Capítulo 63: Capítulo 63 Emergindo à Superfície

Nos arredores leste da cidade de Koga, havia um pomar, conforme Clode havia lhe contado antes.

Como o sul era muito quente no verão, transportar frutas de longe poderia estragá-las no caminho, então algumas frutas perecíveis eram cultivadas nas proximidades.

Só que o gosto não era bom!

Essas foram as palavras exatas de Clode na época, então Sean pensou em conseguir as sementes de pêssego da garotinha o mais rápido possível; se não conseguisse, usaria suas próprias sementes para começar o cultivo. Embora levasse tempo, alguns meses seriam suficientes.

Ou...

Pedir para Ignia ajudar com magia?

Sean olhou para Ignia ao seu lado. Ela estava quieta, seguindo-o sem dizer nada, com o estado 【Pensativa!】 pairando sobre sua cabeça.

"O que foi? Tão quieta hoje, não é como você." Ela sempre reclamava para sair, mas agora estava em silêncio.

"Não fala comigo, estou irritada agora!" Ela se afastou de propósito.

Esta área ficava fora da cidade, e Ignia a conhecia bem. Se quisessem encontrar um fruticultor, teriam que perguntar a ela.

"Ah~ Então nossa linda sacerdotisa também fica irritada... Hmm, com o que está irritada? Conta pra mim." Sean provocou.

"Hum, mesmo que você diga isso, não vou ficar feliz."

O estado de irritação não aparecia sobre a cabeça dela; era só da boca pra fora.

A cena cômica fez Sean rir por dentro.

"Parece que está mesmo irritada?"

"Claro, e quem me irritou continua me irritando!" Ignia virou o rosto para encarar Sean.

Mas Sean fingiu não entender.

"Quem ousou te irritar?"

Ao ouvir isso, Ignia ergueu o punho e bateu no peito de Sean.

"Você ainda finge! Foi você! Por que não me contou quem era antes? Ainda me enganou, dizendo que era morador da Avenida Brucan, hum..."

Desde que o título de Barão de Sean foi exposto por Aelia, ele ficou hospedado na casa do Conde, então Ignia não teve chance de perguntar na hora. Depois, quando foram para a casa do Conde, ela ficou com mais medo ainda de falar.

Só agora, sozinhos, ela trouxe o assunto daquele dia à tona...

"Você não me perguntou na época."

"Quem disse! Eu perguntei, e você disse que era morador da cidade."

"Foi? Lembro que você não perguntou." Sean disse.

"De qualquer forma, eu perguntei. Pense você mesmo..." Ela lançou um olhar feroz para Sean.

Os dois já ouviam o som de água corrente.

Não era um canal, mas um riacho que realmente passava pelos arredores da cidade. Dava para ver, ao longe, várias casas de madeira ao pé da colina.

"Os fruticultores devem morar lá. Já vi muitas pessoas por ali antes." Ignia apontou para o grupo de casas.

Quem cultivava pomares fora de Koga não era pobre; provavelmente a família inteira morava na cidade. Quem ficava ali era só para dar uma olhada, ou, na maioria, trabalhadores contratados.

"Vamos lá ver!"

Os dois caminharam em direção à casa do guardião do pomar.

O lugar era grande, dava para ver do sopé da colina até o pé da montanha ao longe, e tinha o riacho por perto como fonte de água. Era realmente um bom local.

Se quisesse fazer algo desse tamanho em Tylermian, levaria muito tempo; com aquelas sementes, nem sabia quanto tempo levaria para cultivar!

A entrada do pomar era bloqueada por um muro de pedras empilhadas; para entrar, só contornando pela casa do guarda.

E geralmente, qualquer um que entrasse seria notado.

"Com licença, quem são?" O guarda era um senhor de uns sessenta anos.

Só alguém dessa idade aguentaria a solidão de viver longe da cidade por tanto tempo. Quase não havia ninguém por perto, só se via uma ou duas crianças mais novas.

"Sou o Barão Viger, vim de outra região. Com a permissão da Srta. Aelia Hamilton, vim especificamente inspecionar e aprender com o pomar de Koga." Sean não sabia se a palavra era adequada, mas não pretendia usar outra identidade.

Afinal, aquele era um pomar particular, não um mercado.

Se ele não deixasse entrar, não adiantaria dizer quem era; só declarando a nobreza e mencionando o nome da família do Conde Hamilton para chamar a atenção.

Como esperado, ao ouvir que era um nobre, o velho se levantou na hora.

Instintivamente, ele ia se ajoelhar para saudar, mas Sean o impediu.

"Bar... Barão!"

Um velho que vivia no pomar nos arredores há anos não saberia os sobrenomes dos nobres, mas entendia os títulos... Ao ouvir "Barão", e ainda com o nome da Srta. Condessa, ele não ousou desrespeitar.

"Não se preocupe, só vim dar uma olhada. Quero plantar um pomar em meu feudo, então vim ver este."

"Ah, ah..."

O velho só balançava a cabeça, provavelmente sem ouvir o que Sean dizia.

Para um velho simples e honesto, talvez nunca tivesse tido a chance de falar diretamente com um nobre; de repente, não sabia o que fazer.

Sean não ligou muito e levou Ignia para dentro do pomar...

O pomar era grande e tinha muitas coisas plantadas.

Além de algumas frutas comuns, havia até alguns vegetais.

Essa família sabia fazer negócios.

"Há quanto tempo existe este pomar?" Sean perguntou.

"Umas trinta anos, acho. Quando cheguei aqui, era aprendiz; naquela época, era aprendiz, e de repente já se passou tanto tempo." O velho os acompanhava, explicando.

Trinta anos!

Então ele já estava ali como guarda florestal há tanto tempo.

"A família Joe Girard tem frutas plantadas em quase todos os pés das montanhas ao redor de Koga. A área é enorme."

"Joe Girard?" Sean perguntou curioso.

"É o rei das frutas em Koga, um comerciante famoso." Ignia completou ao lado.

Os três já estavam dentro do pomar...

Embora o velho fosse o guarda, havia alguns trabalhadores cuidando e regando.

Nesse momento, um trabalhador agachado, com o estado 【Aflito!】 sobre a cabeça, chamou a atenção de Sean.

"O que houve ali?"

Os três foram até lá.

Era um garoto de uns doze ou treze anos. Quando viu alguém se aproximando, cobriu rapidamente as plantas abaixo dele com as mãos.

"O que está fazendo? Não mandei você regar?" O velho disse irritado.

As mãos do garoto mal cobriam algo; atrás dele, no chão, havia uma fileira de mudas sustentadas por estacas de madeira... Pareciam tomates, mas menores.

Só que as folhas estavam todas murchas; uma área de uns dez metros quadrados de mudas estava toda atrofiada.

"Você... o que fez? Não mandei você cuidar delas?" Vendo a cena, o velho gritou furioso.

"Eu... não... uh uh uh..."

O garoto não sabia explicar e começou a chorar.

"Eu cuidei bem delas, reguei todo dia. Mas não sei por que ficaram assim."

"Mentira, você deve ter preguiçado, não fez como mandei."

Como encarregado da guarda do pomar, o velho naturalmente ficou furioso com aquilo.

No entanto, Sean notou o balde d'água deixado de lado.

Ele examinou a qualidade da água...

"De onde você tirou essa água?!" Ele disse de repente.

Pois no balde, lentamente, apareceram as propriedades da água...

【Água Residual】.