Capítulo 1166: Identidades Trocadas
Deitado na cama do centro de tratamento de doenças mentais, Chen Ge, tanto em sua expressão quanto em suas palavras, integrava-se perfeitamente ao ambiente.
"Durante o dia, uma pessoa normal, mas à noite fica tão doente assim?" Zuo Han sentou-se em sua própria cama, mantendo uma boa distância de Chen Ge: "Sou formado em medicina legal, estudei por anos, e nunca ouvi falar que estímulos frequentes podem ativar memórias."
"Você, da medicina legal, lida com cadáveres. A situação dos vivos pode ser mais complicada."
"Você sabe quão baixa estava sua temperatura corporal quando teve a crise? A única diferença entre você e um morto naquele momento era que você ainda tinha batimentos cardíacos." Zuo Han inicialmente queria cooperar com Chen Ge para escaparem juntos, mas agora começava a perceber que seu colega de quarto era perigoso, podendo até matá-lo a qualquer momento.
Na visão de Zuo Han, Chen Ge não era apenas doente; parecia esconder outros segredos.
"Será que este hospital está realizando experimentos em humanos?" Zuo Han tentava usar seu conhecimento para encontrar respostas, mas quanto mais pensava, mais confuso ficava. A ciência não conseguia explicar o estado de Chen Ge; isso já era domínio da teologia.
"Zuo Han, você pode me contar algumas histórias de fantasmas? As mais assustadoras possíveis." Chen Ge, deitado na cama, virou a cabeça e olhou para Zuo Han, cheio de expectativa.
"Você está louco? Por que ouvir histórias de fantasmas de repente?" Zuo Han falou impulsivamente, percebendo que não conseguia mais entender Chen Ge: "Meia-noite, pedir a um colega de quarto para contar histórias de fantasmas? Que tipo de mentalidade você tem para dizer algo assim?"
"Só quero testar se a emoção do medo pode realmente estimular minha recuperação de memória."
Ouvindo as palavras de Chen Ge, Zuo Han achou que fazia algum sentido. Ele franziu levemente os olhos e contou algumas histórias de fantasmas que conhecia.
"Conseguiu sentir medo?"
"Não, suas histórias não conseguem me animar."
"Quem é que se anima ouvindo histórias de fantasmas?!" Zuo Han levantou-se da cama e arrastou sua cama para longe de Chen Ge, parando apenas na porta.
A essa distância, se Chen Ge tentasse algo contra ele, poderia abrir a porta e correr.
"Você já passou por algo muito assustador?"
"Sim, fui trancado em um hospital psiquiátrico, e meu colega de quarto me pede para contar histórias de fantasmas à noite." Zuo Han não conseguia entender o comportamento de Chen Ge, nem pela medicina nem pela metafísica.
"Suas histórias de fantasmas não são nada assustadoras. Que tal..." Chen Ge ergueu a mão com dificuldade: "Brincarmos de alguns jogos de invocação? Como brincar de copo ou pires?"
Sem precisar pensar, algumas coisas já estavam gravadas em seu corpo. Chen Ge estava muito familiarizado com esses termos.
"Você não perdeu a memória? Como sabe tanto sobre essas coisas estranhas?" Zuo Han percebeu o problema.
"Na minha memória, eu era dono de uma casa mal-assombrada, mas o médico disse que estou assumindo a identidade de outra pessoa, que minha história é inventada."
"O médico pode estar mentindo para você. Pelo seu comportamento estranho esta noite, você busca estímulos, gosta de sensações de medo e conhece bem jogos de terror como copo e pires. É muito provável que você realmente fosse dono de uma casa mal-assombrada!" Zuo Han coçou o queixo, pensativo.
"Mas por que o médico mentiria para mim?"
"Como eu saberia?"
"Então vamos brincar de copo? Talvez eu consiga me lembrar de algo."
"Não vou brincar, não tenho copo."
"E pires? Conheço um jogo de terror chamado 'costas com costas', onde uma pessoa fica na cama e outra embaixo dela..." Sempre que tentava pensar profundamente, o cérebro de Chen Ge parecia ser rasgado, então ele falava ou agia por instinto.
Zuo Han não falou mais com Chen Ge. Com o rosto frio, deitou-se de lado na cama, de costas para Chen Ge, começando a pensar em como fugir do hospital.
Manteve essa posição por um tempo, mas sentiu uma inquietação inexplicável. Lembrou-se das palavras de Chen Ge e achou tudo estranho: "Será que ele está fingindo? Estou de costas para ele, e se ele estiver agora atrás de mim?"
Arrepios subiram em seu pescoço. Zuo Han virou-se bruscamente e viu que Chen Ge já estava dormindo.
