"Espalhem-se, ataque disperso!"
O estrondo dos canhões ecoava repetidamente pela costa noturna.
Neste momento, estimava-se que pessoas a quilômetros de distância pudessem ouvir... E Lucille, que vinha seguindo o grupo, também ouviu.
Som de artilharia?
Lucille olhou para o outro lado, onde os reforços estavam se apressando. Esse grupo também carregava canhões e outras armas pesadas, além de muitas carroças puxadas por cavalos com máquinas de guerra. Justamente por transportarem equipamentos pesados, estavam mais lentos.
Parece que a artilharia não tem nada a ver com eles... Então é com os da frente?
Lucille, quando estava na mansão do Marquês, tinha ouvido parte do plano de implantação liderado por Serya, mas as reuniões fechadas sobre os métodos específicos ela não acompanhou. Claro, uma parte importante era que ela não tinha interesse nesses planos, já que também não os entendia.
A consequência e o preço de ter um talento mágico extraordinário era que Lucille não se importava muito com outras coisas, principalmente porque nunca as estudara a fundo...
Seu antigo mentor, "Sean", sempre enfatizava que bastava focar na magia, que as coisas neste mundo são relativamente equilibradas: ao ganhar uma parte, perde-se outra. Lucille não tinha interesse nem em alquimia, quanto mais em outros campos do conhecimento.
No momento, ela só conseguia perceber que talvez tivessem implantado canhões nas vilas costeiras, e o som vinha daquela direção.
O estrondo da artilharia também apressou os reforços que ainda estavam a caminho...
"Mais rápido, o Senhor Marquês já deve ter encontrado o inimigo. Acelerem o passo, corram!" gritou o comandante à frente da tropa.
Uma sombra passou,
E ninguém entre tantos percebeu... Lucille já estava na frente da fila.
Enviar reforços em levas mostrava que o Marquês Annu Kobila era bastante competente, comparável a Sean na distribuição e planejamento.
Não é à toa que conseguiu reverter sua posição de filho bastardo para herdeiro; a história por trás disso daria um bom conto!
Lucille tinha chegado à região sudeste quinze dias antes da chegada da Princesa Serya. Originalmente, seu plano era ir para o leste, para sua terra natal, mas depois, através de sua rede de informações, descobriu que o chamado evento fantasmagórico poderia ser bem diferente dos rumores, até mesmo muito distinto. Não havia almas de parentes falecidos, e mais evidências indicavam que era mais como uma espécie desconhecida e estranha!
Após receber as notícias da investigação, Lucille não prosseguiu...
Justamente no dia seguinte à sua parada, ouviu que o evento fantasmagórico tinha ocorrido naquela região, então decidiu ficar para investigar, já que, entre todos os relatos recebidos, nenhum lugar tinha tido duas ocorrências consecutivas.
Mesmo que fosse para o leste agora, não adiantaria nada; era melhor ficar e ver como as coisas se desenrolavam.
Foi por isso que Lucille se disfarçou e se infiltrou na mansão do Marquês para colher informações, e desta vez realmente apareceu.
Ela correu rapidamente até a costa...
A névoa se tornava especialmente densa perto do mar; a poucos metros já era tudo nebuloso, impossível enxergar o que estava longe.
E, ao se aproximar da praia, sons de batalha não paravam, misturados com gritos de soldados, canhões e tiros de mosquete.
Na névoa, uma criatura verde, parecida com uma aranha deitada, movia-se rapidamente entre os soldados, ceifando...
Não matando, mas "eliminando" os soldados com um método estranho de devoração.
Lucille, surpresa, saltou para o telhado de uma casa um pouco mais alta e observou. Já estava no meio do campo de batalha, mas, na confusão da noite, ninguém a notou. E aquela criatura, que se movia entre os soldados, era constantemente atacada por soldados e magos, além de mosquetes e canhões, mas nada a fazia recuar.
Apenas a força dos canhões a fazia recuar alguns passos, mas quando ela corria para o meio da multidão, os canhões não ousavam disparar.
Quase todos os soldados estavam dispersos, atacando de diferentes direções, mas ainda assim causavam pouco dano...
O que é aquilo!
Lucille olhou para a praia caótica, onde todos recuavam, e não viu a pequena princesa em lugar nenhum!
............................
Durante a batalha, Serya recuava tensamente, acompanhada pelo Marquês Annu e alguns jovens nobres como Aiden.
"Vamos rápido, Serya. Este lugar não é seguro..."
Ela era a princesa mais velha do império, e a que ele mais prezava; Annu daria tudo, até sua última gota de sangue, para proteger Serya.
"Não seja bobo, rápido!"
Serya parecia estar apavorada com aquela criatura diante dela, e por um momento ficou em pânico!
Na verdade, não só ela, mas também os nobres que a acompanhavam nunca tinham visto uma criatura tão aterrorizante. Aquilo nem podia ser chamado de ser vivo, era um monstro.
"E... e os outros?" Serya se levantou com dificuldade para correr para trás, mas suas pernas estavam tão fracas que quase caiu, sendo sustentada à força por Annu.
"Agora não é hora de se preocupar com isso, todos estão lutando para sobreviver, não podemos cuidar deles!"
"Não! Eu os trouxe aqui, tenho que levá-los de volta... senão, ninguém mais confiará em mim." Serya rebateu.
A multidão estava tão confusa que, mesmo olhando para trás, não conseguia encontrar os outros nobres.
No instante em que a criatura avançou, aquela tropa de milhares de homens entrou em pânico. Mesmo sendo soldados bem treinados no dia a dia, eram inúteis diante daquela criatura.
Armas,
Pareciam não ter efeito sobre ela.
Aquela parte inchada, como um abdômen, se abria em uma grande fenda, parecendo vazia por dentro, mas no centro havia uma massa de carne pulsante, como uma bola pegajosa... No momento em que ela avançava, todos os soldados próximos eram enredados por aquela massa de carne inchada e absorvidos por ela.
Ela se contorcia sem parar, e era possível ver os membros dos soldados se debatendo, mas os sons que faziam diminuíam cada vez mais, até que desapareciam completamente dentro daquela massa de carne.
"Não há tempo para isso, vamos rápido, Serya." Aiden, ao lado, não se importava com mais nada, puxando Serya para correr para a periferia, enquanto gritava para os soldados ao redor se afastarem.
"Saiam da frente, todos saiam!"
Mas, naquele momento, além de seus próprios soldados particulares, ninguém mais o obedecia.
E, com tanta confusão, ninguém podia cuidar de ninguém!
Serya queria rebater, mas sua voz era muito fraca no meio do barulho.
Aquela criatura nem tinha medo de ataques, de que adiantava tanta gente? E, depois de devorar os soldados, ela parecia crescer!
Ela olhou para trás, para a situação...
O corpo verde e alto se movia como uma aranha, vindo rapidamente em sua direção.
"Ela, ela está vindo!"