Capítulo 530: Capítulo 530 A Coisa Atrás da Porta

— O que você está fazendo, Grande Alquimista? O que você invocou?!

Não apenas Ayla, mas provavelmente toda a população da capital imperial podia ver aquela porta gigantesca e sinistra. Os soldados ao lado, que inicialmente queriam avançar, foram impedidos pelo imperador Williams...

— Eles são nossos convidados de honra! Como ousam apontar suas armas para nossos hóspedes? Afastem-se! — Um grupo de soldados abriu caminho.

Sean e Ayla não tiveram escolha senão continuar andando até a frente do imperador Williams.

— Majestade Imperial, gostaria de perguntar o que estão fazendo? O que é essa porta?! — Ayla franziu a testa. Embora Sean já tivesse dito que aquela porta era a chamada "Porta da Verdade", ela queria ouvir a confirmação deles próprios.

— Não se preocupe, Senhora Khalifa... ou talvez seja melhor chamá-la diretamente de Vossa Majestade, a Imperatriz. — O imperador Williams disse de repente.

Até os dois marechais ao lado se assustaram.

Imperatriz? Por que o imperador Williams a chamaria de imperatriz? Hogheim e Alex olharam para Ayla, que estava do outro lado. Uma bruxa vinda da região de Edak, e também de Jagon... Será que ela é...?

Ayla também mostrou brevemente uma expressão de [surpresa!], mas se acalmou em poucos segundos.

Afinal, sendo também uma detentora do poder real de um país, as investigações sobre os reinos vizinhos não eram poucas. Com um pouco de tempo, seria possível descobrir que a imperatriz de Jagon já havia abdicado; era só questão de quando a notícia chegaria até aqui.

— Parece que você já sabe de tudo, Majestade Williams. — Ayla olhou para ele.

Já que ambos eram soberanos, não havia necessidade de ser humilde; até no tratamento ela passou a usar o nome dele.

— Já ouvi falar que a Imperatriz Ayla era uma bruxa notável. Antes, não acreditava que um membro da realeza pudesse alcançar um nível tão alto, mas ao ver a própria Ayla, acreditei... Graças a você, Imperatriz Ayla! Foi você quem trouxe a tabuleta em suas mãos, que nos deu a oportunidade de invocar a porta que simboliza a verdade do mundo. — Williams exibiu um sorriso satisfeito.

Comparado ao semblante preocupado de ontem, hoje ele parecia cheio de confiança.

— A tabuleta em minhas mãos? — Ayla lembrou-se da Tabuleta de Cain em seu poder.

A parte mais misteriosa do mundo dos bruxos... uma tabuleta gravada com runas antigas pela bruxa ancestral Cain. Pessoas comuns, mesmo segurando-a, não conseguiam decifrá-la. Como ele a estava usando? E mais, a tabuleta estava com ela!

— Parece que Vossa Majestade ainda está confusa?

Nesse momento, o Grande Alquimista Meredith, que estava parado não muito longe, de repente se adiantou para falar.

— Vossa Majestade sabe o que significa a inscrição na tabuleta em suas mãos?

Ayla olhou para a tabuleta em sua mão. Como estudiosa de magia antiga, aqueles caracteres não eram difíceis para ela, mas o método de uso não era claro.

— A tabuleta em suas mãos simboliza uma existência extremamente poderosa, talvez a mãe de todos os seres vivos... a grande deusa da escuridão e da fertilidade, a Cabra Negra... Tudo o que lhe pertence pode servir como meio de contatá-la, mas essa deusa antiga nunca se dignou a descer a lugar algum; ela apenas gosta que seus fiéis lhe ofereçam tributos para ganhar seu favor. — Meredith falava cada vez mais animado.

Provavelmente, os outros ao redor apenas seguiam ordens, sem saber de seu plano pessoal.

— E qual é o preço? — Sean perguntou, olhando para ele.

Meredith deu um sorriso frio.

— Boa pergunta, Sr. Sean. Mas para obter o favor da Mãe Suprema, é claro que é preciso oferecer um sacrifício... — Parecia que Meredith não pretendia esconder nada.

Ele olhou para o imperador Williams.

— Majestade, assim que a Porta da Verdade for aberta, todos os segredos do mundo deixarão de ser segredos. Poderemos decifrar qualquer coisa, e despertar a princesinha será apenas um gesto simples.

— É... é assim? Então, deixo tudo nas mãos do Grande Alquimista.

A porta na escuridão permanecia imóvel, mas as nuvens negras no lago do centro da cidade começavam a se espalhar gradualmente. Em relâmpagos silenciosos, era possível ver dentro das nuvens negras tentáculos que se contorciam, como se existissem e não existissem, além de pedaços de carne disformes...

— Esperem!

Sean falou de repente.

Todos se viraram para olhá-lo!

— Você sabe o que está por trás da porta? Pode não ser o que você deseja. Quem espia os segredos do abismo será devorado por ele.

— É mesmo?

— ... Mas eu não sou um daqueles bruxos que seguem regras. Para obter conhecimento, é preciso espiar segredos; esse é o destino dos que tudo sabem. — Meredith riu com frieza. Naquele instante, Sean sentiu algo.

Nyarlathotep!

— É você!

Seu corpo ativou a habilidade, instantaneamente entrando em um plano dimensional diferente...

Desacelerar o tempo lhe daria mais tempo para eliminar o oponente diretamente!

No entanto, assim que Sean ativou a habilidade, outra força poderosa o puxou de volta.

Não conseguia entrar!

— Parece que a chave final foi encontrada. A Porta da Verdade finalmente pode ser aberta! — Meredith disse animadamente.

Sean arregalou os olhos para ele.

— Sean!

Ele já não se importava com o chamado de Ayla ao lado.

Chave...

Certo.

Eu sou a chave!

Atrás da porta está outro mundo, e quem pode abri-la... ou melhor, quem pode atrair quem está dentro para abri-la, sou eu!

— Nyarlathotep! — Sean gritou de repente o nome.

Mas todos ao redor ainda estavam confusos e perplexos...

Apenas Meredith caminhava sozinho em direção à porta.

— Por que a vida nasceu neste mundo...

— Toda a história, toda a causalidade...

— Todo o poder, toda a guerra.

— Está tudo lá dentro... Porta que leva àquele palácio, reabra-se. — Ele ria histericamente.

Ao mesmo tempo, a enorme porta começou a se mover lentamente.

Sean olhou para os outros ao redor; todos pareciam hipnotizados pela porta, olhando fixamente para ela. Até os generais, os alquimistas, Ayla e Williams esperavam em silêncio que ela se abrisse.

O tempo,

Parecia ter desacelerado num piscar de olhos, a ponto de quase desaparecer.

A gigantesca porta de pedra, com centenas de metros de altura, abriu lentamente uma fresta, e instantaneamente inúmeros tentáculos se estenderam.

— Olhem, ela apareceu... Oh, soberana de todas as coisas, seu servo deseja mais bênçãos. Quero saber mais, quero conhecer tudo!

A porta se abriu, e na entrada havia um vazio silencioso. Nesse momento, das fendas escuras, algo parecia estar rasgando seu véu.

Lutando para emergir pela porta...

Um olho imensurável, impossível de descrever, se abriu no vazio.