"Quando dorme, parece normal. Nunca imaginaria que diria coisas tão assustadoras."
O quarto ficou em silêncio. Por volta das duas da manhã, um barulho estranho veio de algum lugar do hospital, como se algo tivesse explodido.
Chen Ge e Zuo Han acordaram assustados. Antes que pudessem entender o que estava acontecendo, ouviram passos no corredor.
"Alguém está vindo!"
A porta do quarto foi batida suavemente duas vezes. Antes que Chen Ge e Zuo Han pudessem se aproximar, os passos se afastaram.
Quando Zuo Han abriu a porta, o corredor estava vazio: "Quem bateu?"
"Falando nisso, ontem à noite, quando você saiu para verificar, alguém também veio bater, mas foi só uma vez." Chen Ge percebeu que lembrar das memórias após acordar no hospital não doía, mas tentar lembrar do que aconteceu antes de desmaiar causava uma sensação de rasgo no cérebro.
"Ontem uma batida, hoje duas? Parece que alguém está fazendo isso de propósito." Zuo Han olhou para Chen Ge: "Você conhece outros pacientes aqui?"
"Não me lembro. Desde que fui internado, parece que desmaiei muitas vezes. Cada vez que acordo, a memória do desmaio anterior fica mais confusa."
"Será que é assim? O hospital quer fazer de você uma 'pessoa normal' dentro dos padrões deles, mas cada tratamento falha, então eles precisam 'reiniciar'?" Zuo Han achou a possibilidade cada vez mais real: "Talvez você já tenha passado por esse processo várias vezes, só não percebeu."
"Mas o que isso tem a ver com a pessoa que bateu?" Chen Ge, deitado na cama, tentava não pensar muito e aproveitava para descansar.
"Será que a relação entre você e essa pessoa é igual à nossa?" Zuo Han arriscou: "Ele deve ter sido seu colega de quarto. Você foi 'reiniciado' por falha no tratamento, e ele se escondeu. As batidas podem ser um código entre vocês, ou uma dica."
"Faz sentido." Chen Ge concordou.
"Amanhã à noite ele pode aparecer de novo. Vamos tentar contatá-lo."
"Ok."
A noite no hospital não foi tranquila. Passos ecoavam no corredor. Chen Ge só conseguiu dormir perto do amanhecer.
Às oito da manhã, a porta do quarto foi aberta. O Dr. Gao e Xu Wan entraram.
"Dormiram bem?" O Dr. Gao ignorou novamente Zuo Han, que estava deitado de lado, e foi direto para a cama de Chen Ge. Parecia cansado.
"Não muito bem. Ontem à noite, algo explodiu no hospital. O barulho me assustou." Chen Ge parecia fraco, falando devagar.
"Foi um problema na caldeira do hospital, nada grave." O Dr. Gao sentou-se na cama do meio: "Você sonhou esta noite?"
"Não." Chen Ge balançou a cabeça: "Sinto que estou esquecendo algumas coisas. Fragmentos de memória estão sendo substituídos por novas lembranças. Estou confuso, não sei qual é o verdadeiro eu."
"Perceber isso já mostra melhora. Não force, vamos devagar." O Dr. Gao era muito paciente: "Tratar doenças mentais não pode ser apressado. É preciso aceitar, reconhecer e depois superar."
Depois de falar, o Dr. Gao olhou pela primeira vez para Zuo Han: "Chen Ge, ouvi do enfermeiro que alguém estava andando pelo corredor ontem à noite. Você e seu colega não saíram do quarto, certo?"
Ao ouvir isso, Zuo Han abriu os olhos, mas como estava de costas para o Dr. Gao, ninguém percebeu.
"Ficamos no quarto a noite toda. Mas ouvi passos tarde da noite, muitos, como se houvesse várias pessoas lá fora." Chen Ge não continuou o assunto, voltando a falar sobre o susto: "Dr. Gao, notei algo estranho ontem à noite."
"Fale."
"Quando acordei com a explosão, a sensação de pavor percorreu meu corpo como um choque. Odeio essa sensação de medo, meu corpo tremia sem parar." ChenGe apertou as mãos contra o peito, com uma expressão péssima.
O Dr. Gao ouvia com paciência, enquanto Zuo Han, fingindo dormir, torceu o nariz.
Um louco que olhava com um sorriso perverso para pacientes internados agora dizia odiar o medo?
"Foi como se tivesse sido jogado em um pesadelo sem fim. Dor de cabeça, palpitações, suor frio, não conseguia respirar, sentia até falta de gravidade e uma sensação de morte iminente." Chen Ge segurou a cabeça, falando rapidamente: "Minhas memórias passadas parecem cheias de medo. Quando me assusto novamente, aquela sensação de impotência me domina. Odeio essas memórias, quero arrancá-las da minha mente! Dr. Gao, pode me ajudar?"
