Capítulo 688: Capítulo 688: O Cristal dos Antigos Reaparece

Que garota linda.

Ai Xiu observou Lucille passando por perto, enquanto ela reclamava sem parar sobre como a chuva estragava a noite, e ainda murmurava algo sobre querer ir a algum lugar se divertir!

Assim, Ai Xiu ficou olhando para aquela garota...

Cabelos brancos, uma cor tão rara em qualquer lugar, que só se via em algumas cidades da região desértica do leste, pouco mencionadas em documentos. Embora em Mersin fosse possível encontrar, era raro em Bashalan, ainda mais sendo uma garota.

Nos registros históricos dos eruditos, descreviam essas garotas de cabelos brancos como pessoas de destino infeliz, tanto meninos quanto meninas desse povo. Porque os cabelos brancos, como os de um idoso, davam a impressão de falta de força.

Sem vitalidade, muitos optavam por abandoná-los.

Aos poucos, em outros países, também não eram bem aceitos, considerados feios e envelhecidos.

No entanto, mesmo com essas palavras ecoando na mente de Ai Xiu, a garota à sua frente o deixava maravilhado!

Ela parecia um pouco mais nova que ele, e o que mais chamava atenção era a leve aura mágica que emanava dela.

"Posso ajudar?" Lucille virou-se de repente.

Desde que ele parara ali, ela percebera que Ai Xiu a observava. Seu mentor a ensinara que, em público, se alguém olhasse, que olhasse, desde que não fosse exagerado, não precisava se importar. E Lucille sempre agia assim.

Mas a sensação daquele garoto a encarando a incomodava.

"Ah, eu... só estou um pouco surpreso."

"Por causa da cor do meu cabelo?"

Ai Xiu riu, sem graça.

Para um mago, especialmente alguém como ele, nascido em uma família de intelectuais, que se considerava de nobreza, aquele cavalheirismo ainda lhe era útil.

Ficar encarando uma garota desconhecida por tanto tempo não era nada amigável, até mesmo um pouco estranho...

"Risos... é que é diferente do que está nos livros."

"Ah~ que diferença?" Lucille perguntou curiosa.

Desde que ele parara ali, Lucille também sentira a onda de poder mágico vinda de Ai Xiu. Ele também era um mago, e de nível parecido com o dela.

Não, um pouco abaixo, pensou consigo.

Nos últimos anos, seu mentor a treinara com dedicação, e em apenas dez anos ela já estava perto do nível 10 de Ordenador, o que no mundo dos magos era considerado um gênio entre gênios.

Claro, Lucille nunca se achou uma gênia poderosa, no máximo alguém com talento, que crescera sob a orientação de um mentor lendário.

Porque antes e depois de cada avanço, seu mentor sabia, e até previa quantas magias ela usaria até subir de nível. Para Lucille, isso só mostrava que seu mentor era alguém de poder imenso, tão grande que, mesmo perto do nível 10, ela não conseguia alcançá-lo.

Então, quem ele treinava não seria inferior a ninguém.

Nisso, Lucille tinha total confiança!

"O livro não diz muito..." Ai Xiu respondeu, envergonhado.

"Bem, então, senhor mago sábio, se não tem mais nada a comentar, vou indo!" Lucille esperava ouvir algo mais, mas ele parou por aí.

Que decepção.

Lucille nunca tivera chance de estudar quando criança, perdera muitas oportunidades. Embora depois, com seu mentor, lesse junto com ele, já não sentia mais o mesmo interesse, e ainda precisava passar mais tempo praticando magia, sem tempo.

Sempre que via seu mentor lendo, Lucille pensava: qual é a graça?

Mas no fundo, sentia curiosidade, e às vezes tinha ideias mais loucas, como escrever um manual de aprendizado mágico, registrando todas as magias que estudara, e depois mostrá-lo ao mentor.

Para ver se ele se encantaria com o livro dela!

E por esse pequeno sonho, sempre que ia a algum lugar, Lucille tentava escrever um pouco antes de dormir...

Mas só quando dormiam separados; se estivessem no mesmo quarto, não ousava.

E se ele risse dela!

A chuva lá fora parecia ter diminuído, e com ela, as ruas estavam mais vazias.

Sem olhar para Ai Xiu, que naquele momento não sabia o que dizer.

E só depois que Lucille foi embora, Ai Xiu suspirou aliviado.

Naqueles segundos em que ela falara, seu coração disparara tão forte. Ele, que sempre se achava culto e habilidoso, ficara sem palavras.

"Ah..."

Quis falar, mas viu que ela já se fora, desaparecendo na multidão.

Que pena, nem perguntara o nome dela!

..........................

Lucille voltou das compras, com uma parte de pó de perfume feminino, papel e caneta, e o mais importante, frutos do mar grelhados do mercado noturno de Mersin.

Com um grande espeto na mão, subiu correndo as escadas, pronta para dar ao mentor uma prova.

"Mentor, abra a porta. Olha o que trouxe de bom, coisa boa mesmo!"

Bateu, mas não houve resposta.

Pensou que ele já estivesse dormindo!

Embora tivessem acabado de desembarcar naquele dia, ela conhecia o mentor bem o suficiente para saber que ele não dormiria tão cedo. E os frutos do mar grelhados estavam ali, sem ninguém para comer, e ela não daria conta sozinha.

Com cuidado, usou magia para abrir a porta do quarto de Shawn.

"Mentor... você está aí?"

O quarto estava escuro, apenas Shawn sentado na cama, de pernas cruzadas.

"O que faz aí? Entra."

Shawn ouvira o barulho, mas estava usando magia para espiar o que acontecia do outro lado, justamente falando sobre os cristais. Sem tempo para abrir a porta, deixou Lucille entrar e a fechou.

Ao ver Shawn, Lucille entendeu o que ele fazia. Era a magia prática que ela aprendera recentemente, [Visão da Mente], que permitia compartilhar visão e audição com bestas ou animais.

Muito útil para espionar.

Entrou silenciosamente, colocou o espeto de frutos do mar ainda pingando gordura sobre a mesa, coberto com papel...

E se aproximou devagar de Shawn.

"Mentor, está olhando para onde?"

"Ao lado."

"Ao lado? Aquelas magas?"

"Acabou de chegar um homem, trouxe algumas coisas, parece algo útil." Shawn disse.

Cristais, os cristais dos anciões.

Yog-Sothoth o enviara para encontrar os anciões, não podia esquecer disso!

Sim, os cristais dos anciões... ele já tivera problemas com aquilo na batalha do Palácio Imperial de Bashalan, e vira que aquilo fora trazido do sul há muitos anos, o que devia ser a linha do tempo atual.

O [Dominador do Tempo] não fazia viagens temporais inúteis.

Ele estava naquela linha do tempo por causa disso!