“Sean? Sean!” O chamado de Ayla trouxe Sean de volta da surpresa.
“Ah, estou aqui.”
Ele olhou para a pessoa deitada na cama.
Naquele momento, o Imperador Williams se aproximou novamente, parando ao lado da cama para observar sua filha deitada…
“Majestade Imperial, há quanto tempo a princesinha está nesse estado?” Ayla não suportava ver aquela cena. Como uma pessoa saudável podia ter virado algo assim, parecendo quase um cadáver? Se não fossem os arranjos alquímicos ao redor, que forneciam energia vital continuamente, seria normal dizer que ela já estava morta.
“Já faz alguns meses. Há três meses, embora estivesse gravemente doente, ainda conseguia falar. Foi há dois meses que perdeu a fala, e aos poucos os olhos não conseguem mais abrir.” O Imperador Williams soltou a mão da filha, que segurava firmemente.
Acariciou o cabelo dela. Os músculos do rosto já não tinham qualquer sensação de vitalidade.
Era como carne congelada prestes a apodrecer: com um pouco mais de força, a pele se rasgaria!
O cheiro que pairava ao redor também indicava essa situação… No entanto, ela ainda não estava morta!
Pela visão de Sean, aquilo era apenas um [Cadáver Vivo]. Sem barra de vida, sem afeição, e sem qualquer atributo visível.
Era simplesmente aquilo.
Se ele ficasse em silêncio e observasse com atenção, perceberia que o abdômen ainda se movia levemente, indicando que a princesinha ainda respirava!
Era muito estranho.
Sean nunca tinha visto algo assim antes. Pela expressão de Ayla, ela também parecia não conhecer nada parecido. Não era à toa que circulavam rumores de que a princesinha estava morta, ou que precisava da ajuda de seguidores de deuses antigos para ser revivida.
Agora, vendo aquilo, até Sean achava fascinante. Além do desconhecido, só um milagre poderia curar essa doença estranha.
[Cadáver Vivo]?
Ele não conseguia pensar em nada para descrever a situação. Até essa explicação só podia ser entendida literalmente: um corpo vivo?
“Nunca vi algo assim antes. Como a Princesa Letícia contraiu essa doença?” Depois de observar por um tempo, Ayla também ficou sem saber o que fazer. Nunca tinha ouvido falar de algo assim.
“Nós também não sabemos. Há seis meses, a Princesa Letícia estava bem, mas de repente, um dia, caiu doente com essa condição estranha. Pode ser uma praga desconhecida ou alguma maldição!” Disse o grande alquimista ao lado.
Se fosse praga ou vírus, ela já estaria morta ou meio morta, e pelo menos apareceria uma barra de vida…
Mas agora não havia nada.
Para Sean, parecia mais um objeto. Normalmente, só quando um objeto aparecia em seu campo de visão é que mostrava apenas o nome, sem atributos extras.
“Por isso pedi que a senhora desse uma olhada. Talvez possa examinar pelo método dos feiticeiros.”
Meredith se mostrou muito humilde, o que fez com que Sean e Ayla não pudessem recusar.
Ayla deu uma volta ao redor da princesinha…
Olhos.
Quase completamente pretos.
Braços, unhas ainda cresciam naturalmente!
Parecia ter vida, mas mais como um zumbi… Um ghoul? Um morto-vivo? Sean conseguia pensar nesses termos para descrever a princesinha, mas um ghoul sem nenhum atributo era estranho demais. Mesmo os mortos-vivos das histórias deveriam ter uma barra de vida.
Não precisava ser grande, mas a barra de vida provaria que era pelo menos um ser vivo. Agora, nem isso parecia ser!
Ayla deu a volta e começou a ficar perplexa…
“Isso não parece uma maldição mágica. Maldições às vezes são menos eficazes que pragas, geralmente não duram tanto tempo. Além disso, o estado atual da princesinha não se parece com nenhuma maldição que aprendi.” Ela balançou a cabeça, sem conseguir explicar o fenômeno.
“Então, poderia ser uma arte secreta desconhecida?”
“Arte secreta?”
Ayla olhou para o grande alquimista que falava.
Essa palavra também chamou a atenção de Sean. A ideia de uma arte secreta desconhecida era muito vaga.
“Se existe, pelo menos não conheço nada parecido. Parece muito com uma magia de sacrifício antiga, mas a manifestação é estranha.” Ayla franziu a testa.
“A Senhora Harifa conhece algo assim?”
Antes que ela terminasse, o Imperador Williams perguntou ansiosamente.
“Só se parece…”
“Por favor, senhora, salve minha filha! Ela é minha única filha. Se houver algum meio, por favor, tente. Aceito qualquer condição.” Dava para ver que o Imperador Williams amava verdadeiramente sua filha.
Pela princesinha ali, ele estava disposto a pagar qualquer preço que pudesse.
Como imperador, não podia se ajoelhar facilmente, senão Sean achava que ele já teria caído de joelhos!
“Meredith.” Ele chamou de repente.
“Estou aqui, Majestade!”
“Você trouxe a placa que a Senhora Harifa queria?”
Meredith pegou uma caixa das mãos de um servo que o seguia.
“Trouxe tudo. Posso entregar à Senhora Harifa a qualquer momento!”
Nem Sean nem Ayla esperavam conseguir a placa tão facilmente. O imperador não estava apenas mostrando; parecia que ia dar de presente.
O Imperador Williams pegou a caixa e a colocou diante de Sean…
“Isso deve ser a placa que a Senhora Harifa queria. Já que não serve para nada no palácio, é melhor dar a vocês. Espero que a senhora faça o possível para ajudar a curar minha filha.”
O objeto foi entregue, exatamente o que queriam, mas com uma condição atrelada.
Se Ayla aceitasse, teria que se responsabilizar por tratar a princesinha!
Sean olhou para ela. Pelo que sabia, Ayla precisaria… então…
“Farei o meu melhor, Majestade Imperial.” Ela disse, aceitando a caixa.
……………………
O método de cura precisava ser pensado com calma. Ayla só podia confiar em seus anos de experiência e conhecimento em magia para explorar aos poucos.
Afinal, eles já tinham recebido a placa!
Chegou a noite.
O dia inteiro só nesse momento os dois estavam mais tranquilos. Ayla pegou sua metade da placa e juntou com a outra metade da caixa…
Era igual, de fato!
As partes quebradas se encaixavam perfeitamente.
“O que está escrito?” Sean perguntou curioso.
“Espere.”
Ela examinou com cuidado. Para quem estudava placas, aqueles caracteres eram legíveis.
“Das fontes das trevas ao abismo estelar, do abismo estelar às fontes das trevas… No vazio, ecoam eternamente louvores a ela, louvores à existência suprema cujo nome não pode ser dito… Ah, a cabra que gerou inúmeros descendentes!”
“A cabra negra que gerou todas as coisas!”
“Shub… @#%!”
O último nome, Ayla não conseguiu pronunciar. Ou melhor, quando estava prestes a dizê-lo, sua voz sumiu de repente.
Parecia que ela tinha ficado muda!
Ela olhou para Sean, espantada…
“Sean, eu…”
Ao mesmo tempo, do lado de fora da janela, uma densa névoa negra parecia surgir!