"Psiu!"
Sean de repente colocou o dedo sobre os lábios de Flélia.
"O quê..."
"Escuta!" Sean disse, fazendo-a se calar.
Flélia instantaneamente ficou em silêncio, e naquele momento tudo ao redor também se aquietou...
Lembrava-se de que, quando chegaram, também entraram no campo de execução junto com a carruagem, e na época estava tão congestionado que mal se conseguia passar, com pedestres se espremendo por toda parte. Se não fosse pelos soldados reais abrindo caminho, talvez nem tivessem conseguido entrar. Como é que agora estava tão silencioso?
Ela tentou puxar a cortina, mas Sean a impediu.
"Há alguém lá fora."
Ele puxou a mão dela de volta, e naquele momento a carruagem também começou a desacelerar, parando em algum lugar desconhecido.
Sean relembrou o processo de subir na carruagem. Por causa de sua visão peculiar, muitas vezes ele só dava uma olhada rápida e passava adiante; reparava mais na aparência geral das pessoas, raramente nos rostos, pois se olhasse demais, os atributos surgiam e atrapalhavam a visão... Desde que chegou a este mundo, anos atrás, Sean quase se esqueceu de como era ter uma visão clara e desimpedida.
Agora, tudo o que via fazia surgir atributos inconscientemente. E aquele cocheiro, ele tinha reparado...
Era uma pessoa com simpatia [Neutra], e ainda aparecia o status [Entediado!].
Essas pequenas emoções que qualquer um tem, Sean naturalmente não se importava, e na época estava conversando com Flélia, sem prestar atenção nos outros.
"Deve ser que, durante o trajeto, a carruagem parou um pouco e trocaram de pessoa," disse Sean.
A estrada saindo do campo de execução era cheia de paradas e arranques; mesmo que alguém subisse na carruagem com o balanço, ninguém notaria muito...
Nesse momento, Flélia começou a procurar algo que pudesse servir como arma dentro da carruagem. Mas, embora o veículo fosse decorado com luxo, não havia nada; só encontrou um chicote velho debaixo do assento, provavelmente deixado pelo antigo condutor.
Flélia já teve sua própria varinha refinada, e Sean a viu lutar com ela no início...
Mas aquela varinha pertencia à Asa do Céu; quando ela saiu, entregou-a ao próximo herdeiro e pegou uma varinha comum. No entanto, durante aquele cerco aos piratas, ela perdeu a outra varinha. Agora, sem armas, teria que improvisar...
"Vou sair primeiro, ver quem está lá fora!"
Flélia tentou se levantar, mas Sean a segurou.
"Não precisa... Se você sair, vai ser atacada."
Sean mexeu o pulso, a lâmina de pulso ainda estava lá.
Ele abriu um pouco a cortina da carruagem...
De repente, uma nuvem de pó foi soprada para dentro.
"Vamos."
Flélia prendeu a respiração instantaneamente e segurou a mão de Sean, enquanto com a outra mão balançou o chicote, quebrando a porta da carruagem. Os dois pularam para fora.
O pó veio tão de repente que, enquanto falavam, eles já tinham inalado um pouco. No começo, não sentiram nada, mas depois de pular da carruagem, Sean quase perdeu o equilíbrio...
[Paralisia~]
Ele viu que Flélia também tinha um status negativo semelhante acima da cabeça. Mas, para alguém de nível tão alto como ela, um pouco de veneno não causava grande efeito; ela ainda conseguia ficar firme no centro.
A carruagem foi quebrada, e os cavalos, assustados, correram para os cantos da rua...
Naquele momento, os dois estavam em um beco de um bairro, cercados por casas antigas com janelas abertas. Mas, olhando com atenção, não havia ninguém lá dentro, nem móveis; eram casas completamente vazias.
Parecia que os assassinos tinham levado a carruagem para um local preparado.
Será que estavam planejando matá-los naquele bairro deserto?
"Quem são vocês, que ousam atacar a carruagem real?" Flélia olhou ao redor com cautela.
Ninguém respondeu.
Verdadeiros assassinos não aparecem...
Assassinato é algo que deve ser feito sem que o alvo saiba.
Mas Sean ficou um pouco confuso. Afinal, aqui era o país de Kesselk, a milhares de quilômetros de Jagon, nem no mesmo continente. E ainda assim alguém queria matá-lo? Tanta inimizade assim?
Em pouco tempo, Sean pensou em todos os possíveis inimigos, mas não conseguiu identificar quem seria. Afinal, ele não se envolveu nas lutas internas de Kesselk e sempre ficou de fora como convidado estrangeiro. Mesmo assim, alguém o odiava... Por um momento, pensou que poderiam ser membros dos 'Homens Livres', mas logo descartou a ideia.
Porque, quando chegaram, os 'Homens Livres' enviaram uma carta em segredo dizendo que não queriam se envolver com Jagon e queriam se reconciliar pelo plano de roubar os tributos. Então, não podiam ser eles.
Não havia mais ninguém, então!
"Se não vão falar, tudo bem. Mas não pensem que vão sair vivos desta rua." Sem resposta, Flélia começou a provocar o ambiente.
Estalo~
O chicote bateu no chão, e seu corpo sofreu uma pequena mudança.
Desde a primeira vez que viu Flélia lutar, Sean sempre a considerou uma maga de combate corpo a corpo, especialmente quando ela transformava a varinha em uma lança para lutar, uma cena que ficou gravada em sua memória.
Embora em lutas posteriores ela tendesse mais a trocar magias à distância, Sean nunca achou que Flélia não pudesse lutar de perto...
O chicote começou a ser coberto por uma chama vermelha, e seu corpo também começou a emitir um estado de fogo ardente. Se naquele momento ela trocasse o chicote por uma espada e um escudo, pareceria uma espécie de Valquíria.
"Sean, fique perto de mim e não saia correndo. Podemos ter encontrado caçadores!"
Caçadores...
Ele se lembrou de que ela já tinha mencionado esses assassinos profissionais das regiões montanhosas, lutadores que usam qualquer ambiente e ferramenta sem limites.
Quando foi que ele arranjou um inimigo de um lugar onde nunca esteve?
Flélia olhou ao redor com cautela. Sem a carruagem, os dois estavam completamente expostos no meio da rua, sem proteção na frente ou atrás, com pontos fracos em todas as direções.
"Sem problemas. Seja quem for, agora não sou fácil de lidar."
A lâmina de pulso apareceu...
Flélia também sorriu. O nível de Sean agora era realmente alto, só faltava um pouco de experiência em combate.
De repente, um aviso [Sob ataque...] apareceu em sua visão.
"Esquerda!"
Era muito rápido, e ele nem sabia o que estava vindo. Sean se virou para a direção indicada pelo aviso. A lâmina de pulso talvez não fosse suficiente para bloquear; precisava se transformar em outra ferramenta.
[Alquimia: Escudo de Aço]
A espada foi forjada por Claude e pelo mecânico Yokri·Wedge; toda a lâmina de pulso era feita de aço de precisão. Ele refundiu o metal, transformando-o rapidamente em um escudo do tamanho de uma palma.
Estendeu a mão!
Clang~
Bloqueou exatamente a arma que voava, parecia um punhal ou algo assim. Antes que pudesse ver direito, a arma explodiu, espalhando um líquido escaldante.
[Proteção~]