Antes que o Dr. Gao pudesse responder, Zuo Han arregalou os olhos, já sabendo o que Chen Ge pretendia.
"O medo te faz odiar e temer as memórias passadas?" O Dr. Gao assentiu lentamente: "Já conversamos antes. A história que você imaginou é realmente assustadora, uma memória terrível."
Com olhar vago, Chen Ge fitou o teto: "É muito doloroso. Odeio a mim mesmo quando estou com medo."
"É uma reação normal. Sentir isso mostra que você está sendo curado." O Dr. Gao tirou um frasco do bolso, colocou dois comprimidos e observou Chen Ge tomá-los antes de sair: "Vou ajustar o tratamento. Daqui a pouco, vá com a Xu Wan tomar café da manhã."
Depois que o Dr. Gao saiu, Xu Wan ajudou Chen Ge a se levantar, a se lavar e o levou ao refeitório do hospital.
"Aqui é o refeitório da terceira ala. Quando sua condição melhorar, pode vir sozinho." Xu Wan serviu a comida para Chen Ge e foi embora.
"Isso me é familiar. Na minha memória, ela também trazia comida para mim." Chen Ge murmurou. Não tinha amigos, sentou-se sozinho num canto do refeitório, olhando de vez em quando para os outros pacientes.
"A terceira ala do Hospital Central de Xin Hai é o centro de tratamento psiquiátrico. Na minha memória, há um lugar chamado Terceiro Prédio de Doenças."
Memórias e realidade se entrelaçavam. Chen Ge batia levemente a colher na mesa.
Sem expressão, pensava em uma coisa.
"O Dr. Gao disse que a autoconsciência é crucial para pacientes psiquiátricos. Há alguns dias, a palavra 'chave da autoconsciência' surgiu na minha mente, junto com a memória do Terceiro Prédio de Doenças. Não lembro o que fiz lá, mas uma coisa é certa: há uma conexão entre a chave e o Terceiro Prédio. Se o Terceiro Prédio que imaginei tem como protótipo a terceira ala, será que a chave da autoconsciência está escondida em algum lugar da terceira ala?"
A colher entortou em sua mão. A dor torturava seus nervos, mas ele suportava com uma vontade assustadora.
"O Dr. Gao diz que minhas memórias são histórias inventadas, e que tudo que lembro tem um protótipo real. Então quero ver como é a chave da autoconsciência na realidade."
Ao lembrar da chave e do Terceiro Prédio, outro fragmento de memória surgiu naturalmente: "A autoconsciência é importante para pacientes psiquiátricos. A chave da autoconsciência está relacionada ao hospital psiquiátrico. Isso não é coincidência. Parece que alguém preparou tudo, como se soubesse que um dia eu seria internado e deixou a chave como pista."
Cada vez que seu cérebro funcionava, era como se milhares de agulhas o atravessassem. Uma dor que poucos suportariam.
"A chave da autoconsciência parece um ponto de ativação de memória, guiando meu pensamento."
Entortando a colher quase até quebrar, Chen Ge suportava a dor, comendo colherada por colherada.
Ele se acostumava com a dor, usando esse método brutal para enfrentar seu passado.
Depois de comer, Chen Ge foi para o jardim do hospital com suas muletas: "Não posso ser trancado na ala de isolamento de novo. O hospital quer que eu seja alguém, então vou interpretar esse papel. Só assim terei chance de investigar a verdade."
Sentado num banco, olhou para o pavilhão distante. Zhang Jingjiu não apareceu.
"Por apenas uma frase, uma punição tão severa?" A luz do sol batia em seu rosto, mas ele não sentia calor.
"Parece que Zhang Jingjiu não virá."
Minutos depois, um arbusto se mexeu e uma cabeça de gato apareceu. O gato de rua parecia estar esperando por Chen Ge, ou talvez Chen Ge estivesse esperando por ele.
Saindo do arbusto, o gato branco mordeu a barra da calça de Chen Ge e o puxou em direção à cerca. Chen Ge não resistiu.
Desta vez, diferente da anterior, o gato o levou até a cerca, miou algumas vezes e depois passou pela fenda, correndo para o parque do outro lado da rua.
"Está me mandando esperar aqui?" Chen Ge não tinha memória daquele gato, nem do passado nem do presente.
Quinze minutos depois, quando Chen Ge já suspeitava que tinha sido enganado pelo gato, ele reapareceu, seguido por uma mulher vestida de vermelho.
"Zhang Ya?"
A mulher, com maquiagem de fantasma, ao ouvir Chen Ge chamar seu nome, hesitou por um momento.