Capítulo 43: Capítulo 43 Área de Engenharia

Parecia uma garotinha de uns quinze ou dezesseis anos. Ao me ver, ela deu um passo para trás, como se estivesse com medo.

— Hã? Eu sou tão assustador assim?

Olhei para o topo da cabeça dela, onde apareceram os estados [Ansiedade!] e [Nervosismo!].

— É a primeira vez que vende algo? Parece que até falar está nervosa...

— Frutas? — Foi Shawn quem falou primeiro.

Vendo o sorriso infantil sob o capuz vermelho dela, que de repente se abriu, era aquele sorriso falso padrão. Para uma comerciante, aquele sorriso falso era tão exagerado que Shawn teve ainda mais certeza de que a garota era nova no ramo, ou que tinha encontrado algo triste hoje que não conseguia esconder.

— Hum, senhor, quer um pouco?

Ela soltou um suspiro, e o estado [Nervosismo!] no topo da cabeça foi desaparecendo aos poucos. Claramente, ela também estava se esforçando para se controlar.

Shawn foi até uma barraquinha num canto da rua. Como aquela rua tinha muitos vendedores ambulantes, parecia que o Conde Hamilton não tinha intenção de organizar a bagunça.

Se antes a Avenida Brucan ainda permitia a passagem de carruagens, a partir dali elas não passavam mais, porque era impossível andar... Além das lojas normais dos dois lados da rua, havia uma fileira de barracas ao redor, que praticamente empurravam os pedestres para o meio da rua, impossibilitando o trânsito de carruagens.

A barraquinha da garota ficava bem ao lado de uma loja de frutas, um pouco perto de uma loja de acessórios...

— Aqui!

— Esta é uma fruta cultivada na minha casa, chamada Pachira. É muito gostosa... Senhor, experimente.

A garota usava uma toalha de barraca de duas camadas para expor dezenas de frutas, com quatro um pouco maiores empilhadas na frente. Ela pegou a maior de cima da pilha.

A aparência não era das melhores, mas Shawn sentiu uma familiaridade.

— Isso não é pêssego?

Só que a casca não tinha pelos, mas o formato era parecido e o tamanho era bem grande.

Desde que chegara àquele mundo, as frutas que conhecia não existiam mais. Talvez a maçã fosse igual, mas o nome também era diferente.

— Senhor, pode experimentar primeiro.

Vendo o olhar ansioso da garota e o estado [Expectativa!] que apareceu.

Ele deu uma mordida... A boca se encheu de suco, dizendo-lhe que o sabor era de pêssego!

Só que tinha uma casca mais macia e lisa.

— O que achou?

Os olhos grandes e redondos dela o fitavam. Aquela garota devia ser uma plebeia comum, não era muito boa em se arrumar, mas o contorno do rosto era bonito. Se ela se lavasse um pouco e trocasse de roupa, mesmo que não fosse filha de um nobre, pelo menos seria descendente de algum comerciante rico.

— Nada mal. Quanto custa isso? Vou comprar um pouco.

Ao ouvir que ele ia comprar, a garota mal conseguiu esconder a empolgação, e o estado mudou de [Expectativa!] para [Alegria!].

Ela esticou um dedo e disse:

— Só uma moeda de prata por estas! — Apontando para as três maiores na frente.

A moeda de prata era a menor unidade daquele mundo, porque não havia cobre ou ferro abaixo dela. Pagar com moeda de prata significava que era a coisa mais barata. Até o menor frango assado custava duas ou três moedas de prata, e com uma moeda de prata dava para comprar alguns pães.

A taxa de câmbio era mais ou menos uma moeda de ouro equivalendo a dez de prata.

Shawn tateou sua bolsa e viu que realmente não tinha unidades tão pequenas quanto moedas de prata.

Sem pensar, ele tirou uma moeda de ouro.

— Hum...

— Só tenho isso. — Ele colocou a moeda na mão da garota.

— Mas... é demais! — A garota franziu a testa.

— Então me dê mais. Deixa comigo, eu pego! — Sem esperar a resposta dela, Shawn se agachou e, entre os pêssegos, escolheu uns quinze maiores e de melhor aparência, colocando-os de lado.

Ainda deixou metade para ela.

— Quero estes! — Apontando para as frutas no chão.

Naquela hora, a garota já percebia que ele estava tentando ajudá-la. Embora para um nobre aquele dinheiro não significasse nada.

Ele recebia mais de dez mil moedas de ouro por ano. Perder umas dez por dia era fichinha. Sem pressa!

— Eu... eu vou embrulhar para o senhor. — A garota se agachou rapidamente e ajudou a embrulhar as frutas num pano limpo.

Ela não ousava olhar para frente, mantendo a cabeça baixa o tempo todo.

Mas Shawn conseguia ver o estado mental dela naquele momento, e o nível de afinidade mudou de repente.

[900/900, Neutro] virou instantaneamente [Amigável]!

Ela devia ser menor de idade, então a barra de vida era menor que a de um adulto comum, mas a afinidade podia chegar a Amigável! Isso era um nível de afinidade que só os seus próprios súditos tinham.

Geralmente, "Amigável" significava que podiam se comunicar normalmente, como amigos comuns ou parceiros de negócios. Já "Amigável" com um toque de admiração era algo que só os moradores de suas terras tinham.

Quem diria que num primeiro encontro já teria esse começo...

Então é assim que os nobres conquistam as garotas com tanta facilidade.

Aprendi, aprendi!

Shawn pegou outra fruta e, de repente, notou alguns buracos na parte de trás.

— O que é isso?

— Ah! — A garota também viu e se apressou a pegar para examinar.

— Deve ter sido mordido por um rato. Ultimamente, apareceram muitos ratos na cidade! — Ela limpou a fruta mordida com a mão e a colocou de lado, atrás de si.

— Essas frutas foram colhidas agora, não foram? Os ratos subiram nas árvores?

Ao falar de ratos, Shawn lembrou da cena que vira na noite anterior sob a visão da coruja. Naquela época, não havia muitos na beira da estrada?

A garota não disse nada, provavelmente não sabia como responder.

— É melhor não comer as que foram mordidas, senão você pode ficar doente. Isso não é economia, é desperdício. — Os remédios naquele mundo eram muito caros. Viver normalmente era fácil, mas se alguém ficasse doente, gastava quase todas as economias.

— Hum.

A garota apenas acenou com a cabeça, mas parecia não ter se importado muito.

— A propósito, você sabe onde fica a Loja Skovik?

— A Loja Skovik? — Ela parou de repente. Nessa hora, as frutas já estavam embrulhadas, e ela pegou uma de um pequeno cesto no canto e a colocou dentro.

— Lembro que é uma loja no Distrito de Engenharia. O Distrito de Engenharia fica ali na frente... Senhor, é só contornar aquela rua e vai ver. — A garota apontou para a frente.

— Obrigado.

Vendo que ela ficou parada por um instante, depois sorriu.

Dessa vez, não foi um sorriso falso, mas um sorriso sincero...

— Ilustre senhor, quer umas frutas?! — Alguém gritou ao passar por outra barraca de frutas.

Era um senhor.

Mas no topo da cabeça dele apareceu o estado [Inveja!]. Provavelmente, ele tinha visto a cena da compra.

Humpf.

Shawn não ligou e foi direto para o tal Distrito de Engenharia.

Cerca de umas centenas de metros depois, uma bifurcação dividia a rua em duas partes. De um lado, ainda era um bairro movimentado; do outro, o lado do Distrito de Engenharia era mais vazio, com mais carruagens paradas.

No ar, havia um cheiro forte e irritante.