Capítulo 346: Capítulo 346: A Lenda de Cthulhu

— Eles naufragaram? — Provavelmente, mas naquela época o mar estava calmo, com apenas um momento de tempestade violenta. Naquele dia, nenhum dos marinheiros que saíram voltou — disse Illya. Sean lembrava que o relatório de investigação de Flérelia mencionava que aqueles Abissais vinham do sul mais distante do oceano, talvez para se adaptar à vida nos pântanos. Embora até agora Sean não tivesse encontrado outros humanos com a marca de Abissal, provavelmente eles se esconderam após aquele incidente, mas quem sabe ainda existam em algum lugar do mundo. — E o que aconteceu no final? — Nos dias seguintes, muitos foram procurar, mas não encontraram nada. Só viram destroços de navios na superfície do mar. Naquela época, muitos pescadores do oceano diziam que um deus maligno do mar havia tirado suas vidas. Depois, realizaram alguns rituais de sacrifício, jogaram muita comida no mar e proibiram a pesca por mais de meio mês. Illya falou calmamente. Sean ouvia atentamente, mas sua mente não parava de pensar no incidente de Tacoma... Naquela época, ele não podia participar das reuniões de alto escalão, e só sabia dos resultados das investigações por meio de Flérelia. Mas depois ela foi com ele de volta, então acabou não participando da investigação final. — Qual é o nome desse deus maligno que você mencionou? — Como um deus maligno teria um nome? — Se não tem nome, o que o povo vai venerar, não é? — disse Sean. Os nomes daqueles deuses antigos talvez não estejam corretos, mas os humanos lhes dão um nome apropriado, como Yog-Sothoth. Toda vez que pronunciava esse nome, sentia dificuldade, e até sua própria consciência o reprimia para não dizê-lo, pois dizê-lo traria consequências inimagináveis. — Não sei bem, parece que tem vários nomes... Ouço os hóspedes falarem disso de vez em quando. — Parece que há um nome, algo como o antigo Cthulhu... É assim que se pronuncia? — Illya disse com um sotaque que até ela achava estranho. — E mais alguma coisa? Sean perguntou novamente. Illya pensou: — Há muitas histórias sobre o oceano. Quando eu era criança, ouvi uma história que aconteceu no continente sul. A leste do continente sul há um mundo de gelo, onde poucas pessoas vivem, quase todas na periferia, e quanto mais para o centro, mais frio fica... — Na terra de gelo e neve, ninguém mora lá, mas se tornou um paraíso para aventureiros. Muitos marinheiros vão para aquela terra. Illya contou a Sean algumas histórias do continente sul. As regiões de Amansha, Zumbartal e Edak formam o continente norte. Ao sul fica o oceano, e mais ao sul há outro continente. O mar Mediterrâneo entre eles não é tão distante, pois os países e cidades próximos ao mar têm intercâmbio. A história que Illya contou era sobre a marinha real de um país do continente sul que foi explorar o polo, com mares congelados e terras desconhecidas, um lugar que testa a natureza humana. — No final, nenhum deles voltou, dizem que foram levados por algum deus maligno. — Deus maligno? — Sean se aproximou para ouvir com atenção. — Sim... tipo, um grande tubarão maligno... hahaha... — Ela gesticulou com as mãos e de repente cobriu a boca, rindo. — Você está entediada demais? — Ainda ri... — Haha... não vou mais rir... ha... desculpe, Alteza... — Ela respirou fundo e se acalmou. — Não esperava que Alteza se interessasse tanto por essas histórias. Muitas são contadas pelos hóspedes para enganar moças inocentes. Os marinheiros são assim, volúveis e infiéis. Sean percebeu que Illya estava zombando dele e, fingindo estar bravo, mandou-a voltar ao trabalho. — A propósito, prepare um conjunto de roupas comuns para mim — ele a chamou de repente. — Alteza vai sair? — Não posso ficar no palácio para sempre... As reuniões de governo de Edak não exigiam presença diária. Depois de alguns dias seguidos, havia dias de descanso. Nessa época, Sean queria sair para ver a cidade, pois ainda não tinha visto a aparência da capital de Jagon. — Alteza, me leve junto — disse Illya animadamente. Mas Sean não respondeu, apenas a olhou friamente. — Não vou mais irritar o príncipe. Irritar? Isso o faria parecer mesquinho. — Prepare dois conjuntos. — Hum-hum, sim, obrigado, Alteza. — Ela saiu sorrindo. Embora a história que ela contou não fosse confiável, Sean tinha impressão do acidente marítimo e do nome. Cthulhu... ele já tinha ouvido o homem-peixe Wesman murmurar esse nome. Parece que realmente existe! Ele entrou no escritório e começou a escrever esse registro em seu caderno de grimório... Sean classificou os registros sobre os deuses antigos de acordo com as categorias e as histórias que ouviu em vários lugares, para que pudesse encontrar pistas no futuro. .................... Nos dias seguintes, Sean continuou acompanhando o Rei Sol e seus dois irmãos mais novos no tratamento dos assuntos do país. Mas na maioria das vezes, Sean apenas ouvia, raramente opinava... afinal, não conhecia bem o país, e só teria chance de falar depois de pelo menos meio ano. O Rei Sol também classificou alguns documentos relacionados ao país para ele ler. A região de Edak era maior que Zumbartal, e muitos países ali tinham costumes diferentes que precisavam ser aprendidos aos poucos. Quanto ao mapa de areia em seu palácio, Sean pediu a Melsusa para cuidar disso, e desta vez o departamento militar o faria pessoalmente, talvez com mais precisão do que o de Oro City. Segundo Melsusa, certamente lhe daria uma surpresa. Ela também não esperava que ele usasse um mapa de areia militar para orientar o país, algo raro entre os membros da família real, que geralmente usavam mapas comuns. Então, quando ouviu que ele queria usá-lo, Melsusa ficou bastante animada. Do outro lado, as recompensas de Oro City já estavam a caminho, e em menos de meio mês... Oro City se tornaria oficialmente parte do território de Jagon. Depois, enviariam um contato de Jagon para lá, e toda a rota comercial seria estabelecida. Já estava quase no verão, e o caminho na fronteira de Oro City deveria estar aberto novamente. Assim que Jagon recompensasse e abrisse a rota comercial em nome do Rei Sol, os comerciantes do deserto veriam os lucros e invadiriam esse novo mercado. Quanto a Claude e a equipe de Bannier, Sean já havia escrito para eles, mas não sabia se estariam dispostos a vir para este novo lugar. De repente, já estava no palácio há meio mês, e diziam que os exércitos vitoriosos das batalhas estavam voltando. Naquele dia, Sean finalmente conseguiu escapar do assédio de sua irmã mais nova, Rayla, e voltou ao palácio... Ao anoitecer. — Illya, prepare-se, vamos dar uma volta fora da cidade imperial. — Agora? — Você vai contar para alguém? Ela se levantou rapidamente e negou. — Não, não... não é isso. Vou me preparar agora.