Capítulo 166: Quem Está Interpretando o Médico
No meio do corredor escuro, havia muitos colchões jogados, com volumes embaixo, como se escondessem algo.
Chen Ge ergueu um deles com o martelo de ferro. Debaixo do cobertor mofado, havia um boneco feito de lençóis e travesseiros, tosco, mal dando para perceber a forma de uma pessoa.
O mais assustador era que, no travesseiro, havia um rosto desenhado com giz de cera: olhos, nariz, boca rasgada. Parecia um rabisco de criança, mas fez Chen Ge sentir um arrepio na espinha.
"Não deveria ser assim."
Chen Ge conteve o impulso de esmagá-los com uma martelada e começou a refletir.
"Os vinte e quatro bonecos da Casa do Terror são, em todos os aspectos, mais assustadores do que esses bonecos de travesseiro e lençol. Quando enfrento aqueles bonecos, não sinto medo nenhum, mas perto desses falsos, meu coração fica inquieto."
Ele virou o boneco. No verso do travesseiro, estava escrito um nome estranho — Li Chunyan.
"Por que tem um nome?" Esses bonecos pareciam os de uma brincadeira de criança, como quando usam bonecos ou fantoches para representar pais ou alguém real.
Jogou um punhado de sal no rosto do boneco e observou por dois ou três minutos. Nada mudou. Então, deu alguns passos e ergueu outro colchão. Debaixo, havia outro boneco de travesseiro e lençol.
"Zhang Qisi?" No verso, também havia um nome.
Chen Ge olhou para os colchões velhos amontoados no corredor e sentiu um calafrio nas costas: "Será que cada boneco tem um nome? Eles estão representando pessoas vivas?"
Os montes de colchões no corredor pareciam túmulos. Chen Ge segurava o martelo crânio-esmagador com as mãos suadas. Sentia que, depois de completar esta missão de teste, sua coragem seria maior do que antes.
Mal tinha andado dez metros, os dois sacos de sal já tinham acabado.
Na prática, o sal não era muito eficaz contra coisas sujas. A sensação desconfortável no corredor não diminuiu; pelo contrário, ficou mais forte.
"Vou economizar o último saco de sal. Não posso desperdiçar." Chen Ge olhava para trás a cada poucos passos, preocupado em encontrar a cena clássica dos filmes de terror: andar o caminho todo e ver uma fila de bonecos balançando atrás dele.
Com os músculos tensos, Chen Ge já tinha decidido: mesmo que um boneco se levantasse atrás dele, ele correria para esmagá-lo e depois dar uma facada com a faca de matar porcos.
"Não precisa se apressar. Ainda tenho muitos trunfos para usar." Chen Ge não sabia se estava explicando para os espectadores ao vivo ou se consolando a si mesmo. O fato é que, conforme ele avançava no Terceiro Prédio de Doentes, a audiência ao vivo subia a um ritmo assustador. Já Qin Guang estava estagnado, com a audiência caindo, dependendo apenas de doações de ricos para se manter.
Os quartos do Terceiro Prédio de Doentes eram diferentes dos outros dois. Todos eram individuais. O estranho é que não havia camas, como se nunca tivessem sido usados.
"Ouvi o Dr. Gao dizer que o Terceiro Prédio tem apenas dez quartos, com registros de apenas nove pacientes. Para que servem esses quartos vazios?"
Todos os quartos não tinham numeração, portas idênticas pintadas de branco, mas pareciam nunca ter sido abertos, não deviam ser para pacientes.
"O Primeiro Prédio está lotado, com camas até nos corredores. Este Terceiro Prédio está vazio, preferindo deixar espaços ociosos a abrigar pacientes. Qual será o motivo profundo?"
Chenge andava com muito cuidado. Quando chegou ao meio do corredor do quarto andar, o cheiro de podridão no ar de repente se intensificou.
Além do vento frio, outro som surgiu.
