Capítulo 22: Capítulo 22 Perigo!

**Capítulo 22: Perigo!**

Chen Ge rangeu os dentes, esforçando-se para não emitir som algum. No instante em que viu o cadáver, enviou imediatamente uma mensagem para He Shan: "Chama a polícia, chama a polícia rápido!"

A luz era muito fraca e, além disso, havia uma porta separando-os. Os espectadores da live não faziam ideia do que estava acontecendo. Naquele momento, Chen Ge não podia se preocupar com eles; encostou-se na fresta da porta, sem ousar piscar os olhos sequer.

"Um corpo escondido no prédio... então era isso que eles queriam desenterrar." Chen Ge encolheu-se atrás da parede, sem ousar fazer qualquer movimento brusco. Este era o momento mais perigoso e tenso; os inquilinos estavam a apenas alguns passos dele. Bastava virarem-se e entrarem naquele cômodo para o descobrirem.

"Para de enrolar! Cava logo!" resmungou o senhorio, pegando as ferramentas e aproximando-se. Estendeu um saco de estopa no chão e começou a limpar o cimento ao redor do cadáver feminino.

Talvez com medo de acordar os moradores do andar de baixo, eles agiam com leveza, sem fazer muito barulho.

A parede foi sendo escavada, blocos de cimento caindo sem parar. Os homens, não se sabia se pelo calor ou pelo medo, estavam todos suando em bicas.

Dividiram as tarefas, mas, afinal, era a primeira vez que faziam algo assim. Estavam apavorados por dentro, atrapalhados e o progresso era lento.

Uns dez minutos depois, finalmente conseguiram retirar o cadáver feminino da parede e colocá-lo dentro do saco de estopa.

"Gordo, fica aqui para limpar a parede. O resto vem comigo para o morro atrás. Vamos encontrar um lugar para enterrá-la." O senhorio, segurando um pé de cabra, dava as ordens.

"Eu vou com vocês!" O homem baixo e gordo falou sem pensar duas vezes. Depois de desenterrar o cadáver, ele estava quase desmaiando de exaustão, quem diria ficar sozinho naquele lugar.

"Olha a falta de vergonha na cara! Juan, fica com ele aqui para arrumar a bagunça. Depois nos encontramos no lugar de sempre, no morro." O senhorio deu algumas instruções à única mulher do grupo e, em seguida, ele e o homem tatuado carregaram o saco escada abaixo.

Ele mancava ao andar, as passadas ora leves, ora pesadas. Ao passar pelo cômodo onde Chen Ge estava escondido, parou de repente.

"Por que tem tanta fibra no chão?"

Ao ouvir a voz do senhorio, o coração de Chen Ge subiu à garganta. O boneco de pano tinha se rasgado, deixando cair algumas fibras e pedaços de papel no chão. A luz do sensor acendeu, e quando ele percebeu que alguém estava vindo, não teve tempo de pegar nada.

"Deixa isso pra lá. Isso tá pesado pra caramba. Enterra logo e pronto." O homem tatuado apressou-o por trás. O senhorio não insistiu, e os dois passaram pela porta onde Chen Ge estava escondido, parecendo ter ido embora.

"Gordo, para de bobear. Vamos trabalhar." A mulher e o homem de meia-idade, baixo e gordo, começaram a limpar a sujeira e a limpar o sangue das fer ferramentas. Alguns minutos depois, os dois desceram carregando um saco grande.

Os passos foram se distanciando. Só quando o terceiro andar ficou novamente em silêncio é que Chen Ge ousou respirar fundo. Muito cauteloso, espiou pela fresta da porta.

O corredor estava escuro como breu. Todos os inquilinos já tinham ido embora.

"Puxa! Quase morri de susto."

Esperou mais três minutos. Ainda sem qualquer anormalidade lá fora, Chen Ge finalmente abriu a porta devagar e saiu, curvado.

Para não ser descoberto, não acendeu a lanterna do celular. Com uma mão apoiada na parede, avançou lentamente.

