Capítulo 168: Capítulo 168 Capítulo 167 Ela não estava morta?

Capítulo 167: Ela não está morta?

Chen Ge examinou cuidadosamente os sacos de papel no balcão, seu rosto ficando cada vez mais sério. Ele esfregou os nomes nos sacos com os dedos e finalmente encontrou o problema.

A tinta em alguns sacos ainda não estava completamente seca — os nomes ali tinham sido escritos há pouco tempo!

Ele virou a cabeça bruscamente e varreu a estação de enfermagem. Não havia nenhum obstáculo, não era possível que alguém estivesse escondido ali.

"Quem preparou os remédios provavelmente está por perto. Não foi longe, só se afastou temporariamente." Chen Ge não tinha certeza se o outro o havia notado. Ele ficou ainda mais cauteloso, pulou o balcão da enfermagem e entrou num quarto em frente ao balcão.

Deixou a porta entreaberta e ficou parado na entrada, observando o corredor.

"Os nomes nos sacos foram escritos agora. Os comprimidos podem ter sido preparados agora. Quem faria uma coisa dessas tarde da noite?" A mente de Chen Ge já tinha alguns suspeitos, e o mais provável era o Rosto Deformado. Antes de se tornar um paciente psiquiátrico, ele era médico. E pelo que fez ao próprio pai, dava para ver que essa pessoa tinha um forte desejo de vingança.

"Será que ele preparou os remédios e os forçou a tomar?" Se fosse esse o caso, não havia necessidade de escrever os nomes dos pacientes nos sacos. Então a situação não devia ser tão simples.

Passava da meia-noite, e era o momento mais instável. Chen Ge preferia perder mais tempo para descobrir o motivo do aparecimento daqueles sacos e comprimidos.

Parado na porta, ele observava o corredor escuro e comprido pela fresta.

Cerca de dez minutos depois, uma silhueta borrada apareceu no fim do corredor do terceiro andar. Estava longe demais, e Chen Ge não sabia se ela tinha saído de algum quarto ou vindo de outro andar.

"É aquele psiquiátrico?" Não dava para ver o rosto, e Chen Ge não ousava acender a luz. Ele segurou o martelo de esmagar crânios e se escondeu atrás da porta, preparado para agir.

A silhueta andava de um jeito estranho, cambaleante, como se fosse cair a qualquer momento.

Conforme ela se aproximava, Chen Ge notou um problema ainda mais estranho.

Aquela coisa não fazia nenhum som ao andar!

"Com aquele jeito cambaleante de andar, é impossível que não haja passos."

Num piscar de olhos, a silhueta se aproximou ainda mais. Chen Ge conseguiu ver vagamente a roupa que ela vestia.

O uniforme branco de enfermeira se destacava no corredor escuro, contrastando com os colchões fedorentos espalhados pelo chão. Parecia que não pertencia àquele lugar.

"Não é o Rosto Deformado. Parece ser uma mulher?" Chen Ge não tinha certeza. Ele pressionou a parte superior do corpo contra a porta do quarto e colou o olho na fresta. Não piscava, com medo de perder algo importante.

"Está vindo."

A silhueta vestindo o jaleco de enfermeira mantinha a cabeça baixa, murmurando algo. Estava cada vez mais perto do quarto onde Chen Ge estava escondido, e ele via cada vez mais claramente.

Aquela silhueta em movimento não passava de um monstro vestindo um jaleco de enfermeira. A cintura estava torta, as partes do corpo eram extremamente descoordenadas, até os dedos eram deformados. Parecia que tinha sido atropelada.

A enfermeira diante dele destruiu as fantasias que Chen Ge tinha sobre enfermeiras nos últimos vinte e poucos anos. Atrás da porta, ele segurava o martelo de esmagar crânios, e a palma da mão começava a suar.

O cabelo preto e bagunçado caía para a frente, cobrindo a maior parte do rosto. Quando ela passou pela porta do quarto onde Chen Ge estava escondido, o monstro parou de repente.

Naquele instante, Chen Ge prendeu a respiração e ergueu lentamente o martelo.

A enfermeira parecia ter sentido algo. Ela ergueu a cabeça devagar, o cabelo preto escorrendo para os lados, revelando aquele rosto muito comum.

"É ela?!"

Aquele rosto comum fez as pupilas de Chen Ge se contraírem.

