Mercado noturno.
Fazia tempo que Sean não percorria pessoalmente o mercado noturno de alguma cidade. Quando foi pela primeira vez a Cogar, para ver o esplendor da metrópole, costumava sair todas as noites para dar uma volta no mercado noturno.
Depois de conhecer Ignya, os dois passearam juntos pelo mercado noturno.
Agora, em terras estrangeiras, era uma sensação diferente…
“Alteza, olhe ali, é a trupe tradicional da região de Adak.” Andando pela rua, Illya apontou de repente para o lugar mais lotado à frente.
“Lá fora, pode me chamar de senhor.”
“Sim, senhor… Mas aquilo é realmente o entretenimento tradicional mais famoso de Adak.” Ela ainda apontava animada para a multidão.
Já não era fácil sair do palácio; sua identidade de príncipe, e ainda o primogênito, chamava muita atenção. Para sair do palácio, ele teve que pagar um preço alto, e ainda assim só encontrou o caminho depois de observar secretamente por vários dias.
Além disso, havia conversado com Melsusa.
Ela conhecia suas habilidades e confiava na defesa da capital, então concordou relutantemente em deixá-lo sair por um tempo durante a troca de turnos.
Um príncipe também precisa se divertir com o povo, não pode ficar trancado no palácio o tempo todo.
Conseguir essa oportunidade já tinha sido difícil, e Sean não queria que Illya estragasse tudo com algumas palavras!
“Você está falando daquele grupo?”
“Na frente, senhor, olhe para aquela haste alta.” Ela apontou para um poste alto no meio da multidão.
Não tinha bandeira, mas o topo era pintado de branco e vermelho, como se fosse um aviso…
As apresentações de circo realmente eram populares em Adak. Até o Rei Sol já tinha convidado Sean algumas vezes para assistir, mas ele não tinha muito interesse e nunca foi.
Nesta era de entretenimento escasso, óperas, circos e as histórias emocionantes dos bardos eram as maiores diversões.
O motivo de serem raras no Império Bashalan era que, no geral, Bashalan não era tão rico quanto Jagon… A maior parte da riqueza estava nas mãos dos nobres. Se os nobres não gostavam, o entretenimento em toda a cidade era escasso. Já em Jagon, o povo tinha uma certa renda.
Por isso, a busca por prazeres espirituais era maior.
Sean levou Illya em direção à multidão…
“O que estão apresentando?” Ele olhou para o palco vermelho onde várias pessoas vestidas com trajes elaborados cantavam e dançavam.
“Uma pequena história que se passa no deserto. O amor entre um jovem bandido justo e a filha de um nobre. Eles passam por várias provações e cumprem as três condições impostas pelos nobres, até que finalmente ficam juntos.”
Vendo a expressão de Illya, cheia de [Inveja!].
Quem escreveu esse roteiro?
Por que são sempre esse tipo de história?
Hmm, hmm~
“Senhor, o que foi? Essa história é conhecida por todos no povoado, é muito famosa!” Illya explicou.
“Nada, só estou refletindo.” Sean olhou para a apresentação no palco.
Exatamente na parte das tais três condições:
Caminhar um dia no deserto sem pegar um grão de areia; pegar um ovo de filhote de pterossauro; e desafiar um certo monstro maligno.
Se completassem as três coisas, poderiam ficar juntos.
Os atores no palco declamavam falas apaixonadas, mas para Sean, essas histórias pareciam familiares onde quer que fosse… Como se o roteiro fosse sempre o mesmo, só mudando de lugar.
E, no final, o protagonista sempre conseguia tudo com a magia de uma bela bruxa. Isso mostrava que quem escrevia o roteiro não sabia como uma pessoa comum faria, só podia contar com ajuda externa.
E ainda diziam que era a bondade e o amor verdadeiro do protagonista que comoviam a todos.
Puta merda.
Quando eu estava no palácio de Bashalan, por que ninguém se comoveu comigo? Mas é verdade que só consegui escapar com ajuda externa.
“Hehe.” Depois de assistir, Sean bateu palmas junto com a multidão ao redor.
“O que achou, senhor?”