"Pelo que esses caras disseram, embora não prestem, o cadáver na parede não tem nada a ver com eles." Pensando bem, o grupo era bem azarado. Depois de tomarem o apartamento do velho, quem diria que encontrariam um corpo na parede do telhado? A primeira reação de uma pessoa normal ao encontrar um cadáver é chamar a polícia. Mas esses caras não estavam limpos. Por um lado, tinham medo de chamar a polícia e eles descobrirem seus antecedentes criminais. Por outro, achava macabro morar no mesmo prédio que um cadáver. Sem saída, só podiam escolher limpar a barra para o verdadeiro assassino, desenterrando e enterrando o corpo por conta própria.

"Não é à toa que o senhorio insistiu tanto para eu não sair depois da meia-noite." Os olhos de Chen Ge já tinham se adaptado ao escuro. Acelerou o passo, querendo sair do prédio o mais rápido possível.

Andando na ponta dos pés o tempo todo, Chen Ge nem pensou mais na mochila. Foi direto para o primeiro andar.

"Ferrou." A porta de segurança do prédio estava trancada. Ele estava preso lá dentro.

"Esses caras foram enterrar o corpo e ainda trancaram a porta?" Chen Ge sentiu um mau pressentimento. "As janelas do corredor do primeiro andar têm grades de segurança. As janelas do terceiro andar estão lacradas com tábuas. A única saída que me resta para sair do prédio é a janela do quarto no segundo andar."

A atmosfera dentro do prédio era muito estranha. Chen Ge não queria ficar ali. Pegou o martelo de ferramentas e voltou para o segundo andar.

O corredor escuro era longo e profundo, como a boca aberta de uma fera. Uma vez lá dentro, seria despedaçado.

"Que silêncio." O quarto de Chen Ge ficava no extremo esquerdo do corredor, ao lado do quarto do senhorio. Ele estava em alerta máximo, com medo de que a porta de algum quarto se abrisse de repente.

Diminuindo o passo, controlando a respiração, Chen Ge levou mais de um minuto para chegar à porta do seu quarto.

"Ainda bem que não deu problema. Quando eu amarrar o lençol na moldura da janela, descer do segundo andar não deve ser problema." ChenGe pegou a chave e, com a luz fraca da tela do celular, localizou a fechadura. Estava prestes a inserir a chave quando seu braço congelou no ar.

"Cadê o fio de cabelo que coloquei na fechadura?"

Seus pelos se eriçaram. O medo, como uma maré, veio de todos os lados. Chen Ge sentiu as mãos e os pés gelados.

"Alguém entrou no meu quarto! Eles sabem que eu não estava no quarto!"

Sua respiração ficou ofegante. Era como se um bloco de gelo tivesse se alojado em seus pulmões.

"Quando foi que entraram? Depois de desenterrarem o corpo? Ou quando notaram as fibras no chão?" Na verdade, pensar nisso agora não adiantava muito. Chen Ge recuou. Olhou para o quarto onde tinha morado e rapidamente se acalmou: "Não posso voltar. É bem provável que esses caras estejam no meu quarto agora! Talvez estejam escondidos atrás da porta com um pé de cabra!"

Sua forte resiliência mental permitiu que Chen Ge se recompusesse rapidamente. Ele precisava fugir dali no menor tempo possível. Quanto mais demorasse, mais perigoso ficaria.

Passo a passo, recuando sem fazer barulho, Chen Ge sabia muito bem que a única maneira de sair do prédio agora era pela janela do segundo andar. Todos os outros caminhos estavam bloqueados.

No corredor escuro e silencioso, sem emitir um único som, Chen Ge recuou sorrateiramente até o extremo direito do corredor, o ponto mais distante do seu quarto no segundo andar.

"Aquele grupo de inquilinos é mais perigoso do que eu imaginava. Se vou escapar com vida desta noite, depende desta jogada!" Chen Ge rangeu os dentes, ergueu o martelo e bateu com força na fechadura da porta do quarto mais à direita.

"POW!"

O silêncio que envolvia o Apartamento Ping'an foi quebrado. Chen Ge, como um louco, martelou a fechadura repetidamente. Com cada estrondo, a coisa que ele menos queria ver aconteceu.

No extremo esquerdo do corredor, a porta do quarto 208, que Chen Ge alugara, foi empurrada para abrir! Ouvindo o barulho, o homem tatuado e o senhorio, empunhando um pé de cabra e um facão, com expressões ferozes, saíram correndo!

"Abre logo!"

"CRASH!"

Com marteladas contínuas, a fechadura finalmente caiu. Chen Ge não hesitou e chutou a porta com força!