No grande salão do palácio imperial do Império Bashalan. O jovem Rei Simon estava sentado no trono, enquanto abaixo estavam todos os nobres com título de marechal, além de uma multidão de ministros e duques. — Majestade, os Bogars já começaram a invadir nossa fronteira norte. Eles vêm com força total; precisamos preparar uma estratégia de resposta — disse um marechal vestindo uma armadura ornamentada, adiantando-se. — Sugiro mobilizar as tropas mais elite do império para lá, e ordenar que cada senhor feudal envie suas próprias forças para formar um exército conjunto; caso contrário, será difícil resistirmos ao ataque dos Bogars. Aqueles que podiam falar no palácio real ou comandavam exércitos poderosos ou detinham grande autoridade; no mínimo, nobres com título de duque podiam participar das deliberações. A fala do marechal provocou objeções de muitos nobres. — Atualmente, todas as regiões estão preparando suprimentos de guerra e precisam manter a segurança local; as tropas que podem ser enviadas já são muito escassas. — Como é possível? Não houve guerras nestes anos, nem se ouviu falar de desastres em lugar algum. Os nobres de todas as regiões vêm se desenvolvendo em paz há muito tempo, com os bolsos cheios de moedas de ouro e terras repletas de homens disponíveis. Agora, só estamos pedindo que cedam uma parte para apoiar a guerra; falar assim, será que tem algo a esconder? — O marechal virou-se para encarar o interlocutor. — Não invente mentiras. Estou apenas expondo a realidade. Vocês só veem a prosperidade das regiões, mas nunca observam os gastos de cada uma. Muitos senhores feudais estão com a vida apertada. — Isso é porque vocês gastam demais no dia a dia. — Calem a boca! Com uma ordem vinda do alto, os que discutiam imediatamente silenciaram. Foi então que o Rei Simon ergueu a cabeça. Naquela manhã, ele recebera consecutivamente os relatórios militares do dia anterior: os primeiros doze mil soldados de elite dos Bogars, formando a vanguarda, já haviam atacado a fronteira norte. Devido ao intenso bombardeio, somado ao poder dos balões de guerra e dos feiticeiros, a muralha mais externa do norte foi destruída em uma única noite, e dezenas de milhares de soldados morreram no campo de batalha. As informações que chegavam em sequência eram ainda piores. Não só os Bogars, mas também os Kaitos organizaram uma pequena força para contornar a fronteira nordeste. No entanto, o país Kaito, há muito subjugado pelos Bogars, tem pouca força militar; além de causar algumas baixas de ambos os lados, não houve grandes perdas territoriais. Além disso, a região nordeste do Império Bashalan é a área com o maior número de famílias condais; suas forças conjuntas ainda devem resistir por algum tempo. Mas os pedidos de socorro provavelmente já estão a caminho da capital imperial. Simon observou os presentes, todos em silêncio, e notou o marechal e o duque que haviam discutido antes. — Agora, as tropas dos Bogars já romperam os portões do norte. Quando seus exércitos se unirem, logo lançarão um segundo ataque contra nós. E vocês ainda estão aqui discutindo por essas pequenas coisas. Preciso de soluções, de meios para conter a invasão dos Bogars! — Gritou, furioso, para todos. Na verdade, havia algo que Simon não dissera: uma parte dos nobres imperiais do norte, vendo a situação desfavorável, já havia se rendido com suas famílias inteiras. E isso em apenas um dia. Se o inimigo avançasse sem resistência, quantos outros nobres fariam o mesmo, optando por não lutar? Quando isso acontecesse, o exército estaria às portas da cidade. Diante da ira do rei, os ministros não ousavam falar. Foi então que o Príncipe Filipe se adiantou. — Majestade, acho que não precisamos nos preocupar excessivamente. — Hum? — Todos os olhares se voltaram para o príncipe, em quem o rei confiava profundamente. — Termine