As noites estão perigosas ultimamente, não saia por aí." Lao Zhang realmente não queria ir para aquele beco mal-assombrado de novo; temia encontrar outro passageiro como o anterior: "Onde é sua casa? Que tal eu te levar direto para casa?"
"Minha casa?" O passageiro olhou para baixo, para o pacote preto no colo, e não disse nada.
Vendo que o passageiro não falava, Lao Zhang não se sentiu à vontade para insistir. Ele virou o carro, preparando-se para seguir em direção ao centro da cidade.
Assim que o táxi partiu, o clima dentro do carro ficou ainda mais opressivo.
Compartilhar o carro com o passageiro no banco de trás fez Lao Zhang sentir como se não conseguisse respirar. Ele abriu a janela que estava fechada.
O vento noturno entrou no carro, e Lao Zhang finalmente se sentiu um pouco melhor. Ele ergueu os olhos para o retrovisor, observando o passageiro.
Não importava o quanto o carro balançasse, a parte superior do corpo do passageiro permanecia na mesma posição.
Parecia que ele tinha saído correndo para pegar algo, sem tempo de trocar a camisa por dentro, que estava amassada e com o botão de cima desabotoado, revelando vagamente uma marca de aperto no pescoço.
"Ele sofreu violência antes de entrar no carro? Não é possível! Parece mais uma marca de enforcamento?"
O motorista ficou ainda mais tenso, metade de sua atenção estava no passageiro, com medo de que, se descuidasse, algo mudasse atrás dele.
As pupilas de Lao Zhang tremiam, seu coração batia rápido. Ele temia que, se continuasse olhando escondido, fosse descoberto, e também tinha medo de que o passageiro fizesse algo louco.
A velocidade do carro aumentou. No meio do nada, a melhor ideia que ele teve foi acelerar ainda mais, até chegar a um lugar movimentado, onde estaria seguro.
Todas as janelas estavam abertas, o vento uivava para dentro do carro. Lao Zhang não tirava os olhos do banco de trás.
O passageiro no banco de trás ainda estava imóvel, mas o pano preto que cobria o pacote em seu colo foi levantado pelo vento em um canto, e um pedaço do pano escorregou, revelando o que estava dentro.
O sangue subiu à cabeça de Lao Zhang, e seu coração disparou ainda mais.
Uma urna funerária!
O que aquele homem tinha ido buscar no crematório à noite era uma urna funerária!
Seus braços tremiam involuntariamente, o dedo mindinho se contraía como se tivesse uma cãibra, e uma sensação de frio subia lentamente por sua espinha.
O pano preto escorregou, mas o passageiro pareceu não notar.
O táxi corria rápido, e com o vento noturno, o outro lado do pano também foi levado.
Agora Lao Zhang via com mais clareza: dentro do pano preto havia uma urna funerária preta, com uma foto no centro.
O motorista de meia-idade reduziu um pouco a velocidade, concentrando-se no retrovisor, fixando os olhos na foto da urna.
Não dava para ver bem, mas o queixo e o formato da boca pareciam um pouco com os do passageiro sentado no carro.
"Ele foi ao crematório no meio da noite para pegar a própria urna?"
Lao Zhang não ousou pensar mais. Seu corpo tremia; com uma mão no volante, a outra tateava ao lado, tentando chamar a polícia em segredo.
Mas, no momento em que tocou no celular, ele olhou instintivamente para o retrovisor. No espelho, um par de olhos cheios de veias vermelhas também o encarava!
O passageiro, que sempre mantinha a cabeça baixa, tinha erguido a cabeça em algum momento. Seu rosto era idêntico ao da foto na urna, só que com um tom cinza-esbranquiçado anormal.
Arrepios subiram pelo pescoço de Lao Zhang; ele sentiu o corpo inteiro gelado. Felizmente, seus anos de experiência ao volante o ajudaram a se controlar, evitando um acidente.
O táxi continuou em frente; em alguns minutos, entraria na cidade, mas a situação de Lao Zhang só piorava.
O passageiro no banco de trás mantinha os olhos fixos no retrovisor. Cada vez que Lao Zhang erguia a cabeça, via um par de olhos o encarando atrás.
O vento noturno já tinha levado completamente o pano preto, e o passageiro ficava imóvel no banco de trás, segurando sua própria urna.
"O que ele quer, afinal?"
Não havia nenhum carro na estrada. Lao Zhang estava desesperado. Aos poucos, começou a ter uma ilusão: parecia que tinha ido na direção errada. Aquela não era a estrada para a cidade, mas sim para um lugar ainda mais desolado.
"O que fazer?"
Ele chamou a polícia discretamente e também enviou um sinal de socorro no grupo de mensagens, mas isso não adiantava de nada; nada lhe trazia segurança.
Cada vez que erguia a cabeça, Lao Zhang sentia que os olhos atrás dele estavam mais perto.
Ele segurava o volante com força. A temperatura dentro do carro parecia cair constantemente; suas costas estavam dormentes, e, mesmo encostado no banco, não sentia nenhum conforto.
"Hum, hum..."
O celular ao lado vibrou; alguém estava ligando, mas Lao Zhang não ousou atender.
"Alô."
O passageiro atrás de repente falou, fazendo Lao Zhang dar um susto. Ele demorou um ou dois segundos para responder: "O que, o que foi?"
"Alguém está te ligando."
Com o passageiro dizendo isso, Lao Zhang olhou para o lado. A página de alarme de um toque tinha sumido, substituída por uma chamada perdida.
A ligação foi feita e desligada rapidamente, como se quem estava do outro lado também percebesse que algo estava errado.
"Não precisa se preocupar com isso; não se pode atender o celular enquanto dirige." Lao Zhang deu uma risada seca.
Depois de falar, ele olhou de novo para a tela do celular ao lado. Uma mensagem de texto tinha acabado de chegar.
"Pare o carro agora! Corra pela estrada! O que está sentado atrás de você não é uma pessoa!"
A mensagem ficou na tela por alguns segundos. Lao Zhang a viu, e o passageiro atrás também a viu.
"Essas pessoas só sabem inventar histórias."
O motorista pegou o celular e o colocou ao lado do volante. Ia dizer mais alguma coisa, mas quando ergueu os olhos para o retrovisor, de repente viu o rosto do passageiro colado na grade de proteção atrás dele!
O rosto cinzento estava bloqueado pela grade, e o passageiro tinha um sorriso que Lao Zhang não conseguia entender.
"Não adianta negar; no fundo, você já sabe." O capuz do moletom caiu, e o pescoço do passageiro se torceu lentamente. Atrás de sua cabeça, havia outro rosto.
"Falando estritamente, ele é uma pessoa, mas eu não."
Os lábios se moveram; essa última frase foi dita pelo rosto atrás da cabeça do passageiro.
Lao Zhang já tinha esquecido como reagir. Sua mente estava em branco, como se tivesse pisado no freio e no acelerador ao mesmo tempo.
O táxi percorreu dezenas de metros antes de parar. Ele gritou, saiu do carro e correu para frente.
A porta se abriu, e o passageiro também saiu. Ele estava de costas para Lao Zhang, e o rosto deformado atrás de sua cabeça fez um sorriso feio.
"Você não vai escapar. Este corpo já foi marcado por um louco. Agora preciso de um novo parceiro."
O passageiro, de costas para Lao Zhang, parecia ser puxado por uma força invisível, correndo para trás em sua direção.