Não sei há quanto tempo andamos... Na escuridão, Sean não conseguia ver a exibição do tempo; estimava que já devia ter passado mais de meia hora. No entanto, esta caverna tinha um espaço bastante amplo, e ao continuar andando para dentro, ainda não conseguia ver o fim; o ambiente ao redor era vazio, como um bunker. Se não fosse por estar num planalto, Komori até suspeitaria que aquilo fosse uma fortaleza militar! "Este lugar não parece algo feito pelo homem?" Lucille também sentiu a anormalidade; de qualquer forma, aquela caverna parecia muito com um palácio subterrâneo. "Provavelmente não!" Sean respondeu. Se fosse construído por humanos, só poderia significar que a tecnologia dos povos antigos era extremamente poderosa. Afinal, estávamos a vários quilômetros de profundidade no subsolo; uma pessoa comum já teria sorte em cavar cem metros, e um palácio subterrâneo comum não passaria dessa profundidade. Que ferramentas seriam necessárias para cavar a milhares de metros abaixo?! Ele já tinha visto muitos documentos históricos; se realmente existisse uma era tão poderosa, algo teria ficado para trás. Além disso, este era um planalto desabitado, inadequado para habitação humana a longo prazo; que necessidade haveria de construir uma fortaleza aqui? Mas... Se não fosse, também não parecia tão certo. O ambiente ao redor dava a impressão de ter sido polido intencionalmente; até as paredes eram muito lisas. Algo natural não poderia ser assim, nem mesmo se fosse escavado por um inseto gigante. Se fosse escavado por aquela criatura subterrânea, deveria ser como um buraco de minhoca, cheio de caminhos entrelaçados, não uma única estrada como esta, que realmente parecia um bunker. "Mas realmente se parece muito!" "Parece, mas não consigo imaginar quem construiria um bunker aqui." Para armazenar riquezas nacionais? Talvez fosse possível. Como nas histórias de romances, onde um país muito poderoso, temendo que seus descendentes fossem retaliados ou destruídos, escondia tesouros nacionais em algum lugar para serem abertos quando os descendentes enfrentassem dificuldades. Isso não acontecia só em romances; parecia haver casos na realidade também, como Jagon já havia feito. Mas esta região era diferente... No planalto, nunca houve um povo forte na história; muitos historiadores acreditavam que os habitantes originais de Shata migraram das planícies para escapar de guerras, formando gradualmente a etnia local. Independentemente de essa pesquisa ser verdadeira, era certo que não havia países fortes no planalto na história. Cavar uma estrutura subterrânea a milhares de metros de profundidade seria extremamente difícil para eles! Sean puxou Lucille e continuou andando. O que era estranho não era apenas a sensação de um bunker subterrâneo, mas também o oxigênio, que era surpreendentemente abundante. A tal profundidade, manter o mesmo ambiente do ar da superfície indicava que devia haver algum túnel para o exterior. Mas mesmo com outro túnel, o ar não poderia ser idêntico ao da superfície. Devia ser algum outro dispositivo. Sean instintivamente pensou em algum tipo de magia... O lugar onde estavam agora já era o fundo do planalto. Na superfície, era difícil se mover, e atravessar as montanhas consumia tempo; mas uma vez no subsolo, em terreno plano, a velocidade de caminhada aumentava. A distância devia ter diminuído... Se considerasse a distância na superfície, Sean achava que já devia estar no subsolo abaixo do pico mais alto. Isso significava que estava perto do que procurava. O Cristal dos Antigos o guiara até ali. "Estamos chegando ao nosso destino, Mestre?" Lucille também sentiu algo estranho, mas não pensou nisso. Apenas achava que o lugar devia estar perto do ponto que planejavam alcançar, o teto do mundo. Embora estivessem no subsolo, em cima certamente era! "Deve ser aqui... Você sente que o ar já está na mesma temperatura da superfície?" Afinal, estavam a milhares de metros de profundidade; antes, a sensação era de abafamento, mas depois de andar, melhorou. "Sim, que estranho!" Lucille olhou ao redor. Muito estranho... "Isso provavelmente é causado por alguma magia, ou por algo com energia." Sean disse. "A pedra ainda está aí?" Lucille abriu rapidamente sua bolsa... "Ainda está." Com a explosão violenta anterior, a onda de choque destruíra a maior parte do que carregavam; o que restava era pouco. Antes, na superfície, Lucille organizara o que sobrou, e o cristal roxo era a única coisa sem nenhum dano. Parecia intacto, como se não tivesse sido afetado. "Aqui está..." Lucille o pegou e entregou a Sean. Na palma da mão, realmente tinha uma sensação fria. Aquilo armazenava algum tipo de poder, algo que os humanos não conseguiam explicar, mas essa força não podia ser ativada pela tecnologia ou magia existente; por isso, para os outros, era apenas uma pedra estranha e fria. Mesmo que tivesse grande poder, se não pudesse ser usada, era só uma pedra. Sean não sabia quem, anos depois, no Reino de Basharan, teria a capacidade de ativar o Cristal dos Antigos e fazer o Shoggoth sair dele. Isso ele ainda não entendia. Mas desta vez seria melhor; mesmo que o Shoggoth aparecesse novamente, com sua força atual, ele não temia nenhuma criatura, nem mesmo as antigas. Os dois continuaram andando; quanto mais avançavam, mais evidente era a sensação de bunker subterrâneo e o conforto do ambiente... Parecia que o lugar fora criado intencionalmente para ser habitável; o ar e o ambiente já não lembravam as profundezas do subsolo. Ignorando as paredes ao redor, dava para dizer que estavam na superfície, numa planície confortável. Lucille e Sean tinham vestido casacos grossos para subir ao planalto, mas agora sentiam calor. O ambiente ao redor começava a ficar mais confortável! No escuro, à distância, gradualmente aparecia luz. "Há luz ali." "Sim, vamos ver!" Sean também notou a luz ao longe. Era como feixes coloridos de gelo refletindo o sol, iluminando a caverna escura como se fosse dia. Quando Sean e Lucille se aproximaram, perceberam que as partes refletoras eram todas enormes blocos de cristal, que se estendiam do subsolo, centenas ou milhares deles, até o alto, tão alto que não conseguiam ver o topo. Aquilo devia levar diretamente à superfície... A luz entrava por refração de fora. "Ainda há estátuas lá dentro!"