Capítulo 630: Capítulo 630 Autorização

Nhé, nhé~ Sean observava com interesse Lucille, que havia sido trazida de volta por Míriel. Do jeito que via, sua mentora realmente não estava feliz — e daquelas bem descontentes… “Mentora?” “Se não quiser levar uma surra na frente da sua pequena feiticeira, é melhor ficar calado.” Lucille respondeu, insatisfeita, sem se importar nem com a presença de Flérelia. Dava para ver que ela estava realmente furiosa, daquelas que não se ajeitam fácil! “Poxa, não passa de um mago da corte. Se eles não te derem o cargo, é só não trabalhar para eles. Quando eu me tornar uma autoridade em Jaggon, te coloco como chefe dos magos da corte!” Falar, só falar besteira mesmo. Mas o que Sean não esperava era que sua mentora realmente estivesse remoendo o fato de não ter entrado para os magos da corte de Jaggon, exatamente como Míriel dissera. E antes, nos outros países, ela fingia ser tão desapegada… Ele tinha se esforçado tanto para convencê-la a vir para cá, e agora ela se apegava a status. “Você acha que eu queria tanto ser mago da corte de vocês?” “Não, claro que não… Mentora sempre foi acostumada à liberdade, jamais se deixaria prender por condições. Esse tipo de posição, você nem liga.” Enquanto falava, ele quase ria. Ver Lucille desse jeito era uma diversão para Sean. Não sabia se era por anos fingindo ser várias pessoas, mas a personalidade de Lucille tinha se tornado multifacetada. Às vezes, ele achava que a conhecia bem, mas não era bem assim… “Para de falar bobagem. O que me irrita é que eles usaram meu passado contra mim, e ainda insultaram meu mentor — seu mestre ancestral!” Hã?? Sean a encarou de repente. “Eles me insultaram?” “É o meu mentor, não você… Só tem o mesmo nome.” No fundo, Lucille não queria que Sean soubesse o nome do mentor dela, mas já que em Ksérk ele tinha ouvido falar, não havia mais o que esconder. Neste mundo, há muitos com o mesmo nome, só que dois coincidiam em nome e até em personalidade. Quanto à aparência, Lucille lembrava que seu mentor dissera ser de Zumbartal. Coincidentemente, seu discípulo Sean também era de lá. Pessoas da mesma região, aos olhos de outros lugares, têm certas semelhanças… Depois de tantos anos, sua irmã mais velha talvez não se lembrasse mais. Por isso dizia que os dois se pareciam muito! Afinal, sua irmã nunca saiu do Império Ksérk, então sabia menos do mundo exterior do que ela. Mas não dava para negar que Lucille também achava Sean muito parecido com seu mentor de antigamente. Talvez por isso ela tivesse aceitado vir para Jaggon. Quem diria que encontraria esse problema. “Entendi. E o que eles disseram?” Agora Sean entendia por que Lucille estava furiosa. “Não foi nada agradável. Se eu te contar, parece que estou me queixando. Foi por isso que me irritei…” Sean olhou para Flérelia ao lado. Ela respondeu com um aceno de cabeça. Entre os magos, a transmissão de conhecimento é a parte mais sagrada. Assim como Lucille dissera a ele, nem todo mago ensina em academias, nem todos aceitam discípulos. Obter o direito de usar magia é uma forma de herança. Quanto mais avançado o mago, mais ele entende o significado disso. Por isso, cada mago é muito cauteloso ao escolher um discípulo, tornando isso um ritual sagrado tácito. Insultar o mentor de alguém é uma grande falta de respeito… “Você não partiu para briga com eles? Isso é ter paciência.” “Foi por sua causa que não me rebaixei a isso. Senão, eu teria brigado mesmo.” Lucille olhou para Sean, e a seriedade no topo de sua cabeça não mentia. “Entendi. Vou cuidar disso.” “Não precisa cuidar. No jantar de ontem, já vi que seus irmãos e irmãs não te tratam bem. Devem ter sido instruídos. Se você for atrás deles agora, pode acabar caindo em armadilhas…” A sensatez de Lucille surpreendeu Sean. “Por que está me olhando assim?” “Mentora, você não está sendo emotiva!” “Eu pareço alguém emotiva? Além disso, hoje dei uma olhada na sua cidade real. Sinto que este lugar é muito desconfortável. Admiro você conseguir morar aqui por tanto tempo.” No fundo, Lucille ainda amava a liberdade. Se a colocassem no palácio, ela ficaria infeliz. Mesmo com um pouco de descontentamento, ela se alegrava por não ter sido forçada a ficar lá dentro. Senão, com o tempo, não dava para saber o quanto sua mentora se irritaria. Quem governava agora era o Rei Sol. Qualquer problema vindo de seus subordinados, ele teria que arcar… “Estou fazendo isso pelo país e pelo povo. Você não entende.” “Nem quero entender!” Flérelia, ao lado, observava o diálogo entre mestre e discípulo. Às vezes, parecia que Sean e Lucille se conheciam há muito, muito tempo, senão não seriam tão familiarizados com o jeito um do outro de falar. “E então, o que você planeja fazer?” Já que ela não estava mais remoendo, Sean perguntou seus planos. “Por enquanto… ficar aqui um tempo…” Ouvindo que ela ficaria, Sean ficou contente. Caso contrário, ela não teria o que fazer lá fora. Como antes, buscar sua identidade? Não seria tão entediante. E ainda teria tempo para isso… “Está bem.” Disse Sean. “Embora eu saiba que você não quer realmente ser maga da corte, há um cargo que você precisa aceitar. Vou te nomear maga-chefe da minha guarda pessoal, com posição superior até mesmo às forças de defesa do império ou da capital. Isso facilitará sua circulação em Jaggon. Esse cargo, você aceita!” Mesmo que Lucille detestasse regras, ainda precisava de uma identidade. Senão, seria difícil circular pela capital imperial. Cada vez mais pessoas conheceriam seu nome. Sem um cargo, seria complicado enfrentá-las… Com o título de maga-chefe da guarda pessoal, sua posição poderia superar a de muitos duques e nobres. E com sua força excepcional, ninguém ousaria criar caso com ela! “Está bem. Esse cargo também facilita minha circulação.” Lucille entendia a importância de ter uma identidade no palácio real. Combinados os próximos passos, ela foi embora. Ficou apenas Flérelia, esperando no local… “Não sei se sua mentora vai se adaptar à vida aqui.” Ela disse, preocupada. “Fique tranquila. Pelo que conheço dela, não tem problema… Ela é a pessoa mais habilidosa em disfarces que já vi. Se der a ela um pouco de ousadia, acho que até o Rei Sol ela ousaria fingir ser.” Disse Sean.