Por causa desse incidente, Rosh e Riche ficaram retidos na cidade de Kimo, e os dois alquimistas nacionais, que tiveram um começo azarado, aguardavam a resposta de seu mentor, Kordell.
Só ousaram contar isso a Kordell e não podiam espalhar por aí...
Mas a cidade inteira já estava queimada daquele jeito, não dava para esconder. Mesmo que os alquimistas nacionais não reportassem, o prefeito de Kimo teria que reportar, senão ninguém cuidaria da cidade, e todos os prejuízos ficariam sem reparação...
A notícia tinha que ser exagerada ao máximo para mostrar que algo grave aconteceu ali, e algo muito estranho.
O prefeito ainda tentava ganhar a simpatia de fora e jogar a culpa nos alquimistas, enquanto os dois alquimistas importantes só podiam empurrar a culpa para o fugitivo.
Por um momento, toda a raiva foi direcionada a Ocam, enquanto Sean foi deixado de lado como se nada tivesse acontecido...
Mas naquela noite não houve chance de encontrar Aila.
Os dois só conseguiram um tempo para se reunir de manhã cedo.
Sean sentia que tinha muitas perguntas a fazer, e provavelmente ela também tinha muitas!
Aproveitando que os alquimistas e o prefeito estavam ocupados procurando pistas de Ocam e ajudando os desabrigados da cidade, os dois finalmente tiveram tempo para sentar e conversar calmamente.
Para ser sincero, antes Sean evitava vê-la por ela ser sua 'mãe', mas o feitiço da noite anterior mostrou que ela também usava algo além da bruxaria, senão não teria dito 'você também tocou nesse poder'.
"Já mandi a Mirca vigiar a porta lá fora. Sua pequena aprendiz ainda deve estar dormindo, ninguém mais saberá do que vamos falar agora."
"Parece que você sabia que eu viria te procurar?" Sean olhou para aquela mãe diante dele.
A Imperatriz do Deserto.
Quase toda a sua identidade e glória vinte anos depois vieram dela. Seria impossível não sentir alguma gratidão, e ainda havia o laço de sangue entre eles, uma conexão intrincada.
Além disso...
Olhando para ela.
Falando sério, ela se parecia muito com ele.
Não...
Era ele que se parecia com ela!
Lembrava-se de quando viu o caixão de Aila sob o Templo do Sol em Jaggon, aquela sensação era difícil de descrever. Ela naquele momento quase não mudou do que viu no caixão depois, o rosto jovem, mas já falecida.
Sean pensou que já tinha visto muitas despedidas neste mundo, até no campo de batalha não se emocionou...
Mas só agora sentia uma emoção indescritível.
Aila, claro, não sabia da mudança psicológica de Sean naquele momento. Ela apenas se sentou na cadeira ao lado, olhando para Sean com uma expressão de [Curiosidade!].
"Você é um Adak?"
"Nasci em Zumbartal."
"Qual país?" perguntou Aila.
"Império Basharan. Você não me chamou aqui só para perguntar isso, né?" Sean olhou para ela, vendo os estados de [Lembrança!] e [Reflexão!] acima de sua cabeça.
"É um dos motivos. Você não ouviu sua pequena aprendiz dizer que nos parecemos muito?"
Era mesmo a Imperatriz, sem esconder o que pensava, perguntando diretamente.
Isso era muito mais imponente do que o Rei Sol depois!
Mas Lucille nunca tinha dito isso. Quem perguntou sobre a relação entre os dois ontem foram Rosh e Riche, achando que eram irmãos? Mas Sean negou, dizendo que não os conhecia.
"Não vou esconder de você. Minha família sofreu um grande golpe há muitos anos, muitos parentes próximos foram mortos ou fugiram. Quando te vi, pensei se você poderia ser um descendente da nossa família, já que nos parecemos tanto, você até parece mais com meu irmão quando jovem!" disse Aila.
A realeza de Jaggon.
Lembrava que se chamava Izdiar, já tinha ouvido o Rei Sol mencionar.
Era um sobrenome antigo e nobre no deserto, governando Jaggon por séculos. Essa família se espalhou bastante, mas na geração deles foi quase exterminada quando crianças, só restando Aila e o Rei Sol.
Claro, não era estranho que uma família grande tivesse descendentes espalhados, e não era de se admirar que Aila pensasse assim!
"Receio que vou decepcioná-la. Nasci numa cidade pequena no sul do Império Basharan, numa vila rural, e provavelmente não tenho nada a ver com seu sangue nobre." Só Sean sabia de sua verdadeira origem, claro que não ia admitir.
"Vila rural? Talvez sua família não tenha te contado... Esse tipo de lugar é ótimo para se esconder, vale a pena ir." Aila murmurou baixinho.
Hmm...
Essa fala sozinha fez Sean ter um estalo.
Antes ele se perguntava por que a Imperatriz do Deserto iria para uma cidade pequena para se casar e ter filhos, e agora a resposta parecia mais clara.
Sentiu um medo repentino, como se tudo sobre ele estivesse sendo arranjado.
Olhou para o céu pela janela...
Yog-Sothoth.
É esse o fim que você conhece?
Passado, presente e futuro...
"Bom, a parte de reconhecimento familiar deve acabar. Agora vou te perguntar seriamente: você também consegue ouvir aquela voz?" Aila mudou de assunto de repente, olhando para Sean com [Seriedade!].
"Que voz?" Sean perguntou de propósito.
"Não tente negar. Pela magia estranha que você usou ontem, vi que não é um bruxo tradicional... Tudo o que você usou não pertence à bruxaria, especialmente aquelas chamas que não deveriam existir neste mundo... Então você também deve ouvir." Aila não aguentou mais ficar sentada, levantou-se e se aproximou.
"O sussurro dos deuses antigos, não fica ecoando nos seus ouvidos?"
Sean olhou para ela surpreso.
Essa era a primeira vez que alguém dizia abertamente a frase 'sussurro dos deuses antigos'.
"Você também?" perguntou instintivamente.
"Então..."
Aila suspirou aliviada, mas parecia mais um lamento.
"Você está certo. Eu também ouço os sussurros deles." Ela tirou do bolso o osso que tinha visto ontem.
"Antes, para conseguir poder para proteger minha família, pedi ajuda a eles e troquei por força suficiente. Agora, ouço os sussurros deles com frequência, especialmente ontem, quando te encontrei, os sussurros não paravam nos meus ouvidos."
"O que eles disseram?" perguntou Sean.
Aila olhou instintivamente para a porta e para a janela.
Só depois de confirmar que estava seguro, ela se preparou para falar...
Quase ao mesmo tempo, Sean sentiu seu coração começar a bater forte.
"Quando me lembro daquela sensação, ainda tremo e sinto medo, é arrepiante... Não me lembro exatamente do que foi dito." Aila respirou ofegante.
"Parece que não disseram nada... Mas parece que disseram algo."
"Um corredor escuro, uma porta no fim... E ele é a chave!"