Capítulo 23: Capítulo 23 O Verdadeiro Culpado!

Capítulo 23 – O Verdadeiro Culpado!

A porta bateu pesado contra a parede, e Chen Ge invadiu o quarto, abrindo a janela de vidro.

“P*ta merda! Tão alto assim?”

Parado ao lado do parapeito, ele olhou para baixo: dali até o chão, eram pelo menos três ou quatro metros.

Passos apressados ecoaram no corredor; o proprietário e o homem tatuado se aproximavam rapidamente.

Sem tempo para pensar, Chen Ge pulou pela janela, segurando-se no parapeito com as mãos e pisando na grade de segurança do primeiro andar.

“Ele com certeza nos viu carregando o corpo!”

“Não podemos deixá-lo escapar!”

O rosto feio e furioso do proprietário já aparecia na porta do quarto, brandindo um cutelo, com expressão bestial: “Ainda quer fugir?!”

Diante daquela cena, Chen Ge não hesitou: soltou as mãos e pulou.

O braço foi raspado na parede, a roupa rasgada pela grade de segurança. Ao cair, ele rolou no chão, pegou o martelo de ferramenta e correu em direção ao muro do pátio.

“Rápido! Peguem ele!” O proprietário rugiu e atirou o cutelo contra Chen Ge.

Sentindo um frio na nuca, Chen Ge viu o cutelo cravado profundamente na grama atrás dele, por uma diferença mínima. Suor frio escorria: “Não posso cair nas mãos desses caras de jeito nenhum, eles já pensam em matar!”

A porta de ferro do prédio também foi aberta naquele momento; o gordo e a mulher, que estavam emboscados no primeiro andar, avançaram com tesouras de poda de arbustos.

“Um bando de loucos!” Chen Ge correu a toda velocidade, como uma flecha disparando até o portão de ferro do pátio. Pisou no cadeado novo que o proprietário tinha trocado, agarrou a corrente enferrujada e pulou o portão para fugir.

O prédio era cercado por uma mata densa; a noite escura não deixava ver o caminho, e, perseguido por vários, Chen Ge, apressado, entrou direto na floresta.

Perseguição e fuga: a luz da lanterna varria de vez em quando, os xingamentos do proprietário e do tatuado ecoavam atrás. Chen Ge nem ousava virar a cabeça; só tinha um pensamento na mente: sair dali logo!

Roupas e calças rasgadas nos galhos e cipós, coberto de lama e folhas. Depois de correr por uns bons quinze minutos, ele finalmente conseguiu despistar o proprietário e os outros.

Agachado em meio aos arbustos, olhando para os feixes de luz que varriam ao longe, cravou os dedos na terra e respirou fundo, ofegante.

Que perigo!

Quando estava preso no prédio, bastava hesitar num ponto ou escolher errado, e poderia ter perdido a vida.

“Essa missão de teste é difícil demais, não?” A tarefa enviada pelo celular preto tinha a vida como aposta, e o pior é que acontecia na realidade.

Temporariamente livre do proprietário, mas isso não significava que sua situação já estava segura. Chen Ge se encolheu na moita; na verdade, temia que, ao virar a cabeça, visse de repente o proprietário e os outros aparecendo atrás dele com tesouras de poda e cutelo.

A batida do coração voltou ao normal, e Chen Ge se levantou devagar do meio dos arbustos. A luz da lanterna do proprietário já tinha desaparecido; a mata fechada na calada da noite estava em silêncio absoluto, quase sem cantos de insetos ou pássaros.

“Para onde ir?”

Ele não conhecia o lugar, e, correndo desesperado pela mata, já tinha perdido a noção de direção.

“Será que fico aqui escondido até amanhecer?”

Pegou o celular e viu que a transmissão ao vivo ainda estava rolando. Tela preta por mais de uma hora, a tela cheia de pontos de interrogação. Aquele chat bizarro, mesmo os veteranos mais experientes, começavam a ficar confusos.

Ele não interagiu com os espectadores; olhou a hora e estava prestes a abrir a resposta de Heshan quando ouviu o som de galhos balançando de lado.

