Capítulo 701: Capítulo 701: Pistas

Essa força. Ou melhor, o preço de conhecer toda a verdade, sem força para suportá-la! É tão doloroso que, mesmo com meu corpo modificado, ainda sinto o peso desse preço. Se pudesse, Sean preferiria desvendar as coisas no fluxo do tempo, afinal, controlar o tempo é muito mais fácil. Mesmo que passasse meses aqui, ao acordar, ainda estaria ao lado de Freya. Além disso, muitas coisas desta época só se compreendem vivendo-as. Do contrário, como imaginaria que me envolveria com os assuntos da Asa do Céu, e que a mentora de Freya também estivesse nesta era... Há apenas uma dúzia de anos, toda a força da Asa do Céu já se renovou. Não sei o que aconteceu com a mentora de Freya nesse período, mas parece que ela caiu ainda jovem. Bem, se ela caiu, talvez seja melhor, senão seria difícil nos encontrarmos em Cogar... Sean observou por um bom tempo sem notar diferenças, e a hora do jantar já havia chegado. Lucille desceria para buscar a comida no andar de baixo da pousada, uma rotina diária, só que hoje acrescentou alguns insultos às pessoas de lá. Dizem que alguns lá embaixo pegaram alguém com uma pedra roxa, insistiram que era o ladrão do depósito e chamaram a guarda. Claro, prender a pessoa errada não é o mais ridículo; o mais cômico é que esses caras começaram a brigar por causa do pagamento. Ainda nem confirmaram, e já estão querendo crédito... Dois disseram que viram a pedra na mochila do sujeito, um terceiro afirmou que foi ele quem agiu, e acabaram brigando. Lucille já estava irritada com aquele grupo, mas agora achou até engraçado... "Se não fossem tão divertidos, talvez não conseguíssemos sair desta cidade em segurança. De certa forma, devemos agradecê-los." "Rá rá rá..." Ao ouvir Sean, Lucille não conseguiu conter o riso. Após a refeição, ambos ficaram nos quartos sem sair. Por causa do incidente de hoje, sair significaria ser observado por todos, especialmente sendo forasteiros. Quando esses ociosos tivessem prendido gente suficiente e a guarda estivesse sobrecarregada, poderiam partir em segurança. Com um pouco de magia, Sean acreditava que conseguiria deixar a cidade... Mas o ponto crucial agora era desvendar o segredo da Pedra dos Antigos, senão nem saberia onde encontrá-las. Olhando para a pedra, ainda estava perdido. Ficou acordado até tarde da noite, e Lucille o acompanhou até o mesmo horário. Normalmente, à noite, Lucille ia para o outro lado escrever algo. Sean não sabia o quê, mas via os estados [Sério!] e [Esforçando-se para escrever...] acima da cabeça dela e não a incomodava. Provavelmente era algo como registrar magias, já que o grimório dele veio dela no futuro. Na época, ela disse que gostava de documentar as novas magias que criava. Se não fosse assim, ele não poderia ter passado para ela! Falando nisso, o tempo tem continuidade em todos os lugares... Só em mim isso se desvia. Até Lucille se tornou uma figura misteriosa na linha do tempo, o futuro e o passado se cruzaram sem causa e efeito. Virou um círculo dentro de outro círculo. Agora, não sei se fui eu quem ensinei Lucille ou se foi ela quem me ensinou. Tudo na linha do tempo tem continuidade, só nós dois ficamos complicados... Sean não sabia se isso era bom, mas já que era assim, só podia seguir com ela. .................. Da noite até tarde, Sean, sem resultados, foi descansar, e Lucille, após escrever, também dormiu. Talvez por pensar o dia inteiro na Pedra dos Antigos. Sean sentiu que seus sonhos estavam se aproximando desse assunto... Especialmente a batalha no Palácio de Basharan, quando tudo começou com o filho do Rei Simon, um príncipe do Império Basharan morto no palácio, com intervenção de magia desconhecida. Mas tudo isso, tudo isso... Sean sonhou com o grande mago com quem lutou, Rapsi. Esse nome já estava filtrado em sua memória! No entanto, após um dia inteiro de reflexão, ele foi lembrado no sonho. Não só Rapsi, mas também a criatura tentacular grudada nele, cada tentáculo com olhos, um fluido viscoso como asfalto... Enroscando-se, atacando loucamente... bastava um olhar para mergulhar em medo extremo. Aquela aparência. Ugh~ Parecia que estava prestes a lembrar, e então, sem pensar, invocou Yog-Sothoth. Mesmo um eco de Yog já fazia o mundo tremer, e o monstro finalmente caiu, despedaçado no tempo por Sean. Aquele nome... Aquele nome. Shoggoth! Um corpo retorcido e rastejante, como vermes misturados, repugnante de se ver, mas seus olhos verdes brilhantes eram inesquecíveis. Uma massa caótica, e então seu mestre. Um indivíduo em forma de fuso gigante, os Antigos! E a última imagem de Sean se fixou em um planalto deserto, no ponto mais alto da geleira... "Planalto!" Sean sentou-se de repente. No escuro, Lucille se assustou e abriu os olhos. "O que houve, Mestre?" Ela acendeu uma faísca com os dedos. Como a lamparina se apagara depois que dormiram, e no quarto sem luz da lua, a chama na mão de Lucille era o único ponto de luz. Sean ofegava pesadamente. Lucille sentou-se na outra cama, acendeu a lamparina do quarto e correu para perto de Sean. "Mestre, o que você tem!!" "Nada... não é nada." O transe fez Sean sentir como se tivesse gasto todas as forças. Sean recusava receber fluxos de informação diretamente no corpo, mas nos sonhos via alucinações, uma das atividades do poder do [Dominador do Tempo]. Já acontecera antes. Só que esses transes sempre consumiam muita energia, e ao acordar, ele se sentia exausto. "Vou pegar um pouco de água para você." Lucille disse apressadamente. Correu até a mesa e serviu um copo d'água... Estava fria, e seu mestre preferia quente. Com a chama na mão, em alguns segundos, a água já estava quente. "Mestre." "Hum..." Sean pegou o copo e bebeu. "Encontramos o próximo alvo." "Que alvo?" "O planalto... o teto do mundo." Disse Sean.