Ele já tinha visto aquele rosto antes. Na sala de atividades do Segundo Prédio de Doenças, ele viu aquele rosto pessoalmente numa foto em preto e branco!

"Ela não está morta?"

Aquela enfermeira robusta era a pessoa que tinha morrido no Terceiro Prédio de Doenças anos atrás. Pelo que o médico Gao disse, a polícia tinha investigado na época e achava que o assassino estava entre os pacientes.

"Ela ainda vagueia por aqui depois da morte?" Chen Ge começou a entender por que a enfermeira não fazia barulho ao andar. Com uma das mãos, ele tocou a faca de matar porcos na mochila.

Depois de uma pausa de um ou dois segundos, a enfermeira virou o corpo com dificuldade, como se fosse cair, e se jogou contra a porta onde Chen Ge estava.

"Pá!"

A cabeça bateu na porta do quarto, produzindo um som abafado.

Chen Ge sacou a faca sem hesitar e pulou para trás.

A porta do quarto não estava trancada, e Chen Ge já estava preparado para lutar contra aquele monstro.

Mas naquele momento, de algum quarto no andar de baixo, veio o som de uma porta balançando.

Ao ouvir aquele som, a enfermeira, como se fosse um fantoche de cordas, virou-se à força, abriu a portinha ao lado do balcão da estação de enfermagem e entrou.

"O que está acontecendo?" As costas de Chen Ge já estavam encharcadas de suor. A enfermeira tinha uma posição baixa no Terceiro Prédio de Doenças, parecia apenas um resquício sem pensamento, agindo por instinto. Quem a comandava para fazer tudo aquilo era o verdadeiro culpado.

Chen Ge não ousava relaxar nem um pouco. Para não alertar o inimigo, ele não aproveitou a oportunidade para testar a faca de matar porcos na enfermeira. Em vez disso, ficou quieto atrás da porta, observando-a.

De volta à estação de enfermagem, a enfermeira pegou um caderno manchado de sujeira e sangue debaixo do balcão. Conferindo o conteúdo do caderno, ela colocou vários sacos de remédios preparados no balcão.

A estação de enfermagem ficava em frente ao quarto onde Chen Ge estava escondido. Naquele momento, a enfermeira estava de frente para ele, e todos os seus movimentos eram vistos claramente.

Ela era ágil. Rapidamente, selecionou uma dúzia de sacos de papel e entrou na escadaria, parecendo ir para o quarto andar.

Só depois que a enfermeira se afastou é que Chen Ge saiu do quarto. Ele pulou na estação de enfermagem e pegou o caderno que a enfermeira tinha folheado.

O caderno era grosso, cheio de fichas de casos e relatórios de diagnóstico.

Chen Ge folheou algumas páginas e descobriu que os pacientes registrados no caderno tinham uma característica em comum: todos já não estavam mais vivos.

Em todos os relatórios de diagnóstico, na coluna de resultados, alguém tinha rabiscado com caneta vermelha, escrevendo quatro palavras — "Confirmado: morto".

"O assassino escondido no hospital está seguindo os pacientes? Ou será que todos os pacientes que receberam tratamento no centro de reabilitação voltaram para cá depois de morrer?"

Chen Ge encontrou os nomes de Li Chunyan e Zhang Qisi nas fichas. Ele olhou para o balcão novamente. Os dois sacos de papel com os nomes deles já tinham sido levados pela enfermeira.

"No quarto andar, há dois manequins com esses nomes escritos nas costas. Todos os pacientes falecidos têm um manequim correspondente no Terceiro Prédio de Doenças. Toda noite, alguém vai especialmente entregar remédios, como se eles ainda estivessem vivos." O centro de reabilitação estava abandonado há quatro ou cinco anos, mas o Terceiro Prédio de Doenças parecia continuar funcionando normalmente, só que seus pacientes tinham passado de vivos a mortos. E toda essa mudança provavelmente estava relacionada à porta dentro do prédio.

"Será que é porque a porta ficou muito tempo sem ser fechada, fazendo com que o mundo atrás dela e o mundo real se sobrepusessem parcialmente? Como aquele cubículo no banheiro da minha casa mal-assombrada." Chen Ge não examinou o caderno em detalhes. Ele o pegou e o colocou na mochila, depois entrou no corredor do terceiro andar. Ele planejava ir ao banheiro do terceiro andar dar uma olhada enquanto a enfermeira não tinha voltado.