Difícil de descrever, como se inúmeras pessoas estivessem respirando com força, tentando acordar de um pesadelo.
Iluminando ao redor com a lanterna, a inquietação de Chen Ge aumentou. Ele encostou as costas na parede, pegou o celular e olhou as horas.
"Meia-noite em ponto!"
Enquanto olhava o celular, em algum quarto do andar de baixo do Terceiro Prédio, ouviu-se o som de uma porta sendo aberta.
A sensação era estranha: o som vinha de baixo, mas parecia ecoar ao lado do ouvido.
"A porta de sangue no espelho da Casa do Terror se abre por um minuto à meia-noite. Será que as portas deste Terceiro Prédio são iguais às da minha casa mal-assombrada?"
As portas aparecem à meia-noite, mas não se abrem sozinhas. Quando o som de abertura ocorre, significa que algo saiu de trás delas.
"Na inscrição que Wang Haiming gravou, ele disse que completou o ritual final no banheiro. Parece que só no banheiro do centro de reabilitação há espelhos grandes."
Depois da meia-noite, todo o prédio mudou, como se um monstro adormecido estivesse acordando.
Chegando ao fundo do quarto andar, Chen Ge ficou na entrada da escada e olhou para baixo. Escadas escuras, degrau após degrau, se estendiam na escuridão.
Ninguém sabia o que estava escondido ali, nem quando algo surgiria de um ângulo inesperado.
Os olhos de Chen Ge tremeram levemente. Segurando o martelo de ferramenta na entrada da escada, pensou por um momento e desligou a lanterna.
O Terceiro Prédio escondia pacientes mentalmente perturbados, almas injustiçadas e monstros que saíam da porta de sangue. Era um perigo a cada passo.
Nessa situação, a luz da lanterna o exporia, tornando-o um alvo fácil.
Fechou os olhos, depois os abriu. Chen Ge deixou os olhos se adaptarem à escuridão e pisou na escada, descendo para o terceiro andar.
Desde o início da missão de teste, Chen Ge não estava sem ganhos. Pelo menos, sua relação com o gato branco tinha melhorado muito.
Antes, o gato branco o ignorava. Mas, ao entrar no fundo do corredor do Terceiro Prédio, o gato pulou sozinho em seu ombro, com as garras firmemente presas em sua roupa e mochila, como se nunca fosse soltar.
"Não tenha medo. Ainda está tudo sob controle." Chen Ge acariciou a cabeça do gato branco. O gato, normalmente irritadiço, não resistiu, com seus olhos heterocromáticos fixos na escuridão distante.
Descer as escadas no escuro parecia ter mais degraus. Chen Ge levou um ou dois minutos para chegar ao terceiro andar.
As janelas estavam lacradas. O terceiro andar era mais escuro que o quarto, mal se viam os montes de colchões no corredor.
"O rosto deformado entrou no Terceiro Prédio e desapareceu, sem deixar pegadas no chão. Onde ele estará escondido? Em algum quarto? Ou debaixo dos colchões, pronto para atacar?"
Na esquina do terceiro andar, havia também um posto de enfermagem. O estranho é que todos os medicamentos e registros no balcão estavam arrumados. Mais estranho ainda: não havia poeira alguma, como se estivesse em uso constante.
Chen Ge pulou para dentro do posto e encontrou muitos comprimidos preparados no balcão, de cores variadas, em saquinhos de papel branco, com nomes de pacientes escritos.
"Li Chunyan? Zhang Qisi? Esses não são os nomes nos bonecos do quarto andar? Será que alguém prepara remédios para os bonecos à noite?" Chen Ge teve uma ideia absurda: parecia que uma criança estava brincando neste prédio, fazendo bonecos para serem pacientes e se vestindo de médico para receitar remédios.
"Brincar desse jeito no Terceiro Prédio de madrugada?" Chen Ge olhou para os nomes no balcão, sentindo que algo estava escapando.