Bum!
A magia balística atingiu o alvo num ângulo tão absurdo que os quatro caíram juntos. Um grupo de soldados aproveitou o momento para cercá-los.
"Co-como é possível!" Mesmo caídos no chão após o golpe, os quatro ainda não conseguiam acreditar que uma magia tão simples pudesse acertá-los. Até de olhos fechados dava para desviar, mas, justo na hora de escapar, inexplicavelmente foram atingidos.
O peito ardia como fogo. Vendo os soldados se aproximarem, tentaram pegar suas armas, mas, cada vez que iam sacá-las, no segundo seguinte estavam de volta à posição de desembainhar.
Era como se uma força invisível os reprimisse, impedindo-os de puxar as espadas.
Os soldados avançaram em círculo, encarando os quatro caídos no chão.
"Pff! Mestres, é? Gente que não consegue nem desviar de um ataque básico ousa se chamar de mestre. Será que não tem mais ninguém em Adak, e por isso chamaram esses amadores pra encher o lugar?" Um soldado zombou sem piedade, provocando gargalhadas entre os outros.
"Você..."
"Chega de conversa, meia-vida ainda quer falar." Vendo que alguém tentava responder, um soldado deu um chute direto e virou-se para Sean.
"Chefe, o que fazemos com esses quatro?"
Chefe?!
Os quatro no chão só então viraram a cabeça para olhar na direção de Sean.
Embora os títulos em Adak e Bashalan fossem diferentes, ser chamado de "chefe" indicava pelo menos uma patente militar, nobreza ou cargo oficial. O objetivo dos quatro ao vir era justamente usar sua habilidade de furtividade para invadir o acampamento inimigo e, de preferência, eliminar um oficial de alto escalão.
Era só um teste para medir a força da região de Oro, mas nem conseguiram passar pelas defesas antes de serem derrubados.
Os soldados viram Sean apenas acenar com a mão e dizer algo casual.
"Tratem como inimigos de guerra comuns."
Então um soldado se aproximou com um machado.
"O-que você vai fazer!"
Tentaram resistir, mas os ferimentos graves jorravam sangue. Queriam fugir, revidar, mas não tinham forças.
O golpe desceu.
A última imagem que viram foi o sangue dos companheiros espirrando.
"Não, não! Vocês vão sofrer vingança! A Brigada Dourada não vai parar, nunca..." Gritaram tentando se debater, mas a cabeça se separou do corpo antes que terminassem a frase.
Alguém de quase nível oito de ordenação, afinal, não era tão difícil de enfrentar numa luta de verdade, pensou Sean consigo.
Se fosse ele com o Olho de Gheros, talvez tivesse eliminado todos de uma vez, mas ver o Olho do Deus Antigo enlouqueceria toda a guarnição. Em comparação, o Dominador do Tempo era mais suave e muito mais versátil.
Era uma habilidade bem prática, e ainda aumentava sua proficiência em magia.
Bastava aplicá-la em alvos de alto nível para ganhar proficiência, mas esse estilo de luta consumia muito de sua energia, e quanto mais pessoas ele afetava, mais difícil ficava.
Se fosse pelo poder do Senhor do Mundo, o tempo de efeito deveria transformar o mundo inteiro, mas ele só conseguia mirar nos alvos à sua frente. Dessa vez, foram apenas quatro, e já tinha gasto uma enorme quantidade de energia mental.
Após a batalha, Sean sentiu que sua mana estava bem vazia.
Se houvesse mais pessoas de alto nível, ele não aguentaria, mas era um jeito de aumentar sua proficiência mágica.
Agora, como senhor local, Sean não podia ir para a linha de frente toda vez. Seu papel era mais comandar a guerra nos bastidores, mas, com o poder do Dominador do Tempo, conseguia evoluir discretamente e virar o resultado da batalha.
Era o melhor cenário possível, especialmente com ninguém sabendo.
Os quatro já estavam no chão, e o resto era só os soldados exibindo seus feitos. A cena era sangrenta demais para Sean ficar assistindo, então ele se virou para voltar.
"Sean."
Uma voz repentina o fez parar.
"Quer dizer, Senhor Sean..."
Vendo os soldados por perto, Karyana corrigiu o título.
"O que houve com aqueles quatro? Os movimentos deles estavam estranhos." Karyana e Nysa, sendo as melhores alunas da Asa do Céu, percebiam até os mínimos detalhes.
"Não foram vocês que os derrotaram?" Sean fingiu não saber.
"Eu sei. Estou perguntando por que eles agiram de forma tão esquisita, como se não tivessem força." Como não tinham sentido na pele, Karyana não sabia explicar direito.
Mas o que ela lembrava bem era que, quando eles atacaram de repente, viu as lâminas aparecerem e pensou que não escaparia, mas, num piscar de olhos, eles não tinham mais as espadas!
"Não sei, mas quero agradecer por terem repelido o inimigo. Todo o mérito dessa batalha será recompensado depois. Pelo nosso lar, a cidade de Oro não será pisoteada por ninguém." Sean continuou fingindo ignorância e desviou o assunto para motivar os soldados.
Vendo a expressão animada dos soldados!
Melhor não deixar ninguém saber disso, nem mesmo Freya, teria que contar com cuidado.
Era a habilidade de controlar o tempo! Talvez muitos no mundo não soubessem que existiam seres capazes de dominar o tempo e o espaço, mas ele tinha visto aquilo.
Até agora, Sean não conseguia entender que tipo de criação grandiosa era aquela. Desde que apareceu, tudo parecia estar sob seu controle, e quanto mais tempo passava, mais ele sentia o quão aterrorizante era.
Vendo todos os soldados gritando pela vitória de Oro, Sean despertou de seus pensamentos sobre a criação divina.
Comparado com aquelas coisas poderosas que faziam os humanos se sentirem insignificantes, a defesa imediata era mais importante.
Na manhã seguinte, os corpos dos quatro infiltradores foram amarrados a estacas e colocados num terreno vazio perto do deserto, a uns dois ou três quilômetros da linha de defesa mais externa.
Isso era praticamente uma provocação direta.
Mas Sean não se importava. Já que o inimigo tinha dado o primeiro passo, ele devolveria em dobro.
Através da visão de uma coruja, Sean viu as estacas no deserto sendo recolhidas discretamente. Ao mesmo tempo, uma massa escura de pessoas se aproximava da borda da defesa.
Ao longe.
Kubachi observava com interesse a Brigada Dourada recolher os corpos dos companheiros.
"E então? Essa cidade tem força, não tem?"
Se não fosse aliado, ele já estaria rindo alto. Dois dias atrás, eles garantiam que não haveria problema, mas em apenas um dia e uma noite, já tinham levado um tapa na cara.
"Ha. Interessante. Uma cidade assim é que tem graça. Se desse pra tomar de uma vez, não teria emoção."
O líder da Brigada Dourada sorriu de repente.
O sol começava a nascer no leste.