A equipe jantou rapidamente e depois ficou sentada ao redor da fogueira conversando um pouco.
Na verdade, a primeira metade da noite era favorável para Sean e Lucille, pois, como tinham acabado de comer, não conseguiam dormir e podiam continuar a conversa por um bom tempo...
Quanto aos irmãos Soren e Sol, só lhes restava ir descansar à força, caso contrário, não teriam energia na segunda metade da noite.
Diante da fogueira, restaram apenas Sean e Lucille.
O vento frio uivava no planalto... Os mosquitos ainda eram muitos, sendo necessário usar magia constantemente para afastá-los e não ficar tão irritado.
A noite estava avançada. Sean olhou para a entrada da tenda mais próxima ao lado, onde também havia alguém vigiando. Parecia que, quando estavam fora, a falta de confiança já era um consenso entre todos. Quanto a uma equipe, era apenas um contrato de espírito improvisado; do contrário, se houvesse conflitos internos, não estariam esperando para serem abatidos?
"Parece que o pessoal lá também já se deitou." Lucille de repente olhou na direção que Sean estava observando e disse.
"É, afinal, amanhã cedo ainda temos que viajar." Sean virou-se para Lucille. "Está cansada hoje? Se estiver, pode descansar também."
Ela balançou a cabeça, agarrou o braço de Sean...
"Não estou cansada!"
Praticamente se encostou inteira em Sean.
Na verdade, os sentimentos de Sean por essa pessoa, que era ao mesmo tempo discípula e mentora, eram complexos. Não que ele tivesse segundas intenções, afinal, era alguém que ele havia criado desde pequena, levando-a consigo desde a infância, e agora ela havia crescido e se tornado uma bela garota.
Talvez fosse mais como um afeto familiar. No ditado de sua terra natal, "quem é professor por um dia, é pai para sempre".
Na linha do tempo, ele havia cuidado dessa garotinha por tanto tempo que esse afeto familiar superava muitos outros sentimentos. No entanto, nesse momento, Sean simplesmente não se lembrava das histórias dos últimos dez anos; caso contrário, os dois se dariam muito melhor.
Dito isso, talvez fosse melhor assim; quando voltasse, encontrar a Lucille adulta não seria tão estranho...
"Cansada?"
"Não, só vou me apoiar um pouco..." Lucille parecia muito dependente dele, sempre se encostando em Sean sem motivo.
"Mestre."
"O quê?"
Ela perguntou de repente.
"Para que estamos indo para a Cordilheira Mais Alta desta vez? Tem a ver com o cristal roxo? Da última vez, o senhor só disse para irmos ao topo do mundo, mas não explicou o motivo." Provavelmente, Lucille já havia imaginado inúmeras vezes o propósito dessa missão.
No entanto, como Sean não falava, ela não perguntava.
Aproveitando aquele momento, com o ambiente calmo e ambos de espírito tranquilo, ela finalmente fez a pergunta que guardava no coração há dias.
Para ser sincero, em pouco mais de um mês, os dois haviam ido do mar ao continente norte, passado por dois países até chegar ao planalto, cruzando metade do mapa-múndi sem saber o que estavam fazendo, o que já era difícil de justificar.
Sean ficou em silêncio por um momento. Lucille, vendo que ele não queria falar, rapidamente acrescentou: "Se o mestre achar que não deve me contar, tudo bem. Eu sigo o mestre!"
Ela se mostrou muito obediente.
Nesse aspecto, era muito diferente da versão dela anos depois... Claro, um dos motivos era a inversão de papéis.
"Na verdade, não é que não possa te contar, é que eu mesmo não tenho certeza. Antes... no dia em que estávamos em Mersin e pegamos o cristal, eu vi algumas visões. Você sabe que, com minha habilidade, consigo ver visões vagas e incertas."
Parece que Sean já havia mencionado isso a ela, pois, em uma conversa anterior, Lucille havia comentado sobre o assunto.
Ver visões era considerado por Lucille uma habilidade quase profética, uma demonstração do poder único de seu mestre, então ela não duvidava, pelo contrário, admirava muito.
"Então o mestre viu visões que nos guiaram até aqui?"
"Sim, acho que aqui deve estar a resposta que procuramos, só não sei qual é essa resposta." Disse Sean.
O que ele buscava era a causa e efeito mencionada por Yog-Sothoth.
Se o outro não queria falar, ele mesmo iria procurar. Se conseguisse desvendar tudo, talvez não precisasse mais se envolver nas disputas entre os deuses antigos, e toda a história seria restaurada.
Era essa causa e efeito que Sean queria...
"Entendi." Lucille assentiu.
Já que a razão era essa, ela não perguntou mais. Ficou quieta, semi-apoiada no braço de Sean, como se estivesse adormecida.
De repente, levantou a cabeça rapidamente...
"Mestre, alguém está vindo!"
"É."
Ambos sentiram quase ao mesmo tempo os passos de alguém se aproximando.
Na escuridão, não dava para ver a sombra de ninguém, porque a luz da fogueira ao lado impedia que a visão se adaptasse completamente ao escuro. Assim, alguém caminhando na escuridão não podia ser visto sob a luz da fogueira.
Mas para dois indivíduos de alto nível e alerta, qualquer movimento mínimo podia ser detectado...
Sean levantou-se e olhou na direção escura atrás dele.
"Espere por mim."
Ele criou uma bola de fogo mágica na palma da mão e a lançou para longe.
"Quem está aí?!" Gritou na direção da escuridão.
Por um momento,
Não houve resposta.
Então ele criou outra bola de fogo...
"Desta vez, o ataque será fatal." Sean disse severamente.
Querendo dizer que não hesitaria em lançar, seria um ataque direto.
"Pare, senhor mago." Alguém saiu correndo da escuridão, era um grande careca!
Vestia um casaco de pele de animal e tinha no ombro um animal parecido com um falcão. Sean olhou para ele, nível não muito alto, Ordenador nível 6, e a descrição dizia que era um domador!
"Desculpe, invadi seu acampamento sem querer... Sou de um grupo vizinho. Meu animal de estimação fugiu, e vim procurá-lo." O careca disse sorrindo.
Logo, uma fera fantasmagórica ao lado dele foi se materializando lentamente.
Era um felino parecido com um leopardo, que ainda conseguia ficar invisível!
Nem Sean tinha percebido...
Se fosse para detectar invisibilidade, poderia usar magia, mas nos últimos anos Sean raramente encontrava oponentes que usassem furtividade, e quem iria manter um buff anti-furtividade ativo desperdiçando magia? Por isso, ele não notou a fera a princípio.
O mais importante é que a fera tinha nível!
Na visão de Sean, aquele leopardo fantasmagórico tinha uma barra de vida [ ] no topo.
Domador!
Nossa~
O nível parecia até maior que o do humano; será que para eles a fera era o corpo principal?
"Entendi." Sean acenou com a mão e apagou a chama que havia lançado.
Esse movimento chamou a atenção do leopardo fantasma, que rosnou baixinho, mas foi acalmado pelo dono ao lado.
"Desculpe mesmo, esse meu animal de estimação é difícil de controlar. Vocês dois também vieram participar da missão de busca pelo dragão?" Perguntou o careca.