"Dragão, com certeza é um dragão!" Os irmãos Soren e Sol conseguiram se levantar apressadamente ao ouvir o som enquanto dormiam profundamente. Saíram da tenda. Diante dos olhos... A área além da fogueira continuava completamente escura, sem nada visível, mas, ao se acalmar e ouvir com atenção, era possível perceber os rugidos baixos vindos da escuridão ao longe. "É por ali, sem dúvida. Senhor Sean, o senhor ouviu?" Sol perguntou animadamente ao mestre e ao aprendiz Sean. Dava para ver a empolgação dos dois irmãos naquele momento. Afinal, segundo o que disseram antes, já estavam no quarto ano participando da missão de busca por dragões, mas nunca tinham tido sucesso. A única vez, perderam um ovo de dragão por pouco. Agora, ao ouvir novamente o som de um dragão, como não se animar? "Ouvi, bem claro", disse Sean. "Sim, com certeza é... vamos dar uma olhada." Já era madrugada, o caminho estava difícil, mas os dois insistiam em ir ver. "Senhor Sean e a irmã Lucille fiquem aqui nos esperando. Vamos dar uma olhada e voltamos", disseram os irmãos, ainda animados, mas com a cabeça no lugar. Na escuridão quase sem caminho visível, não pediram que Sean e Lucille fossem, apenas planejavam ir eles mesmos. Claro, talvez também por algum plano pessoal... "Tudo bem, ficamos no acampamento esperando. Cuidem-se... Se encontrarem algo, lembrem-se de voltar primeiro. Não é adequado lutar nas montanhas profundas à noite", disse Sean. Mas a última recomendação pareceu não surtir efeito nos dois; eles apenas acenaram com a cabeça de forma desordenada e, apressados, pegaram tochas da fogueira, usando a pouca luz para seguir na direção do som do dragão. "Rápido, o som está se afastando, daqui a pouco não vamos ouvir mais." "Já estou indo, já estou indo!" Sean e Lucille os viram partir, ainda discutindo sobre como ir mais rápido antes de sair. Parece que essa missão de busca por dragões os deixou completamente obcecados; com um objetivo, nada mais importava... Observando as faíscas se afastarem gradualmente, até quase não verem mais o ponto de luz. "Mestre, vamos realmente esperar aqui?" "Ou você quer ir?" Sean perguntou de volta. E Lucille balançou a cabeça com força. O objetivo dos dois não eram aqueles dragões, não valia a pena arriscar tudo para se mover em um ambiente completamente escuro. À frente, estava tão escuro que não se via a mão na frente do rosto! "Não quero ir." "Então está resolvido. Vamos esperar um pouco e ver o que acontece", disse Sean. Ele mesmo não esperava realmente encontrar dragões nas montanhas, e o som não era tão impressionante quanto imaginava. O tom era alto, ecoando por toda a cordilheira, audível em todos os lugares. Imaginava que outros que subiram a montanha de outros lugares também deviam ter ouvido, por isso Soren e Sol estavam tão apressados para ir ver... Caso contrário, se perdessem outra chance, os dois ficariam profundamente abalados. Assim, Sean e Lucille esperaram no acampamento temporário... O vento frio do planalto soprava de vez em quando, acompanhado pelos uivos dos dragões. Parecia que estava cada vez mais distante, sem saber o que estava acontecendo. Lucille colocava mais lenha na fogueira, depois se encostava no ombro de Sean, cochilando. Até que, depois de muito tempo, até Sean começou a sentir sono, e eles ainda não tinham voltado. Será que algo aconteceu? Olhando para a escuridão, sem ver nada, ainda não havia luz de fogueira voltando ao longe. Sean começou a fazer suposições. Mais um tempo passou, e Lucille, que dormia encostada no ombro de Sean, acordou, esfregou os olhos e olhou ao redor. "Mestre, eles ainda não voltaram?" "Ainda não!" Naquele momento, ele estava um pouco preocupado. Afinal, eram pessoas que vieram da cidade juntos, e essa missão era ideia deles. Se o líder desaparecesse, o grupo teria problemas. "Será que aconteceu algo?" Até Lucille pensava assim. E, naquele momento, o som dos dragões nas montanhas já tinha desaparecido. Provavelmente tinham ido para longe, mas ainda não se via os dois irmãos voltando. Lucille notou a expressão de Sean naquele momento e disse, com um pouco de pena: "Mestre, por que você não dorme um pouco? Eu fico de olho. Se eles voltarem, eu te chamo." Pela hora, já era madrugada, o céu começava a clarear, com tons acinzentados anunciando o amanhecer, e a visão já não era tão escura. Sean, que tinha ficado acordado até agora, estava realmente com sono. "Tudo bem, vou descansar um pouco. Se eles voltarem, me chame." "Sim", respondeu Lucille. Sean se acomodou de uma forma confortável e fechou os olhos. Com a proteção de suas habilidades de alto nível, ele já conseguia recuperar as forças de várias maneiras; o cansaço mental podia ser superado em pouco tempo. Afinal, o tempo ainda estava a seu favor. E, com a chegada do amanhecer do dia seguinte, Sean abriu os olhos. Lucille, do outro lado, estava olhando para a fogueira, distraída. Ao ver Sean acordar, cumprimentou-o imediatamente. "Mestre, você acordou!" "Sim, eles ainda não voltaram?" Ela balançou a cabeça. "Ainda não. Acho que algo aconteceu por lá." Uma noite inteira sem voltar fazia qualquer um suspeitar, especialmente porque, no final, o som dos dragões tinha desaparecido. "Parece que vamos ter que procurá-los." Olhando ao redor, depois de apenas uma noite, com o amanhecer, era possível ver pegadas na lama na direção para onde os dois irmãos tinham ido. "Será que encontraram outras pessoas?" Lucille especulou, afinal, a missão de busca por dragões era pública, qualquer um podia aceitá-la. Talvez os dois irmãos tivessem realmente encontrado algo e sido interceptados por outros. "Nesta noite, não vimos nenhum outro grupo passar... Enfim, vamos ver a situação primeiro", disse Wang Shuo. Os dois arrumaram rapidamente as coisas e seguiram as pegadas de Soren e Sol da noite anterior para procurá-los. Antes de sair, tinham recomendado que, se encontrassem problemas, não agissem por impulso e voltassem primeiro. Mas, no fim, não conseguiram voltar... Os dois seguiram as pegadas. Como o tempo era curto, menos de uma noite, as pegadas ainda podiam ser encontradas de forma intermitente. Continuando em frente, seguindo as marcas, talvez os encontrassem. Sean liderou Lucille em uma travessia rápida pelas montanhas áridas. Mas, à medida que se aprofundavam, um cheiro peculiar começou a se espalhar no ar. Era como carne em decomposição, ou a sensação de plantas congeladas por anos sendo expostas ao sol, com aquele odor de matéria orgânica em decomposição. "Mestre." "Sim, você também sentiu?" "Sim, muito forte!" disse Lucille. Quanto mais avançavam, mais intenso ficava o cheiro.