“Mais ou menos.”
“Pelo tom do senhor, parece que poderia escrever um roteiro melhor? As histórias que conta para a princesa Heira também são bem comuns.” Illya deu sua opinião sobre as histórias de Sean.
“Isso é para entreter a garotinha… Mas, falando sério, eu tenho muitos roteiros interessantes.”
Fazia dois anos que estava neste mundo, e Sean já estava esquecendo as cenas da vida anterior. Agora, ao lembrar, poucas coisas lhe vinham à mente, mas ainda se recordava das histórias e contos de fadas que ouvira quando criança.
Se fosse copiá-los, talvez pudesse até publicar alguns livros.
“Sim, sim, o senhor é o melhor.” Illya bateu palmas atrás dele.
Falsa~
Sean não discutiu muito com ela. Já que tinha conseguido sair, queria aproveitar para passear e conhecer os costumes da capital de Jagon. E, claro, uma condição importante era mapear o terreno.
Melsusa já estava trabalhando na maquete da cidade, e talvez em mais meio mês estivesse pronta. Quando tivesse o mapa do terreno, mas não visse a situação completa da cidade, seria mais difícil.
“Vamos, vamos para lá.”
Ele levou Illya para o fundo do mercado noturno. Quanto mais gente, mais valioso era o lugar.
Fossem aliados ou inimigos, abrir a visão das ruas principais no tabuleiro permitiria uma visão mais completa e também ajudaria a detectar se havia inimigos na cidade.
De repente, num canto do mercado, Sean notou um lugar que vendia pássaros, de asas e porte grandes.
Sob o olhar curioso de Illya, ele foi direto para lá…
O vendedor era um rapaz de uns vinte anos, barbudo e magro, que já o cumprimentou quando viu Sean se aproximar.
“O cliente quer ver alguns animais de estimação?”
Ele deu uma olhada rápida em Illya, atrás de Sean…
“Que pássaro é esse?”
“Falcão-da-areia. É a ave mais rápida do deserto… Este aqui é muito obediente e forte.” Ele pegou um de lado.
**[Falcão-da-areia]** **[Vida, Ave]**, Simpatia: [Indiferente]
Antes disso, Sean tinha visto que a vida das aves geralmente ficava em torno de 150. Este, com 300, já era bom, realmente maior que todos os outros.
Ao ver esses pássaros, Sean pensou em comprar um para domesticar. Depois, usando a magia [Visão Mental~], poderia usá-lo para mapear e procurar alvos.
Os abutres que usara antes para explorar o caminho nunca mais voltaram, ou morriam no gelo, ou eram feridos em batalhas.
“Então quero este. Quanto custa?”
“100 moedas de ouro.”
“100!! Tão caro!”
“Tão barato?”
Sean olhou para trás, e os dois disseram coisas diferentes ao mesmo tempo.
“100 é muito caro, senhor. Pelo menos o dobro do preço.”
“Deixa pra lá, é muito trabalho pechinchar. Dá pra ele.” Sean pegou o pássaro diretamente e mandou Illya pagar.
Era a primeira vez que ouvia algo assim. Realmente era sangue real, pensou Illya, com o coração doendo. Se tivesse dinheiro, ela não teria sido vendida para esses lugares.
“Mas, senhor, o senhor nunca me deu dinheiro.”
“Ah, esqueci disso.” Sean lembrou que ela tinha sido enviada para lá, sem dinheiro nenhum. No palácio, comer e beber não custava nada.
Então, tirou um punhado do bolso e colocou na banca…
Não contou, mas era mais do que suficiente.
O vendedor experiente percebeu na hora.
“Isso dá?”
“Dá! Mais que suficiente.” Ainda jovem, seus olhos brilharam ao ver alguém tão generoso.
“Então fica assim…”
Em seguida, tirou outro punhado e colocou na mão de Illya. “Isto é para você. Vai precisar comprar coisas para mim depois.”
Enquanto levava o falcão, o vendedor ainda se apresentou:
“Me chamo Ali. Patrão, volte sempre. Tenho muitos animais exóticos aqui. Se o senhor disser o nome, eu tenho!”