Sean levantou-se lentamente. "Que lugar é este?" Olhou ao redor, parecendo uma ilha deserta. Mas, falando em ilha deserta, ao longe dava para ver marcos marítimos, daqueles fixos usados para delimitar áreas do mar, comuns em alguns países costeiros, especialmente os vizinhos. "Não sei, já mandei a Miri e as outras explorarem, deve chegar notícia em breve... E o Almirante Marlow também foi!" Sean ficou parado por um tempo, tentando lembrar quem era Marlow. Só então se recordou: era aquele comandante da frota naval do Porto de Dansu, o mesmo que liderou o grupo para eliminar os piratas da última vez. Quanto tempo já tinha passado! "Parece que você de repente não o reconhece mais", disse Fréli ao lado. "É mesmo?" Antes que Sean terminasse, Fréli colocou a mão na testa dele. Olhou para a própria roupa, ainda vestindo o uniforme de batalha com capuz de antes, e até a adaga de pulso ainda estava amarrada. "Não está com febre", disse ela, encarando os olhos curiosos dele. "Já disse que estou bem, só estava meio tonto ao acordar. Aliás, quanto tempo dormi?" Sean puxou a mão de Fréli. Aquela cabeleira ruiva deslumbrante parecia que não via há muito tempo. Ele tinha ficado preso na linha do tempo por quase dois meses, e quando voltou a si, ainda estava no desfecho da batalha contra os piratas... "Você estava cansado ontem à noite e dormiu. Vi que sua cabeça estava torta e, com medo de que acordasse com dor no pescoço, coloquei-a no lugar." Na verdade, ela o tinha usado como travesseiro de colo. Mas, com o que Fréli disse, Sean começou a ter um leve vislumbre de memória. Este desfecho era diferente... Lembrava que, da última vez, os piratas tinham lançado armas radioativas que poderiam destruir toda a frota, incluindo eles mesmos, então ele usou a habilidade de espaço de outro plano para desacelerar o tempo e eliminá-los. Mas no final, falhou: a liberação do elemento radioativo o engoliria num piscar de olhos, e, se lutasse, ainda assim perderia. Então, na boca de Yog-Sothoth, ele já estava morto, só podendo viver em diferentes tempos e espaços graças à habilidade do [Dominador do Tempo]. No entanto, depois que a influência de Nyarlathotep foi removida, esse conhecimento além do normal deixou de existir. Pensando bem, se a Porta da Verdade não tivesse sido aberta por ele, alguém teria recebido as instruções de Nya e criado essas coisas. Mas agora, a fonte não existia mais, e, sob a base imutável, surgiu outra linha... Na mente de Sean, parecia reviver tudo o que aconteceu na noite anterior: os piratas foram quase todos eliminados no cerco, enquanto um grupo separado embarcou em um navio de guerra e fugiu para o fundo do mar... O Almirante Marlow ordenou a perseguição, e, do outro lado, a frota do Porto de Cervo, sob o comando de Osália, também acelerou. No entanto, ao adentrar o vasto oceano, encontraram ondas gigantes. Nem mesmo a magia de Lucille ou a dele conseguia conter o desastre natural; só conseguiram manter o navio em que estavam, que foi levado pelas ondas noturnas até ali. Sean franziu a testa. Que tipo de linha da história é essa? Quem a escreveu? Que falta de confiança! Não podiam simplesmente vencer e voltar? Tinham que fazer isso? Olhando para a expressão [Confusa!] de Fréli, a memória se tornava cada vez mais vívida. Um segundo antes, ainda conseguia lembrar de outro enredo, mas, ao tentar recordar, como se chamava aquele membro do Círculo de Feiticeiros que estava com o líder pirata? Não lembrava mais o nome dele, parecia que era um seguidor do Rei de Amarelo... Sean pensou por um bom tempo e não se lembrava do nome, e até começou a duvidar se essa pessoa realmente existia. Seus sentidos e memórias estavam começando a enganá-lo! "Estranho..." "O que foi, Sean? Não me assuste!" Fréli disse, preocupada. "Nada, é que..." Não sabia como explicar. Em questão de segundos, parecia ter esquecido tudo, sendo gradualmente coberto pelo desfecho atual, quase não lembrando mais do que aconteceu antes. "Tem certeza de que está bem?" Fréli perguntou novamente, com cuidado. "Estou... estou bem." Sean balançou a cabeça, decidindo não se preocupar mais. "E a Lucille?" Só de falar isso, recebeu um olhar [Estranho!] de Fréli. "Ah... minha mentora." Já fazia dois meses, às vezes era difícil mudar. Sean tentou se convencer internamente de que a linha do tempo já tinha voltado ao seu momento, e precisava controlar o antigo modo de falar. "Ela..." "Opa, você acabou de acordar e já quer me ver?" Antes que Fréli pudesse responder, a voz de Lucille veio de trás. Ele se virou. Uma mulher vestida como uma feiticeira comum se aproximava. Em vez de saia, usava calças de couro apertadas que marcavam sua silhueta, e uma blusa curta, mas, por cima, uma capa vermelha grande fazia seus cabelos brancos se destacarem ainda mais. Fréli parecia já estar acostumada com a fala direta de Lucille; apenas a olhou sem dizer nada. "Você acordou." A atitude era completamente diferente da de vinte anos atrás. Agora, ela tinha uma certa presença, mas também era mais difícil de controlar. Lembrava que, há vinte anos, Lucille fazia tudo o que ele dizia... era bem obediente. Claro, também tinha a ver com a troca de papéis entre os dois. Graças a isso, Sean finalmente entendeu a origem dela e quem estava por trás daquele poder imenso. Se antes tinha dúvidas, agora não precisava mais se preocupar: não existia Luz Perpétua nem um grupo de feiticeiros dedicado ao estudo de magia obscura. Ele só tinha usado o talento dela e o próprio poder para criá-la. "Algum problema?" Lucille olhou para Fréli ao lado com [Curiosidade!] e depois se virou para Sean. Com uma expressão confusa... "Você investigou que lugar é este?" Para disfarçar o constrangimento, Sean arranjou uma desculpa qualquer. "Viemos do Porto de Dansu, seguindo para o leste, e acabamos encontrando a frota do Porto de Cervo... Se a rota estiver correta, continuando para o leste, nos aproximaríamos de Suaíli", disse Lucille. Suaíli era um país a leste de Jagon, onde ficava o Porto de Crepúsculo. A rota que Lucille mencionou devia ser a mais familiar para ela. "Mas as ondas de ontem à noite nos dispersaram. Não sei que região é esta. Pode ser perto da parte mais sudeste do Grande Deserto, mas esse lugar fica muito longe da nossa rota. O mais provável é que tenhamos sido levados pela correnteza para o sul, até um país próximo ao continente sulista", respondeu Lucille, com seu conhecimento talvez não muito profissional. Nesse momento, do lado de fora, um dos soldados que arrumava as coisas gritou de repente: "É um navio! Apareceu um navio ali!!"