o que ia dizer, Filipe. — Sim. Embora os Bogars venham com força e tenham destruído nossa barreira defensiva do norte em uma noite, isso se deve ao fato de estarmos há muitos anos sem lutar, enquanto eles guerreiam constantemente com os Kaitos e até estendem suas garras para as regiões oeste. Eles são hábeis em combate há anos. No entanto, não somos como os Kaitos, que se submetem facilmente. Dizem que as tropas imperiais já seguiram para o norte, e os marqueses e condes da região norte também estão organizando ativamente forças conjuntas para a defesa. — Mas isso não expulsará os Bogars — disse um marechal, adiantando-se. — Não precisamos expulsá-los; eles mesmos irão embora. Logo chegará o inverno. Se lutarmos até o inverno, mantendo nossas posições e colhendo todos os alimentos da região, os Bogars, incapazes de combater no inverno, naturalmente recuarão. Então, bastará enviar um embaixador aos Bogars para negociar e apaziguar a guerra — disse Filipe. — Isso é declarar rendição publicamente, Alteza. Por que não podemos lutar contra os Bogars? — A capacidade de combate dos Bogars não é algo que possamos enfrentar. Este é o método mais simples e eficaz — respondeu Filipe ao interlocutor que o contestava. — Ha ha ha! Esta é a declaração de rendição mais interessante que ouvi este ano. — Senhor Marechal, quero lembrá-lo de uma coisa. Guerra e destruição às vezes são decididas por um único gesto. Você colocaria um jovem soldado para enfrentar uma besta feroz? — Está dizendo que nós, bashalanos, somos fracos? — O marechal do lado oposto retrucou, insatisfeito. — Quando a razão vence a raiva, nosso país pode perdurar. — Você... — Chega! — Vendo que os dois iam discutir novamente, o Rei Simon interveio. — Os Bogars vêm com força total. Nossas informações já indicam que eles enviaram nada menos que quinhentos mil soldados de elite. Um número assim é difícil de enfrentar mesmo para nosso império. Não podemos lutar de frente no campo de batalha; precisamos usar a inteligência — disse o Rei Simon, sem apontar diretamente, mas deixando claro que confiava mais em seu tio. — Majestade, não podemos fazer isso. Isso fará os soldados perderem a confiança, e o povo perderá a esperança em nós. — Enquanto estivermos vivos, essa é a maior esperança — continuou Filipe, dirigindo-se ao outro. O Rei Simon olhou para o grupo dos marechais. — Se tiverem boas estratégias de combate, podem apresentá-las. Seja para atacar ou defender, precisamos da sabedoria de todos os marechais — disse, provavelmente vendo a frustração entre os partidários da guerra, acrescentando uma palavra de incentivo. No entanto, essa frase, que ele achava encorajadora, soou como fraqueza aos ouvidos dos marechais. A estratégia discutida no palácio provavelmente seguiria a política de defesa e negociação do Príncipe Filipe. Enquanto isso, não muito longe do palácio, os feiticeiros imperiais aguardavam o resultado da reunião. Freya estava sozinha na parte externa da torre dos feiticeiros, olhando para o céu, distraída. — Tosse... Líder. Uma voz repentina atrás dela a trouxe de volta à realidade. — É você, Sohana? O que houve? Alguma notícia da reunião no palácio? — Ainda não, mas há outra notícia para você — disse Sohana, com uma expressão claramente preocupada, o que deixou Freya intrigada. — O que é? — Uma carta do Conde Sean Weigel, do sudeste do império. — Sean? — Freya mal conseguiu esconder a alegria, mas, percebendo que havia muitos feiticeiros por perto, conteve-se. Ela rapidamente tomou a carta das mãos de Sohana, que revirou os olhos. — Líder, não entendo. Ele é apenas um conde. Se continuar se envolvendo com ele, pode dar problemas. Mesmo para o príncipe, será difícil explicar. — Isso é assunto meu. Desde quando preciso que eles se preocupem? Ela olhou para a expressão resignada de Sohana. — Você não entende...