Imediatamente, Chenge guardou o celular no bolso, para evitar que a luz da tela denunciasse sua presença.

Segurou firme o martelo de ferramenta, as mãos suando de tensão, fixando o olhar no arbusto de onde vinha o som.

Não demorou muito, um feixe de luz fraca iluminou o local.

“Alguém? Quem está aí?”

No momento em que Chen Ge se preparava para atacar com o martelo, ouviu uma voz familiar.

“Wang Qi? Ele não tinha saído do prédio há muito tempo? Por que voltou no meio da noite?” Chen Ge estava curioso, mas sabia bem que a curiosidade mata o gato; ficou imóvel, agachado.

“Será que vi errado? Impossível.” Wang Qi varreu o local com a lanterna algumas vezes, andando em círculos, sem se conformar.

“Não posso ir até lá de jeito nenhum; esse cara tem problemas tão grandes quanto os inquilinos do Prédio da Paz.” Chen Ge não só não se aproximou de Wang Qi, como começou a se afastar ativamente, indo na direção oposta.

Andou um pouco e percebeu que o terreno ficava cada vez mais íngreme; parecia que tinha corrido na direção errada e entrado sozinho na montanha dos fundos.

Atravessou os arbustos e se deparou com uma encosta. Cercada por árvores, Chen Ge viu uma cabana muito simples, com uma placa pregada na porta. Chegou perto para ler: “Prevenir incêndio é como prevenir epidemia, não descuide; melhore o ambiente de investimento, refloreste primeiro.”

“Parece ser o lugar onde o guarda-florestal mora.” Tentou empurrar a porta; ela não estava trancada. Com um leve rangido, um cheiro estranho se espalhou.

“Que coisa?” Não ousou ligar a lanterna do celular, só aumentou o brilho da tela.

A cabana era pequena, com vários objetos de uso diário espalhados, parecendo um monte de lixo.

Cheirando o ar, Chen Ge foi até o lugar com o cheiro mais forte, levantou a tábua da cama e viu uma pilha enorme de roupas mofadas.

“Maníaco por acumular?” O que via com os olhos era pior do que imaginava; a maioria das roupas debaixo da cama era feminina, nunca lavadas, cobertas de manchas.

Pegou algumas para comparar o tamanho e descobriu que todas as roupas femininas tinham o mesmo número, deviam ser da mesma pessoa.

“A terra grudada nelas não secou completamente; parece que essa roupa foi usada por alguém nos últimos dias?”

Chen Ge tinha habilidade de maquiagem funerária e conhecia muito bem a estrutura das linhas do corpo humano. Enquanto media o tamanho com os dedos, a imagem do cadáver feminino emparedado veio à mente quase instantaneamente.

“O tamanho encaixa perfeitamente; é muito provável que essa roupa seja da mulher morta na parede!”

Por que roupas usadas por uma morta estariam escondidas nesta cabana? E ainda por cima, usadas por alguém nos últimos dias!

O coração de Chen Ge começou a acelerar. Ele estendeu as roupas femininas no chão e, dos bolsos, tirou alguns pedaços de papel amassados, com frases como “eu te amo” escritas.

“Essa caligrafia…” Chen Ge pegou também os papéis que tinha tirado do boneco de pano e comparou: a letra era quase idêntica, com oito ou nove de semelhança.

“Os papéis no boneco são de cinco anos atrás, enquanto essas roupas femininas claramente foram jogadas aqui nas últimas semanas. Cinco anos de diferença, por que têm tantas semelhanças?”

Mesma caligrafia, mesmas cartas de declaração; será que o assassino dos dois casos era a mesma pessoa?

Ele pegou as roupas de novo e ia fechar a tábua da cama quando um celular de capa rosa caiu do bolso interno da roupa.

“O celular da morta?”

Estendeu a mão para pegá-lo, apertou o botão e viu que a tela estava no modo de edição de mensagem de texto.

“Socorro?”

Um mau pressentimento surgiu em seu coração. Com as mãos trêmulas, abriu a caixa de saída: todas as mensagens tinham apenas duas palavras — “Socorro!”